Batman, o cavaleiro das trevas ressurge mantém o clima sombrio dos primeiros filmes da trilogia

Dirigida por Christopher Nolan produção tem como destaque o vilão Bane

por Carolina Braga 25/07/2012 08:50

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Ron Phillips /Divulgação / Warner Bros.
Bane (Tom Hardy) e Batman (Christian Bale) em duelo decisivo do terceiro filme dirigido por Christopher Nolan sobre o homem-morcego (foto: Ron Phillips /Divulgação / Warner Bros.)
Se máscara é o que não falta ao Batman, o terceiro filme da trilogia sobre o herói dirigida por Christopher Nolan vai um pouco além disso. Na verdade, as máscaras estão por toda parte e em qualquer um. Não é uma exclusividade de Bruce Wayne, nem de Bane, o vilão do momento, muito menos de qualquer cidadão comum, vide o trágico acontecimento nos Estados Unidos. Veja mais fotos do filme Dito isso, e sem correr o risco de adiantar o que não é recomendável, melhor ir direto ao ponto: Batman, o cavaleiro das trevas ressurge não deve, em nada, aos dois predecessores dirigidos por Christopher Nolan. O clima sombrio de Gotham City continua e, assim como ele, uma característica que acompanha o personagem desde a origem nos quadrinhos: a versatilidade do Homem-morcego. Ainda bem. Já sabemos que Bruce Wayne não tem lá um lado emocional muito equilibrado. Afinal, ele é ou não é o herói mais humano de todos? Ciente disso, o que o diretor fez, mais uma vez, foi simplesmente mergulhar nessa personalidade confusa, às vezes frágil, outras vingativa, e ressaltar o quão humano o herói realmente é. Inclusive, sujeito aos infortúnios da raça. Em Batman, o cavaleiro das trevas ressurge as primeiras aparições de Bruce Wayne não deixam dúvidas quanto à melancolia do bilionário diante da vida. Praticamente falido, machucado, o clima é de depressão total. Porém, não podemos esquecer da capacidade de ele se reerguer. É nesse movimento que a ação do filme acerta em cheio. São duas horas e 45 minutos de emoções, surpresas e até compaixão. Eis mais um acerto do diretor. “O que Nolan trouxe de maior acréscimo ao Batman foi tratá-lo como um herói, como nenhuma mídia anterior. Digo no sentido de beber da fonte da mitologia e ressaltar o homem-morcego como algo realmente mítico e épico. Você vê Bruce crescendo como pessoa e como herói no decorrer da série. Capaz de se tornar mais que ele próprio: uma representação daquilo que Gotham necessita”, observa a pesquisadora Ana Carolina Cunha, autora de dissertação de mestrado sobre o senso de justiça nos quadrinhos do Batman. Para o professor e pesquisador de cinema e HQs Alexandre Linck, o viés psicológico que Nolan deu ao Batman está, de certa forma, espalhado em diferentes histórias em quadrinhos. O mérito da trilogia estaria, então, na consistência desse olhar a respeito do personagem. “É comum dizer que se trata de uma versão realista, mas não tem como ser realista lidando com um sujeito vestido de morcego. O que Nolan e equipe fazem é levar a fantasia a sério, o que é bem diferente. Não é por que é um personagem fantástico que está valendo qualquer coisa. Os três filmes são bem rigorosos nisso. O Batman do Nolan não trata o personagem, por ser de quadrinhos, como um subproduto literário. Existe força pela história, psicologia ou mitologia, e essa força apareceu de alguma forma no cinema”, diz Linck. ELENCO AFIADO A consistência do roteiro do novo filme é boa prova disso. Mesmo com muita informação para ser passada ao público, em nenhum momento a trama fica superficial nem arrastada. Outro ponto forte – assim como nos outros dois filmes – é o elenco. Christian Bale encontrou a medida certa tanto para o ar atormentado de Bruce Wayne como para o olhar firme de Batman. Gary Oldman como o comissário Gordon, Morgan Freeman como Fox e Michael Caine, como o fiel mordomo Alfred reafirmam a competência. Agora, se for para destacar as surpresas do terceiro episódio, uma delas fica por conta de Tom Hardy, na pele do vilão Bane. Mesmo 100% do tempo mascarado, ele não deixa de expressar força. Outro mérito pertence ao elenco feminino. Tanto a mulher-gato de Anne Hathaway com a Miranda de Marion Cotillard têm papel fundamental nas reviravoltadas da trama. Fique de olho nelas. Na contramão da lógica do mercado, Batman, o cavaleiro das trevas ressurge não terá versão em 3D. Nem precisa. A qualidade do último filme da trilogia também passa pela tecnologia, mas não está atada a ela. Está muito mais na compreensão de que um dos poderes de histórias tão antigas como as da mitologia, por exemplo, é a capacidade constante de readaptação e releitura sem fim. “Creio que com o Batman é a mesma coisa. Algumas interpretações nos agradam mais do que outras, mas faz parte o personagem ter muitas máscaras, sempre havendo nas sombras outra que não esperaríamos”, comenta Alexandre Linck.

RAIO X DO HERÓI

DC 27/Reprodução
(foto: DC 27/Reprodução)
BATMAN NOS QUADRINHOS Publicado pela primeira vez em maio de 1939, as histórias do Batman foram inicialmente criadas por Bob Kane e Bill Finger (foto). O personagem é lançado pouco depois do Superman, na Detective Comics 27. Porém, a origem do herói somente é revelada no número 33. Aos 10 anos, o jovem Bruce Wayne assiste ao assassinato dos pais. Anos mais tarde, já rico e culto, decide começar a luta contra o crime. Ao escolher sua aparência, Bruce Wayne se pergunta: "Os criminosos são supersticiosos e facilmente amedrontáveis. Meu disfarce deve fazê-los tremer de terror. Tenho que ser uma criatura da noite. Escura, terrível...". Neste momento, um morcego surge na janela da mansão. Assim surgiu o mito. BATMAN NA TV As primeiras adaptações para a televisão datam da década de 1940. Porém, a popularidade na telinha veio com a versão que teve Adam West como protagonista na série da década de 1960. A trama que narrou as aventuras do Homem-morcego e seu fiel escudeiro, Robin, interpretado por Burt Ward, tinha nítida preocupação com o humor. A versão televisiva é sempre lembrada pelas onomatopeias – soc!, pow! – que eram escritas na telinha durante as lutas. BATMAN NO CINEMA Batman chegou ao cinema pela primeira vez em 1966. A chamada tetralogia começou em 1989, com direção de Tim Burton, tendo Michael Keaton no papel do herói. Depois de Batman (1989), eles reeditaram a parceria em Batman returns (1992). Já Batman (1995) ficou a cargo de Joel Schumacher, e teve Val Kilmer como protagonista. Em 1997, George Clooney virou o Homem-morcego em Batman & Robin, o filme mais criticado de todos, cujo parceiro foi interpretado por Chris O'Donnell. A trilogia assinada por Christopher Nolan e estrelada por Christian Bale começou em 2005, com Batman beguins, seguido de O cavaleiro das trevas (2008). VILÕES Figura-chave no segundo filme da trilogia, o Coringa é o vilão mais famoso de Batman. Apareceu nos quadrinhos pela primeira vez em 1940, praticamente na mesma época em que a Mulher-gato. Também fazem parte da primeira safra de malvados, Pinguim, Charada e o Duas-Caras. Bane, o vilão mascarado de O cavaleiro das trevas ressurge existe nos quadrinhos desde a década 1990. Assista ao trailer do filme:



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