A jornada do motorista que, com apenas 22 anos, conduziu o trio elétrico do Então, Brilha!

Mineiro de Montes Claros, Jorge Luiz dirigiu o caminhão pela Avenida do Contorno na manhã deste sábado

por Renan Damasceno 10/02/2018 14:17
Leandro Couri/EM/D.A. Press
'Tinha 10 anos quando peguei no volante pela primeira vez, no colo do meu pai' (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Da boleia decorada com carpete verde musgo até o teto, garrafas d’água pelo chão e um imenso tapete bordado “meu filho, minha vida” no painel, Jorge observa a distância entre a traseira de seu imenso Volskwagen Constellation branco e a corda de isolamento que o separa dos foliões. Passava das 8h da manhã deste sábado e ele estava diante de seu principal desafio: manobrar, com a destreza e precisão de um regente de bloco, o trio elétrico do “Então, Brilha!” na curva de 90 graus onde a Contorno se encontra com Andradas, no centro de BH.

Foram longos minutos de concentração, olhos grudados no retrovisor, uma mão no câmbio, outra no volante, girando com calma para direita e esquerda. “Tinha 10 anos quando peguei no volante pela primeira vez, no colo do meu pai. Tomei gosto e fui aprendendo devagarzinho para seguir a profissão dele”, conta Jorge Luiz que, com apenas 22 anos, teve a responsabilidade de conduzir o trio elétrico de um dos maiores e mais prestigiados blocos de Belo Horizonte.

A jornada de Jorge começou bem antes da desafiadora curva. Conduziu o caminhão desde Bocaiúva, sede da empresa de aluguel de estruturas de som que trabalha. Na sexta, jantou cedo e dormiu às 20h, para estar de pé às 2h30. Antes das 4h, estacionou o caminhão na Avenida da Contorno, ao lado do viaduto Leste – justamente por causa do tamanho do caminhão e o número cada vez maior de foliões, o Brilha deixou a Rua Guaicurus, embora a concentração e o ritual da bateria tenham se iniciado lá, antes de se encontrar com o trio.

O trabalho – entre curvas, arrancadas e freadas –, tem seus momentos de refresco. De sua cabine com ar condicionado, Jorge assiste ao movimento das dançarinas e se estica para ver até onde vai o interminável espreme-espreme de foliões. Quando Di Souza e a banda param para alguma coreografia ou mensagem especial, Jorge sobe no trio, estica as pernas, joga conversa fora, mas logo volta para a cabine, aguardando o sinal do guia para seguir em frente.

Quando vê uma cena engraçada sentencia: “o carnaval daqui é tudo de bom”, enquanto guia o trio com uma mão no volante e a outra batucando no estofado da poltrona.

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