Drama sul-coreano arrebata crítica no Festival de Veneza, mas deve encontrar resistência do público

Pieta situa história de amor entre mãe e filho na violência das vielas miseráveis no Centro de Seul

05/09/2012 08:39

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Next Entertainment World/Divulgação
Mulher procura pelo reconhecimento do filho, um agiota que desencadeia roteiro de vingança (foto: Next Entertainment World/Divulgação)
 

Veneza – Pieta, um novo filme da Coreia do Sul, é tão violento que é difícil de assistir, mas a história de um agiota impiedoso e da misteriosa mulher que diz ser sua mãe se transforma em um suspense contagiante e uma comovente história de amor. O diretor Kim Ki-duk não faz rodeios em seu conto de vingança cruel e redenção, e a atriz principal, Cho Min-soo, que ele descreve como sua “Maria de cabelos negros”, é uma das favoritas para levar o prêmio de melhor atriz quando o festival terminar, em 8 de setembro.

Embora o público ocidental possa ter dificuldades para encontrar um cinema disposto a exibir Pieta, um prêmio no festival mais antigo do mundo pode garantir ao filme pelo menos uma distribuição limitada, e o longa também é um sério candidato ao Leão de Ouro de melhor filme em Veneza. A história começa com Kang-do, um magro e inexpressivo cobrador de dívidas aterrorizando as oficinas de metal sujas onde trabalhadores empobrecidos ganham sua existência miserável em uma favela em Seul.

Ao estabelecer o enredo em meio a becos miseráveis na sombra dos arranha-céus do Centro da cidade, Kim faz de Pieta uma ampla crítica sobre a ganância, as falhas do sistema financeiro e como a sociedade como um todo deve ter alguma culpa por virar a cara para o outro lado. “Sinto que esse filme em particular é dedicado à humanidade, à nossa situação difícil em uma crise capitalista extrema”, disse Kim a jornalistas depois de uma exibição para a imprensa antes de sua estreia mundial ontem no tapete vermelho.

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Cho Min Soo, descrita pelo diretor como "Maria de cabelos negros", é favorita ao prêmio de melhor atriz (foto: Next Entertainment World/Divulgação)
Cenas chocantes

Os devedores que não podem arcar com os juros exorbitantes pagam caro, com mãos e braços mutilados em sua própria máquina ou membros esmagados em pedaços para que Kang-do possa recolher o seguro. Alguns dos que ficam aleijados tomam as ruas para mendigar, outros tiram suas próprias vidas. Um fica tão desesperado por dinheiro para sustentar seu filho que ainda não nasceu que ele oferece a Kang-do suas duas mãos, mas antes de fazer isso dedilha pela última vez sua guitarra amada. A crueldade só termina quando Mi-sun (Cho) aparece de repente, alegando ser a mãe de Kang-do que o abandonou ao nascer. Inicialmente incapaz de aceitar o seu olhar de amor e gestos amáveis, um suspeito Kang-do, interpretado por Lee Jung-jin, a coloca à prova com atos de extrema crueldade. Ainda assim, ela volta para mais, gradualmente conquistando seu afeto e o convencendo de que sua história é verdadeira. Kim, um dos favoritos no circuito europeu dos festivais de cinema, inspirou-se na tradição ocidental artística de retratar Maria segurando o Cristo morto, com sua retratação mais famosa em uma escultura de Michelangelo. As críticas a Pieta foram, no geral, positivas, embora tenham reconhecido que os espectadores poderão ficar incomodados com o conteúdo.

 

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