Valente trata de temas sérios sem perder a leveza e o bom gosto

Na nova animação da Disney/Pixar, a heroina Merida não está em busca de um príncipe encantado

por Carolina Lenoir 20/07/2012 07:00

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Disney/Pixar/Divulgação
A heroina Merida, com seus cabelos de fogo (foto: Disney/Pixar/Divulgação)
 
Assim que Merida, ainda criança, surge na tela com seus cabelos ruivos incrivelmente reais e irresistivelmente cacheados, o espectador é fisgado. Primeira protagonista feminina de uma animação da Disney/Pixar, a personagem principal de Valente, que estreia nesta sexta-feira, desconstroi estereótipos de princesas de contos de fada que, ironicamente, foi a própria Disney quem ajudou a criar. Impetuosa, despenteada, destemida e apaixonada pela liberdade, seu dilema principal é a relação conflituosa com a mãe, e não um amor aparentemente impossível com um príncipe encantado. 
Veja mais fotos do filme Confira os horários e salas de Valente em BH Merida é filha do rei Fergus e da rainha Elinor, da Escócia, e cresceu aprimorando sua habilidade como arqueira e desafiando a si mesma em aventuras que só são possíveis quando a mãe não está por perto. Afinal, como Elinor faz questão de frisar a todo instante, tudo o que Merida mais preza é exatamente tudo que não se espera de uma princesa. É o fato de a protagonista não se encaixar no papel conferido a ela pela tradição de seu povo que desencadeia a sucessão de fatos que vão lhe exigir valentia e bravura. Mesmo que o espectador não saiba que a direção do filme é dividida entre Brenda Chapman e Mark Andrews – literalmente dividida, já que houve uma troca no meio do projeto –, fica claro que tem “um dedo” feminino na história. Alguns dos conflitos e questionamentos são bem particulares do universo da mulher, mas isso não impede que o público masculino também se identifique com a história; afinal, lutar pela liberdade e união familiar são, antes de mais nada, questões humanas. Por outro lado, em um mundo que não está acostumado a ver mulheres (seja de carne ou de pixels) lutando para fugir de um casamento, já começaram a pipocar comentários sobre a mensagem feminista da animação e até mesmo a orientação sexual de Merida. De qualquer forma, o argumento do filme é mais sério e complexo em relação às outras 11 produções da Pixar e, talvez por isso, a reação da plateia não seja a mesma que em Toy Story 3, por exemplo. Será mais difícil dar uma gargalhada com uma tirada genial ou sair do cinema com lágrimas nos olhos, mas será igualmente difícil ir embora sem a sensação de que valeu a pena. É um filme divertido e comovente, com imagens espetaculares de uma mítica Escócia no século 13. Além disso, a versão dublada ganha pontos extras por contar com vozes de atores conhecidos – Murilo Rosa, Rodrigo Lombardi e Luciano Szafir – e não cantores e apresentadores nitidamente despreparados para a tarefa, como se tornou moda. Até mesmo a cantora teen Manu Gavassi, que gravou duas canções para a trilha sonora brasileira, não incomoda, como muitos poderiam supor.  Pequeno notável Muitos podem achar que as lentes dos óculos 3D estão embaçadas, mas a culpa pela visão meio turva é do emocionante curta-metragem La luna, que antecede Valente, como já é tradição da Disney/Pixar. Conduzida por uma belíssima trilha sonora assinada por Michael Giacchino, a animação tem como protagonista um garotinho que, pela primeira vez, acompanha o trabalho do pai e do avô em um pequeno barco, numa noite escura, até que a enorme Lua surge no horizonte. La luna marca a estreia de Enrico Casarosa como diretor, depois de ter desenhado storyboards para Ratatouille e Up. Assista ao trailer de Valente:


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