Sean Penn interpreta um roqueiro bizarro em Aqui é o meu lugar

Filme estreia nesta sexta-feira nas salas de BH

por Carolina Braga 10/08/2012 08:07

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Imagem Filmes / Divulgação
(foto: Imagem Filmes / Divulgação)
 
O americano Sean Penn ficou conhecido como o típico ator capaz de carregar qualquer filme nas costas. Não é diferente com o bizarro, porém interessante, Aqui é o meu lugar, dirigido pelo italiano Paolo Sorentino. Veja mais fotos do filme Confira os horários das sessões
Trata-se daquele tipo de longa capaz de misturar tantos temas que, ao final, nem tudo é o que parecia ser. Primeira pista falsa: trata-se de produção sobre um roqueiro em depressão. A não ser faixas clássicas na trilha sonora (ótima, por sinal), a participação especial de David Byrne e o visual punk de Cheyenne (composição caricata de Sean), o rock serve apenas como pretexto. Por meio da suposta atitude roqueira do astro – fracassada –, nos damos conta de que, paradoxalmente, Aqui é o meu lugar fala de pessoas em busca de seu espaço no mundo. Lugar existencial, não o geográfico. 
Há 20 anos recolhido no interior da Irlanda e casado com uma bombeira, o ex-astro Cheyenne é obrigado a reencontrar seu passado ao se deparar com a morte do pai, nos Estados Unidos. A volta à América marca o início das guinadas do filme. Se havia a impressão de se tratar de uma reflexão sobre a sensação de não pertencimento, o retorno às origens revela que, na verdade, houve, por parte do protagonista, uma fuga às origens. O presente não deixa de ser consequência do passado. 
A partir daí, surgem as surpresas de Aqui é o meu lugar. A introspecção dá lugar a discussões sobre judaísmo, holocausto e paternidade. Detalhe: tudo isso ao estilo road movie. Embora a mistura de temas tão controversos como judaísmo e culto às celebridades possa soar absurda demais, a maneira como se tece a rede garante sutileza e profundidade à trama. 
A câmera de Paolo Sorentino, ao mesmo tempo em que se prende a detalhes, é marcada por movimentos sutis de distanciamento e aproximação. De perto, nem tudo é o que parece.
O elenco traz coadjuvantes interessantes: como a mulher de Cheyenne, Frances McDormand é correta, assim como Eve Hewson no papel da adolescente Mary, amiga do roqueiro. Até o cantor e compositor David Byrne está dentro do tom.
Mas há de se reconhecer: ninguém tinha muito mais a fazer diante da criação caricata de Sean para Cheyenne. O mérito do ator está na sutileza como desenvolveu as mudanças pelas quais o personagem passa. O visual à la “Edward mãos de tesoura”, além de ilustrar o paradoxo do homem sem identidade, diz muito sobre o próprio filme. É aquela história: há algo errado, ainda que não se saiba exatamente o quê. Assista ao trailer do filme:


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