Artistas franceses elogiam sistema de cotas do Governo Brasileiro para cinema nacional

França exibe vigorosa produção cinematográfica, viabilizada pelo Estado em políticas públicas

por Carolina Braga 20/08/2012 09:47

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Varilux/divulgação
Cena de A filha do pai, longa-metragem que marca a estreia do ator Daniel Auteuil como cineasta (foto: Varilux/divulgação)

 “Isso salvará o cinema brasileiro”, afirma com veemência a jovem atriz francesa Astrid Berges Frisbey, ao saber como o sistema de cotas funciona no Brasil. Todas as salas do país são obrigadas a exibir de três a 14 filmes nacionais por ano. “Se não há essa imposição, as pessoas só assistem a grandes êxitos e se desacostumam do próprio cinema. Foi o que ocorreu na Espanha. Lá, as pessoas não gostam do que o país produz”, compara.

Espanhola radicada na França, a atriz concorda com o discurso ouvido várias vezes durante eventos cariocas promovidos pelo Festival Varilux de Cinema Francês, que está em cartaz em várias cidades brasileiras, inclusive Belo Horizonte.

Apesar da crise mundial, a relação do público francês com as produções de seu país experimenta verdadeira fase de ouro. Depois do êxito de O artista, que levou o Oscar inédito de melhor filme este ano, comprovam esse bom momento o sucesso de A filha do pai, longa protagonizado por Astrid, e o recorde de 20 milhões de espectadores obtido por Intocáveis, de Olivier Nakache e Éric Toledano.

Quarta-feira, 22, no Cine Belas Artes, o público belo-horizontino poderá conferir A filha do pai, que marca a estreia do ator Daniel Auteuil na direção. Conhecido no Brasil por sua atuação em Caché, de Michel Haneke, e A rainha Margot, de Patrice Chéreau, ele adaptou para as telas o livro La fille du puisatier, de Marcel Pagnol, escritor popular na Franca. 

Com pitadas de comédia ingênua, o drama se passa em 1939 e conta a história da filha de um furador de poços que engravida de um aviador desaparecido no front. “Esse filme fala da importância do respeito às pessoas mais velhas, de valores que se vão a cada dia. As novas gerações perdem de vista o quanto é importante cuidar de seus pais e avós. Quem não cuida da própria raiz não sabe quem é”, defende Astrid Berges Frisbey. 

A filha do pai é um exemplo da variedade da produção francesa exibida pelo festival. A atriz Isabelle Calendier, que divulga no Brasil o longa Adeus Berthe ou O enterro da vovó, atribui os “bons ventos” da atual safra francesa ao modo de produção consolidado no país europeu. “Continuamos artesanais e recebemos menos pressão que os americanos. Nossos diretores podem fazer mais o que querem, eles têm o corte final. Os nossos independentes são muito diferentes dos americanos, pois ainda controlam o próprio filme”, compara Isabelle.
 
Veterano no universo cinematográfico francês, o diretor Jean-Pierre Denis observa a conjuntura contemporânea com cautela. Anualmente, são produzidos na França de 140 a 150 curtas e longas-metragens. De acordo com Denis, nesse pacote há a tendência de favorecer as comédias. “Esse é um problema planetário”, aponta.
 
Aqui embaixo, longa que Jean-Pierre Denis trouxe para o Festival Varilux, é um drama histórico sobre o dilema de uma freira, dividida entre a vida religiosa e o amor por um capelão. Trata-se do sexto filme do diretor em 30 anos de carreira, que tem contado com o apoio do governo. “Muito do bom momento do cinema francês se deve às políticas públicas”, ressalta o cineasta. 
 
Na França, boa parte da produção é financiada por fundos governamentais. Jean-Pierre defende esse modelo também para a América Latina. “Conheço o contexto sul-americano. Podemos perguntar: por que a Argentina é mais forte que o Brasil, que tem imenso potencial? Evidentemente, trata-se de uma questão de política cultural”, conclui.
 
FESTIVAL VARILUX
 
Segunda-feira, 20 de agosto
14h50 – Uma garrafa no mar de Gaza, de Thierry Binistri
16h50 – Intocáveis, de Olivier Nakache e Éric Toledano 
19h10 – O monge, de Dominik Moll
21h20 – Aliyah, de Elie Wajeman  
 
Terça-feira, 21
15h – O monge, de Dominik Moll
17h10 – Paris-Manhattan, de Sophie Lellouche
19h – A arte de amar, de Emmanuel Mouret
21h10 – My way, o mito além da música, de Florent Emilio Siri 
 
Quarta-feira, 22
14h40 – Americano, de Mathieu Demy
16h40 – Adeus Berthe ou O enterro da vovó, de Bruno Podalydès
19h – A filha do pai, de Daniel Auteuil
21h10 – Polissia, de De Maïwenn 
 
Quinta-feira, 23
14h50 – A vida vai melhorar, de Cédric Kahn
17h10 – O barco da esperança, de Moussa Touré
19h – Aliyah, de Elie Wajeman 
21h10 – Uma garrafa no mar de Gaza, de Thierry Binistri 
 
*A repórter viajou a convite do Festival Varilux


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