Produção nacional mostra diversidade na Première Brasil

Com títulos como A busca e O som ao redor, Festival do Rio agrega a variedade do cinema brasileiro

por Agência Estado 09/10/2012 14:50

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Divulgação
Temas variados integram mostra cinematográfica no Rio de Janeiro (foto: Divulgação)
Na semana passada, a reportagem comentou que dificilmente surgiria na Première Brasil filme melhor do que A Busca, de Luciano Moura, com Wagner Moura. O impossível está ocorrendo no Festival do Rio. A Première Brasil, principal vitrine do cinema brasileiro, tem mostrado grandes filmes. Surgiu outro tão bom quanto A Busca. O mais interessante, ou mesmo impressionante, é que O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, não poderia ser mais diferente. E viva a diversidade. O filme embola tudo - a disputa pelo troféu Redentor nas categorias de filme, diretor e ator, com o poderoso Irandhyr Santos. Wagner Moura, em A Busca, faz um homem cuja vida já implodiu na primeira cena. Ele está desesperado no meio da estrada, ouve-se o som do que parece um acidente de carro. Na sequência, vemos esse homem chegar numa casa que está sendo desmontada. O casamento acabou, ele não tem diálogo com a mulher nem com o filho. O garoto some, cai na estrada. E no lombo de um cavalo. Como? "Traz o meu filho", geme a mãe chorosa, Mariana Lima. Wagner, como um herói trágico, vai tentar refazer sua família, mas o tempo todo ele está instável. Irandhyr Santos, pelo contrário, é o homem em controle da situação. Frio e metódico. É o segurança que oferece seus serviços em O Som ao Redor. Ao contrário de A Busca, que conta uma história - a de um pai em busca do filho -, O Som ao Redor conta diversas histórias para não contar história nenhuma. É uma crítica que algumas pessoas fazem ao filme. Ele é muito mais uma obra de observação social. Situado no Recife contemporâneo, seleciona um recorte da cidade - uma comunidade, uma rua. Mas, nessa rua, o diretor consegue conter todo o Recife e todos os conflitos da sociedade pernambucana. Há esse senhor de engenho que vela sobre os destinos de todos. Ele tem dois netos - o que é corretor e vende os apartamentos do avô e o outro, a ovelha negra da família, ladrão de carros. O quadro de personagens amplia-se - a mulher que sofre de insônia e o cão que ladra (e inferniza a vida dela), a doméstica do velho coronel, que vai para a cama com o segurança. O tempo todo sem narrar propriamente uma história, Kleber Mendonça Filho cria uma tensão subterrânea. Esse mundo vai explodir, mas como? Qual o papel do personagem de Irandhyr na explosão? Quando ela vem, é um anticlímax que não tem o efeito de descarga dramática para o espectador. Não o liberta como a catarse das tragédias gregas. O cinema brasileiro tem dado provas de diversidade na Première Brasil. Algo de muito interessante está se passando em A Busca em O Som ao Redor, em Meu Pé de Laranja Lima, de Marcos Bernstein, em Éden, de Bruno Safadi, no próprio O Gorila, de José Eduardo Belmonte, que tem seus defensores apaixonados entre a crítica. Esse algo inclui a animação Uma História de Amor e Fúria, de Luis Bolognesi, e documentários como O Dia Que Durou 21 Anos, de Camilo Tavares, e Jards, de Eryk Rocha. Um cinema forte, transgressivo. As apostas de bilheteria continuam sendo as comédias como Até Que a Sorte nos Separe, de Roberto Santucci, ou os filmes de grande espetáculo, épicos (por que não?) como Gonzaga, de Breno Silveira. Mas o azarão Totalmente Inocentes, de Rodrigo Bittencourt, já bateu 500 mil espectadores. Tudo é possível.

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