Cinema

Quarto filme do Homem-Aranha se inspira na infância do super-herói, que agora mudou de rosto

Andrew Garfield, de A rede social, substitui Tobey Maguire, galã dos últimos três longas-metragens

Walter Sebastião

O ator Andrew Garfield, protagonista de O espetacular Homem-Aranha, ganhou elogios da crítica por sua atuação
Hoje à noite, Belo Horizonte assiste à pré-estreia de O espetacular Homem-Aranha, o quarto filme sobre o mito das HQs, que chega às telas com muitas mudanças. Além de carregar um exagero, a função do adjetivo no título é marcar a nova fase de Homem-Aranha. Não necessariamente nova em conteúdo, mas na forma de contar a história do rapaz dotado de superpoderes. 
 
Depois de três filmes seguidos vestindo a roupa do herói, o ator Tobey Maguire cede o papel a Andrew Garfield, rosto que ficou conhecido como o brasileiro Eduardo Saverin em A rede social. Também com novo diretor – entra Marc Webb (conhecido pela comédia romântica independente 500 dias com ela), sai Sam Raimi –, a trama propõe a volta às origens do herói, quando Peter Parker descobre a maleta que pertenceu ao pai. A busca de explicações sobre o que teria ocorrido com a família leva Parker ao confronto com o vilão Lagarto. 
 
Embora ainda tímido e estudioso, o Peter Parker de Andrew Garfield tem sido elogiado pela crítica internacional, que aprovou a segurança com que o ator assumiu o papel. Até sarcasmo e ironia aparecem nas atitudes do jovem, surpreendido pelos segredos que definem seu futuro como super-herói.
 
Os suspiros em torno do primeiro amor, claro, mantêm-se na aventura. Mas a mocinha mudou: Emma Stone, conhecida por Histórias cruzadas (2011) e Amor à toda prova (2011), vive Gwen Stacy, a primeira garota a conquistar o coração do moço.

Polêmica
 
As mudanças de rota do Homem-Aranha exigirão dos fãs segurar a ansiedade. Motivo: o roteiro foi um dos motivos das desavenças entre o antigo diretor, Sam Raimi, e o estúdio Columbia Pictures, responsável pela produção.
Se a trama continuasse sob as rédeas de Raimi, Peter Parker e Mary Jane (Kristen Dunst) não apenas se casariam, mas teriam uma filha. Como as negociações fracassaram – há especulações de que os salários cobrados eram altos demais –, a contratação de Marc Webb já estabelecia que ele reiniciaria a saga. Ou seja, veremos Peter Parker de novo no colégio.
 
Nada de  espetacular 
 
Espetacular é muito para o novo filme do Homem-Aranha. O trabalho é simpático e romântico, tem bons momentos, mas não vai muito além de novo produto da franquia.
 
Especial, de fato, é a interpretação do ator Andrew Garfield como Peter Parker. Na pele de Homem-Aranha, ele enfrenta a incapacidade da direção de criar climas de suspense, além de efeitos especiais mal-arranjados, malfeitos mesmo.
Esses aspectos esfriam o filme, desacreditam a interpretação do ator e frustram a expectativa de ver algo espetacular: os acrobáticos saltos do herói em 3D.
 
Falta ao filme o que é muito do personagem, aquele humor algo trágico.
 
O charme de Homem-Aranha está mesmo no personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko, nos tipos à volta dele e nas histórias em que se envolve. E nos ótimos desenhistas que fizeram essa figura inesquecível para várias gerações.
O novo filme ambienta o surgimento do herói em 2012, meio século depois de sua estreia nos gibis. A história contínua crível, mais convincente que no contexto dos anos 1960.
 
Stan Lee continua fazendo pontas nos filmes dedicados aos heróis que criou. Um dos momentos mais engraçados é quando ele, como um distraído bibliotecário com fones nos ouvidos, nada vê da pancadaria entre Homem-Aranha e Lagarto, logo atrás. A cena é espetacular.