Desfile do Baianeiros misturou ritmos de Minas Gerais com o axé da Bahia em clima tranquilo

Os instrumentos de percussão, tão comuns na Bahia, fizeram a alegria do público, que se agitou em meio à chuva na tarde de domingo

Roger Dias

Por horas, Belo Horizonte se transformou literalmente em uma autêntica Salvador.
No lugar das marchinhas de carnaval, o axé agitou o Bairro Castelo no bloco Baianeiros, ao som de hits famosos dos anos 1990 de Chiclete com Banana, Asa de Águia, Jammil e Banda Eva. Os instrumentos de percussão, tão comuns na Bahia, fizeram a alegria do público, que se agitou em meio à chuva na tarde de domingo.

Mulheres, crianças e até idosos participaram da festa. Uma sintonia perfeita, sem confusões. Todos vestiam abadás, também como manda a tradição baiana. Na passagem do trio elétrico, uma equipe contratada pela organização orientou o público com segurança. Na terça-feira, o mesmo bloco passará pelas ruas do Buritis, com promessa de maior concentração de pessoas de todas as idades.

E como um bloco com apenas três anos conseguiu crescer rapidamente, chegando ao número de 25 mil foliões? Na visão do músico mineiro Daniel Maestri, que toca há mais de 20 anos, um dos idealizadores do evento, o segredo é justamente a aproximação dos mineiros com a cultura da Bahia, algo que começou há vários anos com o Axé Brasil. “A gente colocou um trio elétrico maior para atender as pessoas e deixar a festa mais bonita.
É a mistura do baiano com mineiro. O mineiro é alegre, sabe sambar e tem muito a ver com o povo baiano. Tem uma irmandade grande. É uma sintonia perfeita”, afirma o vocalista.

Mas não havia somente músicas de axé. A banda adaptou alguns estilos bem conhecidos do belo-horizontino, colocando elementos baianos na festa. Entre os músicos, uma presença ilustre: do baixista Lelo, ex-Chiclete com Banana. “A gente está feliz. Eu sou mineiro, o Lelo é baiano e tem outros instrumentistas de outros estados. Essa união de músicos de diversas partes trouxe essa mistura gostosa do sertanejo de Minas com o axé e o funk, no nosso jeito de tocar, do jeito percussivo e explosivo”, diz Daniel.

Antigo morador do Bairro Castelo, o aeroviário William Abraão, de 53 anos, aprovou a festa: “Não vi briga, a polícia está fazendo sua parte. Eu voltei a me sentir em casa. A presença das famílias inteiras dá um brilho diferente ao bloco. Espero que ano que vem esse clima se mantenha tranquilo e leve”. Neli Chamoni, de 85, também não faltou ao bloco, apesar da chuva: “Não tem idade para curtir o carnaval.”.