Cine Humberto Mauro exibe a partir de hoje obra cinematográfica completa de Charles Chaplin

Estreia será no Parque Municipal, com apresentação de Luzes da cidade. A entrada é gratuita

por Carolina Braga 10/08/2012 09:30

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Divulgação
(foto: Divulgação)
Você pode até não ser muito ligado em cinema, mas ainda assim é praticamente impossível que não conheça qualquer imagem de Charles Chaplin. Desde 1914, quando o ator e cineasta britânico estreou no cinema mudo, está para nascer uma figura tão icônica na cultura ocidental. Mais que reforçar tal relevância, revelar o que fez de Chaplin essa potência é uma das metas da mostra integral dedicada ao artista, que começa hoje em Belo Horizonte. 
Até 6 de setembro, serão exibidos no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, com entrada franca, os 87 filmes produzidos por Chaplin, sendo 13 longas-metragens e 74 curtas e médias, entre eles os da fase da produtora Keystone. “Vamos pensar nessa figura que transcende até o cinema. Ele é unânime e ao mesmo tempo, como está no Olimpo, os filmes não foram tão vistos e discutidos como deveriam ser”, afirma Rafael Ciccarini, gerente de cinema da Fundação Clóvis Salgado, responsável pela realização da mostra. 
A retrospectiva contempla desde os trabalhos como ator, a fase do vagabundo, as críticas direcionadas às guerras e, sobretudo, a singularidade com que ele soube lidar com a comédia e a tragédia. “Duas características fazem grandes artistas: a universalidade e a atemporalidade. Chaplin conseguiu transcender o tempo e o lugar dele, assim como Shakespeare. Tanto é que permanece muito vivo”, diz. 
“Chaplin não pertence à história do cinema, ele pertence à história”, defende o crítico norte-americano Jonathan Rosenbaum. Convidado a dar um curso sobre o cineasta durante o evento, ele acredita que até hoje Chaplin é cercado de clichês. “Diria que tende a ser universalmente reconhecido como um grande intérprete, mas desconhecido, desvalorizado e muito pouco entendido como cineasta”, aponta. É essa debilidade que, na opinião de Rosenbaum, mantém a obra de Charles Chaplin ainda carente da devida atenção. 
“Jean-Marie Straub argumentou, provocativamente, que Chaplin foi o maior editor de cinema de todos os tempos. Isso porque ele sabia exatamente quando um gesto começava e terminava. Os cineastas contemporâneos não conseguem entender essa lição tão bem como Chaplin”, comenta Rosenbaum. “É um artista completo porque, inclusive, era muito exigente. Chegou a filmar a mesma cena 100 vezes. Era muito meticuloso, grande conhecedor do cinema e usou isso para a preservação da própria obra”, completa o pesquisador e colecionador Luiz Cardoso Ayres Filho. 
De forma inédita, a abertura da mostra, nesta sexta-feira, será com sessão ao ar livre de Luzes da cidade (1931), no Parque Municipal. Além deste clássico, o trabalho do artista poderá ser visto – e revisto – nos célebres O grande ditador, no qual personifica Hitler; O circo, quando demonstrou sua visão sobre as relações de trabalho; e Tempos modernos, longa que marcou tanto a despedida do astro do personagem Carlitos, como a transição do cinema mudo para o falado. Está em Tempos modernos uma das canções mais conhecidas – e belas – da história do cinema: Smile, escrita pelo próprio Charles Chaplin. 
Entre as raridades, filmes inacabados como The professor, pioneiros como O casamento de Carlitos, considerado o primeiro longa da história do cinema americano, o documentário How to makes movies, além da produção em curtas-metragens. “O problema da obra de curtas-metragens dele é que é muito extensa. As pessoas ficam com medo de enfrentar, porque é preciso muito fôlego mesmo”, brinca Ciccarini. 
BOAS CÓPIAS Como se trata de uma retrospectiva integral, os filmes serão apresentados em vários formatos. Segundo Rafael Ciccarini, o maior desafio desta realização foi a pesquisa para encontrar as cópias em boas condições de exibição. Assim, foram firmadas parcerias com instituições da França, da Espanha e também com Luiz Cardoso Ayres Filho. 
Pesquisador apaixonado sobre cinema mudo, ele tem em sua coleção 75 trabalhos realizados por Chaplin em 8mm e 16mm, dos quais cedeu 16 à mostra realizada pelo Palácio das Artes. “O cinema é uma arte muito nova e o Chaplin foi um vanguardista. As obras dele são tão atuais que as críticas sociais que eram feitas para ridicularizar a aristocracia da época, quando ele ressaltou o papel do vagabundo, continuam vivas até hoje”, comenta. 
Luiz Cardoso Ayres Filho também compara a cinematografia de Charles Chaplin à de outro gênio do estilo, o americano Buster Keaton. Mas no quesito popularidade, não há páreo para o britânico. “Os filmes do Keaton são mais complexos. A obra do Chaplin, além de ser de altíssimo nível, é mais popular, porque ele sabia exatamente o que o público queria. Era um gênio da comunicação”, conclui.
 
Rir e pensar 
 
Além dos filmes, a mostra dedicada a Charles Chaplin tem como eventos paralelos palestras, debate, conferência que será ministrada pelo crítico francês Jean Douchet e curso conduzido por Jonathan Rosenbaum. Haverá também lançamento de catálogo com textos inéditos e clássicos assinados por Walter Benjamin, Glauber Rocha, Paulo Emílio Sales Gomes, Mário de Andrade e Vinicius de Morais sobre a obra de Chaplin. 
 
PROGRAMAÇÃO
Sexta-feira
Parque Municipal
20h – Luzes da cidade (1931)
 
Os ingressos serão distribuídos a partir das 14h desta sexta-feira, na bilheteria do Cine Humberto Mauro. Ao todo, serão distribuídos 450 ingressos, limitados a um par por pessoa.
Sábado
Cine Humberto Mauro 
(Av. Afonso Pena, 1.537, Centro)
16h – O casamento de 
Carlitos (1914)
18h – Curtas da fase Keystone 
20h – A condessa de Hong Kong (1967) 
Domingo
Cine Humberto Mauro
16h – Curtas da fase Keystone 
18h – Curtas da fase Keystone
20h – O circo (1928)
Programação completa no www.palaciodasartes.com.br Assista a trecho do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin:


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