Mangueira faz homenagem a Marielle em samba-enredo de 2019

Desfile na Sapucaí vai evocar memória da vereadora assassinada em março de 2018 e de outras figuras

por Diário de Pernambuco 14/10/2018 15:36
Reprodução/Internet
Vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, Marielle foi morta a tiros dentro de um carro no centro do Rio (foto: Reprodução/Internet)
A Estação Primeira da Mangueira anunciou no sábado (14) o samba-enredo do carnaval de 2019. Intitulada Canção para ninar gente grande, a composição promete recontar a história do Brasil a partir de pessoas relacionadas a lutas em prol da liberdade e dos direitos sociais. A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em março, é uma das figuras citadas na letra, composta por Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino. Confira a faixa:

"Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e Malês", cita a composição em um dos versos. A letra foi pensada para dar voz a figuras que geralmente não são lembradas pelos livros de história, como Dandara dos Palmares e Luíza Mahin. "Eu quero o país que não tá no retrato", pontua a letra em outro trecho. 

O letrista Tomaz Miranda comemorou a escolha do samba-enredo em seu perfil no Instagram e dedicou a composição à vereadora, que foi assassinada junto com seu motorista, Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro. "Pela memória de Marielle e por toda luta que está por vir. Muito obrigado a todo mundo que se encontrou com a gente na luta por esse samba", afirmou. 



Canção para ninar para gente grande 

Brasil, meu nego deixa eu te contar; 
A história que a história não conta; 
O avesso do mesmo lugar; 
Na luta é que a gente se encontra. 
Brasil, meu dengo a Mangueira chegou; 

Com versos que o livro apagou; 
Desde 1500, tem mais invasão do que descobrimento. 
Tem sangue retinto, pisado; 
Atrás do herói emoldurado. 
Mulheres, tamoios, mulatos; 
Eu quero o país que não tá no retrato. 

Brasil, o teu nome é Dandara; 
Tua cara é de Cariri; 
Não veio do céu nem das mãos de Isabel; 
A liberdade é um Dragão no mar de Aracati; 

Salve os caboclos de Julho; 
Quem foi de aço nos anos de chumbo; 
Brasil chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e Malês. 
Mangueira, tira a poeira dos porões; 

Ô, abre alas; 
Pros seus heróis de barracões; 
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, Jamelões. 
São verde e rosa as multidões”

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