Lançado livro póstumo de crônicas da jornalista Déa Januzzi

A obra estava em fase de edição quando do falecimento da jornalista e escritora. Em homenagem à mãe, Gabriel Januzzi manteve a data, dia de seu aniversário

Elian Guimarães 21/11/2020 15:04
Leandro Couri/DA Press-EM
Gabriel manteve a data de seu anivesário, definida por sua mãe Dea Januzzi, para lançamento da obra (foto: Leandro Couri/DA Press-EM)
Foi lançado no início da tarde deste sábado (21), o livro 'Olhem para as Estrelas', da jornalista Déa Januzzi, falecida em 4 de novembro. A data foi mantida pelo filho Gabriel, que aniversaria no mesmo dia. Amigos e admiradores da obra de Déa, que nos últimos anos escrevia na coluna 'Coração de Mãe', no Estado de Minas, lotaram a Livraria da Rua, na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte para homenageá-la.

Foi Dea quem selecionou as crônicas do volume. O editor Leonardo Costaneto, da Editora Caravana, pensou em adiar o lançamento, mas o filho da jornalista, Gabriel, decidiu realizar o desejo da mãe e manter o cronograma.

“Ela me deixou uma consciência social e espiritual muito forte, é uma honra ter sido seu filho”, disse Gabriel Januzzi. “Com o poder da palavra, ela semeou o amor pelo humano. Foi uma árvore que deu muitos frutos e deixou muitas sementes espalhadas.”

Colaboradora da seção Pra não dizer que não falei de crônicas, recém-criada pelo Jornalistas de Minas, Déa Januzzi é autora de outro livro de crônicas, Coração de Mãe, publicado em 2003. Ela era muito querida pelos colegas e pelos leitores. Suas crônicas eram muito apreciadas e suas reportagens de cunho social, publicadas no jornal Estado de Minas, no qual trabalhou durante quase quatro décadas, tiveram grande repercussão.

Filha do ex-jogador Guará, um dos grandes craques da história do Atlético e que dá nome a um dos mais importantes prêmio futebolísticos de Minas, Déa Januzzi afirmou-se profissionalmente pela qualidade dos seus textos, conquistando admiradores dentro do jornal no qual ingressou como revisora, depois de se formar em jornalismo pela UFMG, em 1974.

“Déa nunca abandonou a utopia”, observa a jornalista Maria Cristina Bahia, autora do prefácio do livro e colega de Déa na universidade. Ela conta que, para ambas, o curso era mera formalidade burocrática no caminho que pretendiam seguir: escrever para mudar o mundo violento e opressor.

“Escrever é a coisa mais revolucionária que eu fiz”, escreveu Déa uma vez, lembra Cristina, acrescentando que ela “ultrapassou as amarras da escrita jornalística e partiu corajosamente para as crônicas, com o incentivo sempre reconhecido do jornalista, escritor e amigo Roberto Drummond”. “Derrubou todos os muros que estavam em seu caminho.”

Em um de seus últimos trabalhos, no Canto da Rua, um coletivo que começou assistindo a população em situação de rua durante a pandemia, ela descreveu seu reencontro com a esperança de viver um mundo possível.  Em 'Sonhos ressuscitados', ela fala de Cristina Bove, integrante da pastoral nacional da rua e da equipe: "Conhecer Cristina Bove e a equipe de trabalho da Rede Humanitária Canto da Rua Emergencial foi um toque na estrela. Até que, enfim, o meu mundo se desintoxicou, apesar do coronavírus. Como se olhasse no espelho da alma e enxergasse os sonhos sendo restaurados pelos melhores artífices. Estavam todos ali, guardados dentro de mim, mas cobertos de poeira e mofo. Foi como ressuscitar os sonhos pisoteados, como se a luz interna se acendesse outra vez. Uma espécie de farol iluminando o caminho de um mundo mais humano, de uma economia fraterna, da argamassa da vida, da sustentabilidade do ser."

MAIS SOBRE ARTES-E-LIVROS