Até o Carnaval chegar, blocos movimentam a agenda cultural de BH com festas e ensaios

Então, Brilha!, Baianas Ozadas e Havayanas Usadas já começaram a aquecer a bateria para a festa de 2018

por Márcia Maria Cruz 12/01/2018 08:07

Túlio Santos/EM/D.A Press
Havayanas Usadas ensaia aos domingos na Fábrica, no Bairro Prado. (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

A quase um mês do carnaval, os maiores blocos de Belo Horizonte – Então, Brilha!, Baianas Ozadas e Havayanas Usadas – já completaram as baterias e não recebem mais ritmistas. Mas não se desespere. Se você ainda não se juntou a uma delas, é possível cair na folia antes de Momo reinar. Está aberta a temporada de batuque, com ampla programação de ensaios – gratuitos ou pagos – e de festas conjuntas embaladas por blocos foliões.

A empresa que administra o aeroporto internacional de Belo Horizonte lançou um verbete bem-humorado sobre o carnaval na cidade: “O espaço-tempo entre Então, Brilha! e Manjericão, que é precedido pelo pré-carnaval que começa logo após a quarta-feira de cinzas”. E é assim mesmo. Este ano, a temporada foliã oficial será aberta pelo Então, Brilha!, no sábado de carnaval (10 de fevereiro), seguindo até o cortejo do bloco Manjericão, na quarta-feira de cinzas (14 de fevereiro).

 

Na verdade, vários blocos começaram os ensaios no primeiro semestre do ano passado. É o caso do Havayanas Usadas, que se apresenta no domingo (14/1), na Fábrica, e do Angola Janga, que esquenta seus tambores desde abril, com eventos realizados às quintas-feiras, no Viaduto Santa Tereza, e aos domingos, no espaço do bloco Queixinho.

 

 

A bateria do Havayanas está completa, mas os foliões são convidados a acompanhar os ritmistas nos domingos de janeiro. A ideia inicial é cumprir a agenda na Fábrica. Se houver alteração de local, o aviso será dado na página do bloco nas redes sociais, adianta o vocalista Heleno Augusto, criador do grupo.


A bateria conta com cerca de 200 integrantes, que se preparam desde junho. “Tivemos um número alto de inscrições, mas, infelizmente, não há como acolher mais ninguém em 2018”, conta ele.

EP O ensaio funciona como espaço para o bloco apresentar seu trabalho autoral. O Me Beija Que Sou Pagodeiro, por exemplo, aproveita a folia para divulgar seu EP com quatro faixas – duas de Matheus Brant, uma de Leonardo Brasilino em parceria com Renato Rosa, além da releitura do sucesso Lua vai, do grupo Katinguelê.

Os tamborins vão soar nos ensaios do Me Beija no Núcleo de Estudos de Cultura Popular (Necup) e no Mercado Distrital do Cruzeiro. “Ano passado, o Juventude Bronzeada lançou um disco. Este é o caminho natural: o carnaval se estabelecer como relevância artística, não só como entretenimento. As composições deixam um legado para a cidade”, acredita Matheus Brant.

Muitos blocos aproveitam os ensaios para estreitar a relação com as comunidades que os acolhem. É o caso do Tchanzinho Zona Norte. Em 6 de janeiro, os ritmistas animaram a Praça Manoel dos Reis Filho, no Bairro Jaraguá, na Região da Pampulha.

“Fazemos desse ensaio um momento de encontro. Temos que ajeitar a bateria, mas, ao mesmo tempo, a festa nos permite interagir com o pessoal do bairro”, diz o regente Rodrigo Heringer.

“Tentamos manter ao máximo a ideia do início (de não cobrar ingressos). Nos ensaios, passamos o ‘tamborzinho’ do Tchanzinho”, conta Heringer, referindo-se à estratégia de solicitar a colaboração dos foliões para cobrir os gastos do carnaval.

CENTRO
O Garotas Solteiras anima a Praça da Estação às sextas-feiras de janeiro, das 18h às 22h. A bateria conta com 300 músicos. Quem tem interesse em batucar pode se integrar ao grupo durante os ensaios. No entanto, os foliões são orientados a ter bom senso.

“Nossa bateria continua aberta e voluntária, mas lembramos que, ao longo do ano, fizemos nove oficinas gratuitas. Ali, ensinamos nossos 14 ritmos e três chamadas. Nos ensaios, vamos apenas passar o repertório”, informa o grupo em sua página no Facebook.

As oficinas começaram em junho de 2017. “Cada grupo chega a um caminho para colocar o bloco na rua. A gente prefere não cobrar. Carnaval é rua. A gente quer a participação das pessoas”, diz Marcio Gabrich, produtor do Garotas Solteiras.

SERTANEJO Criado por Peu Cardoso e Di Souza – regentes, respectivamente, do Havayanas Usadas e do Então, Brilha! –, o bloco É o Amô adapta para a batucada sucessos do sertanejo nos anos 1980/1990. A festa dos foliões do sertão será realizada nos sábados de janeiro, no Bar Latino, no Bairro Prado. O desfile está previsto para domingo de carnaval.

