Em seu terceiro longa, Febre de rato, Claúdio Assis dá mais um passo em sua arte libertária

Fotografia em preto e branco de Walter Carvalho reforça o lirismo suburbano do filme

por Carolina Braga 07/09/2012 07:00

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Daniela Nader/Divulgação
(foto: Daniela Nader/Divulgação )
 
Nem todos os diretores conseguem criar em torno do próprio nome determinado estilo de fazer cinema. O pernambucano Cláudio Assis pode, quem sabe um dia, até se cansar do tipo de filme que faz. Mas qualquer possível mudança de rota já não apaga a força da particular linguagem que conseguiu criar. Ele é rasgado, explícito, desbocado, intenso, marginal, libertário. Enfim, sem meio-termo. Febre do rato não foge à regra do cinema “claudiano”. Veja mais fotosdo filme Confira os horários das sessões
Terceiro da carreira depois de Amarelo manga (2002) e Baixio das bestas (2007), o longa tece basicamente três tramas em torno de Zizo (Irandhir Santos), um poeta sem controle que vive na periferia do Recife. A trama principal acompanha um recorte da vida dele assim como as intensas defesas da liberdade, da anarquia e do sexo. Para resumir: Cláudio Assis se permitiu literalmente devanear e o faz por meio do protagonista. 
Zizo é sujeito cercado de amigos, mas todos parecem estar à espera dos frequentes ataques de lirismo do rapaz. Quando não está declamando, bebendo ou fazendo sexo, ele cuida da produção de um jornal independente, também chamado Febre do rato. É ali, e pelo alto-falante de um carro perambulando pela periferia , que dá vazão às inquietudes pessoais e artísticas. 
Para Zizo, na vida parece não haver controle, nem limite. Porém, ele mesmo descobre que isso vale até certo ponto. Eis que experimenta se encantar por uma mulher. É a chegada da jovem Eneida (Nanda Costa) – e sobretudo a negativa dela de se entregar a ele – que esquenta a narrativa. Paralelamente, Cláudio Assis desenvolve as histórias de um grupo de amigos que convivem sexualmente e também do casal Pazinho (Matheus Nachtergaele) e Vanessa (Tânia Granussi), ele coveiro e ela travesti. 
Curiosamente, embora o filme pareça girar em torno de um mesmo tema, o roteiro de Hilton Lacerda consegue prender a atenção. Ele amarra bem as tramas paralelas em função da poesia de Zizo. Além disso, Febre do rato tem inegável apreço estético. A fotografia em preto e branco de Walter Carvalho reforça o ar lírico presente no universo do poeta suburbano. 
Irandhir Santos, como Zizo, é o próprio alter ego do diretor. É impossível não identificar nele os rompantes verborrágicos do cineasta. Matheus Nachtergaele, colaborador contumaz das obras do pernambucano, é outro destaque. Mais uma vez acerta na composição do contido Pazinho. Também estão no elenco Juliano Cazarré, Maria Gladys, Conceição Camarotti, Ângela Leal, Mariana Nunes, Vitor Araújo e Hugo Gila, todos em participações corretas. 
Com Febre do rato Cláudio Assis recebeu o prêmio de melhor direção no Cine Ceará e oito prêmios na última edição do Festival de Paulínia. Assista ao trailer do filme:


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