Longa Paradise Faith causa polêmica em Veneza por causa de cena de sexo com crucifixo

01/09/2012 11:50

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Max Rossi /Reuters
Ulrich Seidl e a atriz Maria Hofstatter, que interpreta Anna Maria (foto: Max Rossi /Reuters)
 
Veneza – O irreverente filme do austríaco Ulrich Seidl, Paradise faith, que compete pelo Leão de Ouro na Mostra de Veneza, junto com outros 17 filmes, escandalizou ontem com uma cena de sexo com um crucifixo. “Faith provoca escândalo”, estampou o jornal italiano Coriere della Sera ao resenhar o filme decididamente anticlerical, protagonizado por uma fervorosa católica que se flagela, usa o cilício, caminha pela casa de joelhos, impreca os pecadores e chega a se masturbar com um crucifixo.
 
A cena, na qual a católica Anna Maria, uma auxiliar de raios X, lentamente tira o crucifixo da parede de seu quarto, o acaricia, o beija, torna a beijá-lo cada vez mais intensamente, até que finalmente se masturba com ele sob as cobertas, é certamente uma das mais impressionantes do cinema contemporâneo. O filme, uma história de excessos místicos na qual inclusive a fotografia do papa Bento XVI é difamada, arrancou risos e foi aplaudido durante a primeira projeção à imprensa especializada e provavelmente vai gerar reações na Itália, um dos países mais católicos do planeta, e no Vaticano.
 
Para Anna Maria, o caminho que a levará ao paraíso reside em Jesus, e por isso decide percorrer toda a cidade de Viena com uma imagem da Virgem Maria de cerca de 40cm nas mãos, batendo de porta em porta para convencer as pessoas a se unirem ao cristianismo. O retorno inesperado depois de anos de ausência de seu marido, um muçulmano egípcio prostrado em uma cadeira de rodas, termina por reforçar sua fé.
 
“A protagonista não entende que a adoração cega por Cristo a converte em um ser inumano incapaz de sentir amor e de comunicar a mais importante virtude cristã: amar ao próximo”, comentou o diretor. “Somos as tropas de assalto da Igreja” é o lema da comunidade religiosa à qual a protagonista pertence. O diretor, premiado em 2001 em Veneza por seu primeiro longa-metragem, Hundstage, disse ter se inspirado nas peregrinações religiosas para convencer adeptos. “Ela é uma mulher decepcionada com o amor, com os homens e frustrada sexualmente. Sente um vazio interior”, explicou.


VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA