Edésio Ferreira/EM/D.A Press
Isabela Bernardes
08/02/2023 21:06
Alguns blocos de rua do carnaval de Belo Horizonte estão anunciando o cancelamento dos desfiles deste ano. Entre os motivos, estão questões de organização interna, falta de patrocinadores e dívidas da folia passada. Os anúncios oficiais começaram a serem feitos nesta semana, por meio das redes sociais de cada grupo.
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Uma das suspensões é do Bloco Los Hermanos, que iria para o 4º desfile em 2023. Segundo o organizador, Diego Franco, a questão principal é a falta de um produtor, além de reestruturações na equipe. "O bloco é composto pela banda Los Otros, que faz cover de Los Hermanos. Tivemos uma reestruturação interna, algumas pessoas saíram, outras entraram, e ficaria diferente do que foi no último carnaval, já que são outros arranjos, diferentes das apresentações habituais da banda. Então, precisaríamos de muitos ensaios para encaixar tudo. Mas a maior dificuldade é a falta de produtor, que faz a parte logística".
"A pessoa que fez a produção em 2020 saiu, toda a equipe foi mudando durante a pandemia e quem continuou, ainda teve que conciliar outros projetos durante 2022. Chegamos a procurar produtores e saber se alguém se interessava em entrar, tentar um financiamento coletivo, mas não deu. Nesse intervalo, perdemos o tempo de inscrever para o edital da PBH. Avaliando tudo isso, decidimos fazer uma pausa para reorganização e retomar em 2024", explica.
O Bloco Alcova Libertina também anunciou o cancelamento do desfile pelo Instagram e, para o organizador Bruno Leal, 'sair na raça' não seria uma opção neste ano, já que os custos do desfile ficaram elevados demais. "Nosso bloco nunca foi patrocinado por ninguém, esse é o problema do carnaval de BH como um todo. Claro que existe a licitação por parte da PBH, mas isso não cobre todos os gastos. É muito difícil manter uma estrutura parada por dois anos, como foi agora na pandemia. Os desfiles que fizemos na raça, por conta própria, foram muito bonitos, mas deram problemas. Queremos ter boa vontade, mas também um bom som", diz.
O som é um problema neste carnaval, devido ao custo dos trios elétricos, que chegaram a dobrar de preço, desde 2020. Blocos que usavam carros grandes tiveram ainda mais dificuldade para encontrar e pagar pela estrutura, como aconteceu com o Alcova. "Orçamos o mesmo carro da última vez, um trio gigante, ele era cerca de R$ 20 mil e agora passou para R$ 45 mil", exemplifica Bruno Leal.
O bloco Ordinários também cancelou o desfile e fez um anúncio oficial nesta segunda (6/2). Entre os motivos, o organizador Jean Morbeck, também destacou o aumento dos preços. "O nosso patrocinador parceiro não conseguiu vender as cotas de propaganda para os interessados, portanto não conseguimos cumprir a folha, já que está tudo muito inflacionado. O trio elétrico teve o reajuste maior, cerca de 15% a 20%, pesou muito. Falando de valores, aumentou cerca de R$ 10 mil, o mesmo trio que usamos em 2020", diz.