Da Cidade Jardim ao Krishna: um pavão que atravessa a história do carnaval de BH

Alegoria usada no desfile do bloco foi presente de uma das mais tradicionais escola de samba da capital

por Renan Damasceno 11/02/2018 16:36
Leandro Couri/EM/D.A. Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Um dos protagonistas do desfile do Pena de Pavão de Krishna, na manhã deste domingo, chegou tímido no banco traseiro de um Uno Way. O pavão, de cerca de dois metros de altura e quase o mesmo de comprimento (com as asas abertas), foi de Contagem à Praça do Cristo, no Barreiro, desmontado, com o corpo de isopor espremido no bagageiro e as asas de madeira, que abrem e fecham como um leque, apoiadas no estofado.

A alegoria vai à frente do PPK desde o primeiro desfile do bloco, em 2013 – e guarda em si algo bastante simbólico sobre a redescoberta do carnaval de Belo Horizonte na última década. Como em um ato de transição do tradicional para o novo, ele foi um presente da Escola de Samba Cidade Jardim, fundada em 1961 e 18 vezes campeã do carnaval de BH, que também tem o pavão como símbolo.

À frente do Pena, o pavão encapado de tecido verde e lantejoulas ganhou um novo significado: representar o animal que, segundo o hinduísmo, entrou em êxtase ao ouvir a doçura da melodia da flauta de Krishna e, como presente, retribuiu o com uma de suas penas. O deus, então, aceitou o presente e passou a tratá-la como um artigo de estimação.

O Pavão já desfilou com a Cidade Jardim e já aguentou  chuva e sol com o PPK: já se exibiu garboso no Floresta, desceu ladeiras no Santa Amélia, Lagoinha e na divisa de BH e Sabará e, no ano passado, trocou a capital por Caeté. Vez ou outra, ganha um retoque no tecido das asas e na decoração.

Ao longo do ano, já morou na casa da Flora Rajão, uma das idealizadoras do cortejo, e atualmente fica na casa da tia de uma integrante do bloco, “que tem um barracãozinho para guarda-lo”, conta Flora.

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