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Foliões do Bloco do Peixoto capricham nas fantasias para Carnaval de BH

Para acompanhar o crescimento do carnaval de Belo Horizonte os blocos tiveram que aumentar a potência dos trios para que os milhares de foliões aproveitassem o cortejo. Muitos ficam  saudosos dos tempos idos. Mas ainda é possível viver a experiência da retomada da folia na capital mineira, no ano de 2009, quando os blocos ainda bloquinhos reuniam amigos fantasiados em torno de uma bateria. O bloco do Peixoto, um dos mais tradicionais dessa fase de renascimento do carnaval belo-horizontino, mantém o espírito ao realizar o  cortejo pelas ruas do bairro Santa Efigênia. Como ocorreu em outros blocos, os foliões do Peixoto também entoaram gritos contra o presidente Jair Bolsonaro. 

O que torna a experiência única e mantém o sentimento de ainda se estar nos primeiros carnavais é a combinação da potente bateria formada por instrumentos de percussão e sopro e o canto dos foliões, que ao longo de todo trajeto cantam juntos e entoam palavras de ordem.  O repertório  vai de artistas como Michael Jackson a Alceu Valença, tudo no ritmo do Carnaval. A bateria tem regência de Guto Borges, folião que participou do movimento do carnaval político de Belo Horizonte. E emociona tanto pelo ritmo quanto pelo repertório. 

O Bloco do Peixoto tem resistido ao crescimento da folia em Belo Horizonte. Durante o cortejo, os foliões subiram e desceram ladeiras do bairro Santa Efigênia.
Sem trio elétrico, a bateria é o coração do bloco. O resultado é o envolvimento do folião, a voz do Peixoto.O desfile também contou com uma serenata dos foliões mais animados para uma moradora da rua Maranhão, que chegou da janela para ver o bloco passar. Em um dos momentos marcantes do trajeto, os foliões cantaram Carinhoso, de Pixinguinha.

O desfile também contou com uma serenata dos foliões mais animados para uma moradora da rua Maranhão, que chegou da janela para ver o bloco passar.


FANTASIAS

Outro destaque do bloco são as fantasias. De personagens conhecidos a memes da internet, a cada ano os foliões ficam mais criativos na hora de se vestir para a folia. A Chiquinha, personagem do programa Chaves, transmitido pela Alterosa/SBT, também acompanhou o cortejo. A fantasia é de Lúcia Pereira, de 68 anos, foliã que não perde um ano de cortejo do Peixoto.
"Gosto muito da alegria e irreverência do bloco", diz. O administrador Caio Rocha uniu o útil ao agradável e transformou seu 'filho' em copo - Foto: Túlio Santos/EM/DAPress
 
Já o administrador Caio Rocha, de 28 anos, resolveu representar uma "paternidade responsável" neste Carnaval. A fantasia é, antes de tudo, bem prática: um bebê de colo que  também é um copo. Virgínia Purisco e Diego Belo vieram de aias para a folia - Foto: Túlio Santos/EM/DAPress
 
Outro destaque foi o casal que escolheu  a fantasia para denunciar o machismo. Virgínia Purisco, de 31 anos, e Diego Belo, de 36, vieram de "aias" em referência à série The handmaid's tale, que retrata um futuro distópico em que as mulheres são subjugadas. 

O Peixoto também entra no grupo de blocos que defendem a diversidade. “Sou gay e o Peixoto é um bloco hétero e me sinto muito à vontade e seguro. Sei que se alguém mexer comigo haverá mais de 100 para me proteger. É um bloco de família que tem lugar para todo mundo: mulher, negro e gay”, afirma o arquiteto Daniel Costa, de 29, que fez a própria família que ele denominou de “Golden Shower”.

O nome dela é Norma Dias, de 72 anos.
Eu a encontrei no bloco Peixoto.  Ela não perde um ano desde o primeiro desfile de um dos blocos mais tradicionais de Belo Horizonte. “É um bloco familiar muito gostoso que toca marchinhas que todos nós gostamos”, afirmou.  Para acompanhar a folia, ela leva uma cadeira de praia dobrável. Pula, dança e canta um pouco e quando bate o cansaço tem onde se sentar em qualquer ponto do percurso.

 
*Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen

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