Amazônia é tema de concorrentes no Festival do Rio

Longas Uma História de Amor e Fúria, A Floresta de Jonathas e Margaret Mee e a Flor da Lua levam a floresta como tema de fundo

por Agência Estado 10/10/2012 15:50

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Divulgação / Buriti Filmes
Floresta é pano de fundo de Uma História de Amor e Fúria, que também participa do festival (foto: Divulgação / Buriti Filmes)
Houve aplauso retumbante após a exibição de Uma História de Amor e Fúria, a vibrante animação de Luiz Bolognesi, no Festival do Rio, segunda à noite. Houve outra, um pouco menor - e alguma vaia - para o longa exibido em seguida e que também concorre na Première Brasil. A Floresta de Jonathas, do manauara Sérgio Andrade, é um pouco o Na Natureza Selvagem brasileiro. Conta a história de um jovem índio aculturado que se perde na floresta. Ele invoca os xamãs, a mãe. Ninguém responde. O espectador compartilha seu desespero na floresta que apresenta sua face mais cruel. A Amazônia também é tema de Margaret Mee e a Flor da Lua, de Malu De Martino, uma das melhores surpresas desta Premiére Brasil que está tão boa. A diretora já havia feito Como Esquecer, com Ana Paula Arósio e produção de Elisa Tolomelli. Malu trabalha de novo com Elisa. O filme faz um perfil muito especial da dublê de artista e cientista que pesquisou as flores da floresta amazônica. A meta de Margaret foi captar o efêmero, essa flor rara que se abre à noite, à luz da Lua, e morre rapidamente. Foram 15 expedições até que ela atingisse o objetivo. A busca da flor da Lua é uma história épica que Malu transforma num filme de delicadeza infinita, como as aquarelas de Margaret. Essa mulher foi guerreira - pioneira - na defesa ecológica. Parecia frágil, era uma forte. O filme lhe faz justiça. A Floresta propõe outra coisa no mesmo cenário. O diretor contrapõe a cultura dos índios e a dos brancos, dos amazonenses e dos ucranianos, utilizando a história de família dividida. Há Jonathas e o irmão, Juliano, que quer se integrar na sociedade dos brancos e sonha com mulheres sedutoras. Jonathas é mais tímido. A floresta parece seu território, mas se volta contra ele. O fim é enigmático. Parece inconclusivo. É misterioso como certos filmes do tailandês Apichatpong Weerasethakul também invocam o mistério de outras florestas. Não haverá espanto se o júri, na divisão dos prêmios, atribuir algum a A Floresta de Jonathas e, mais ainda, a Margaret Mee e a Flor da Lua.

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