Bloco do sossego foge do carnaval e BH tem boas opções de diversão

Quem não gosta do carnaval aproveita o feriado na capital mineira para ir ao teatro, ao cinema, a exposições e às (poucas) peças em cartaz na Campanha de Popularização

por Pedro Antunes/Estadão Conteúdo Ana Clara Brant 11/02/2018 20:03
Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

“Acho que quem está aqui não deve gostar muito de carnaval”, conclui o garoto Daniel Godinho, de 13 anos, diante da entrada do Teatro Sesiminas, no Santa Efigênia, na noite do último sábado. “Mas eu gosto de carnaval e gosto de teatro”, diz o menino, que depois de desfilar pelas ruas de Santa Tereza com o bloco Volta, Belchior foi conferir uma das poucas peças da Campanha de Popularização Teatro & Dança em cartaz neste carnaval – Altos e baixos.

Cheio de glitter pelo corpo, Daniel chegou a madrugar para ver o Então, Brilha!, que saiu na Rua Guaicurus. “Este eu não gostei. Mas o Volta, Belchior foi ótimo. E a peça foi melhor ainda.” A prima Marina Delgado, de 13, veio de Juiz de Fora para aproveitar o feriado e estava disposta a conciliar a programação carnavalesca com a agenda cultural. “Dá para ir em tudo. A gente tem pique”, diz ela.

Eles não foram os únicos a assistir, em pleno sábado de carnaval, ao espetáculo protagonizado por Bruno Albertini e Marino Canguçú. A comédia é sobre dois amigos que se encontram para falar das vantagens e desvantagens de ser alto demais ou baixo demais. O Teatro de Bolso Sesiminas, onde a montagem fica em cartaz até o fim do mês, sempre às 19h das sextas e sábados, tem 102 lugares e estava com 80% de ocupação.

O casal de namorados Marcos Coutinho, de 30, e Isabela Prata, de 22, não é fã de carnaval, mas sim do teatro e da Campanha de Popularização. Eles aproveitaram o sábado para conferir Altos e baixos. “Pena que é a única peça adulta em cartaz no feriado”, lamentou Isabela. Marcos contou que, na folia de 2017, fizeram a mesma coisa – fugiram da festa e foram atrás de programas culturais. “A gente deve aproveitar para ir ao cinema também. Está cheio de filmes bons em cartaz”, disse.

Raquel Almeida, de 53, e o marido Othon de Almeida, de 57, têm procurado programas alternativos nestes dias de Momo. Othon admite que já chegou a gostar de carnaval, porém não tem mais a mesma animação de quando era mais jovem. “E hoje os blocos estão muito grandes. É muita gente. Prefiro algo mais tranquilo, como teatro, cinema, um clube. Acho que BH deveria ter mais coisas além do carnaval nesta época, até porque nem todo mundo gosta dessa farra”, comenta.

O casal octogenário Urias Conrado, de 82, e Lucy Conrado Dias, de 87, também optou por ir ao teatro. Saíram do Bairro Sagrada Família e chegaram bem cedo ao Sesiminas. “Já foi o tempo em que a gente aproveitava a folia. Essa foi a melhor coisa que a gente podia fazer neste sábado de carnaval. Teatro é sempre bom”, diz Urias.

Dois casais amigos também fizeram questão de fugir dos blocos. Bruno Leandro, de 39, e Jordana Cristina, de 30, e Rosemary Angélica e Marcelo Dias, ambos de 45, se divertiram com a peça. “Muito mais legal do que carnaval. A gente não gosta dessa muvuca. Se não encontrarmos outra coisa para fazer, vamos para um sítio”, disse Rosemary. Bruno comentou da dificuldade em atravessar a cidade em meio à folia e chegar ao Sesiminas. “Foi-se o tempo em que BH não tinha carnaval. Antigamente, a gente tinha muitas opções de teatro, música, justamente porque não tinha esses blocos. Agora é difícil encontrar alguma coisa. Tem muito museu e casa de show fechados”, lamenta.

TRÂNSITO

Os atores Bruno Albertini e Marino Canguçú levaram 1h30min para chegar ao teatro, e a peça acabou começando com 30 minutos de atraso. Ao fim do espetáculo, eles fizeram questão de agradecer ao público que compareceu mesmo com a cidade fervendo.

O Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), no Cidade Jardim, também é uma opção para quem quer ficar longe de confetes e serpentinas. O espaço abriu no fim de semana, mas agora só retomará suas atividades na quinta (15). Os namorados Cássia Seixas, de 42, e Gustavo Fagundes, de 46, além do amigo Samuel Rocha, de 41, aproveitaram o domingo para passeios mais light, entre eles uma caminhada pelos arredores do museu.

“O único bloco que vou ver é o bloco de motor, já que sou mecânico. Queremos sossego”, afirmou Gustavo, ao lado do seu fiel companheiro Max, um cão da raça boiadeiro australiano. Samuel acrescentou que a programação do feriado vai ser toda dedicada a programas mais tranquilos. “Andar de bicicleta, ver TV, sair com os amigos. Nada de extravagância.”

A família Rezende aproveitou o almoço no restaurante do museu e foi conferir a exposição O desafio cartográfico – Belo Horizonte e a cartografia de uma cidade planejada. “Eu até estou aproveitando o carnaval, mas já que vim aqui para almoçar, decidi ver essa mostra, que é bem interessante”, disse Juliano Rezende, de 46, que levou a mãe, Maria José, de 76. “A exposição é linda. É bom a gente fazer esses passeios. Carnaval só se meu filho me arrastar”, brincou ela.

Outra alternativa off carnaval em BH são as salas de cinema. Os filmes que disputam o Oscar têm atraído quem não curte a festa de Momo e também  foliões. Marcos Neves, de 27, e Carla Azevedo, de 26, vieram de Caratinga para passar o feriado. Além dos blocos, querem outras diversões. “A gente não está nessa sangria de carnaval. Fomos a um bloco um dia, hoje (ontem) decidimos ir ao cinema, já que na nossa cidade não tem, e vamos fazer outros passeios pela capital. Dá para conciliar tudo”, diz o casal de namorados.

A arquiteta Mariana Junqueira, de 34, arrumou uma programação bem agitada, apesar de não ter nada a ver com a folia. Até academia ela deu um jeitinho de frequentar. “Como abriu, aproveitei para fazer uma esteira. Estou indo ao cinema todos os dias neste feriado, porque quero ver os filmes do Oscar. Consegui ir ao Inhotim também, além do clube. Sem contar as maratonas de séries da Netflix. Mas carnaval, tô fora.”

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