Túlio Santos/EM/D.A Press
O bloco Angola Janga se propõe a mobilizar a população negra de BH. (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
 

ANGOLA Os ensaios dos blocos conferem vitalidade aos espaços públicos da capital mineira. É o caso do Viaduto Santa Tereza, berço do Angola Janga. “O ano inteiro, temos um trabalho sério e constante com musicalidade. Nós começamos a ensaiar em abril”, informa Nayara Garófalo.

 

Cofundadora do Angola Janga, Nayara preside a Associação de Blocos Afros de Minas Gerais (Abafro-MG). Seguindo outros movimentos de ocupação da área onde fica o viaduto, como o Duelo de MCs, o grupo faz dos ensaios um ponto de encontro da juventude no Centro da cidade.

 

Quinta-feira, o Angola recebe os foliões no point cultural do Hipercentro de BH. “Para um bloco afro, o ensaio se configura de forma ainda mais potente. O Angola Janga nasceu da expectativa de ser um espaço para a população negra da cidade, ainda minoria no carnaval de BH”, diz Nayara. Ela enfatiza que, durante os ensaios, as pessoas negras têm acesso à sua própria cultura e à sua própria história.

 

A Abafro-MG criou o Kandandu – Abraço dos Blocos Afro, evento que abriu o carnaval de BH em 2017. Este ano, a festa está marcada para 9 de fevereiro.

 

Nayara Garófalo ressalta que a diferença do bloco afro em relação aos outros é o fato de ele aproveitar o carnaval para lutar contra o racismo e defender políticas de igualdade racial.

 

Belo Horizonte tem sete blocos afros – alguns, inclusive, atuavam muito antes da retomada do carnaval de rua, em 2009.

 

A bateria e o corpo de baile do Angola estão completos desde meados de novembro. No entanto, é possível participar da festa afro. “Trabalhamos com arranjos por música, dezenas de viradas e cerca de 25 ritmos. Todos os nossos ensaios são abertos e gratuitos”, diz Nayara. O bloco aceita contribuições voluntárias para ajudá-lo a fechar as contas.


AGENDA FOLIÃ

 

» ANGOLA JANGA

• Quintas-feiras, às 19h. Viaduto Santa Tereza, Centro

• Domingos, às 13h. Barracão do Samba Queixinho. Rua Conquista, 254, Bairro Carlos Prates

• Entrada franca

 

» BAIANAS OZADAS/FESTA OZADIA DE VERÃO

• Dia 13/1, das 10h às 22h. Espaço Trevo. Avenida Raja Gabaglia, 5.151, Santa Lúcia

• R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Ingresso social: R$ 25 (na compra de um picolé para ajudar a Apae)

 

» BAQUE DE MINAS

• Dias 14/1, 21/1 e 28/1, às 16h. Viaduto Santa Tereza (ao lado da pista de skate), Centro

• Entrada franca


» CHAMA O SÍNDICO E BARTUCADA/FESTA ALÔ VERÃO

• Dia 13/1, às 22h. O Mercado. Avenida Olegário Maciel, 742, Centro

• A partir de R$ 25

 

» É O AMÔ

• Dia 13/1, das 10h às 13h. Bar Latino. Av. Tereza Cristina, 537, Prado, (31) 3295-0716

• R$ 15

 

» ENTÃO, BRILHA!

• Dias 18/1, 25/1, 1º/2 e 8/2, às 19h. Fábrica. Avenida Tereza Cristina, 295, Prado

• R$ 10

 

» FESTIVAL SENSUALIZE

• Dias 13/1, às 18h, e 20/1, às 18h. Com Unidos do Samba Queixinho, Bloco da Língua, Dread Loko, 

Volta Belchior e Lindo Bloco do Amor. Feira das Tradições Mineiras. Av. Abílio Machado, 3.081, Alípio de Melo

• R$ 10

 

» GAROTAS SOLTEIRAS

• Dias 12/1, 19/1 e 26/1, das 18h às 22h. Praça da Estação, próximo ao Centro de Referência da Juventude, Centro

• Entrada franca


» HAVAYANAS USADAS

• Dias 14/1 e 28/1, às 15h. Fábrica. Avenida Tereza Cristina, 295, Prado

• R$ 10 (em dinheiro)

 

» ME BEIJA QUE SOU PAGODEIRO

• Dias 19/1, 25/1 e 1º/2, às 18h. Mercado Distrital do Cruzeiro, Cruzeiro

• Dias 23/1 e 30/1, às 18h. Necup. Avenida Nossa Senhora de Fátima, 3.312, Prado

• R$ 10 (promocional), R$ 15 (antecipado, 1º lote) e R$ 20 (2º lote)

 

» MONOBLOCO

• Dia 17/1, às 20h. Mercado Distrital do Cruzeiro. Rua Opala, s/nº, Cruzeiro

• A partir de R$ 20 


FESTA SONORIZA
Os blocos Tchanzinho Zona Norte, Havayanas Usadas, Pena de Pavão de Krishna, Juventude Bronzeada e Então, Brilha! organizam a festa Sonoriza, que chega este ano à terceira edição. O evento está marcado para 21 de janeiro, a partir do meio-dia, no Music Hall (Avenida do Contorno, 3.239, Santa Efigênia), com ingressos a R$ 25 (1º lote), R$ 30 (2º lote) e R$ 35 (portaria). De acordo com os organizadores, os recursos obtidos com a venda de entradas serão destinados ao custeio da infra-estrutura dos cortejos (equipamentos de som, trios elétricos, etc.).

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