Poema ilustrado mostra a destruição da floresta a fogo e motossera

'O corte e a chama', de Leo Cunha e Paulo Rea, aborda a ameaça ao equilíbrio ambiental representada pelo desmatamento e pelas queimadas

Mariana Peixoto 01/10/2020 04:00
Reprodução
O ilustrador Paulo Rea desenhou uma visão do perigo pela perspectiva dos animais (foto: Reprodução)
“Resta da floresta/um vago futuro,/largo campo, sem cor/e sem fruta”, diz um trecho do poema. “O fogo não escuta/Ruge feroz, brasa bruta/Cumpre o que promete,/não devolve o que destrói”, diz outra parte. O leitor pode ler tais versos da maneira que quiser, já que eles integram dois poemas narrativos de um mesmo livro, lançado em edição espelhada.  

Melhor explicando: o infantojuvenil O corte e a chama (editora Pulo do Gato), com poema de Leo Cunha e ilustrações de Paulo Rea, trata de duas graves e urgentes questões ambientais – o desmatamento e as queimadas – que trazem uma trágica consequência: a destruição da fauna, da flora e dos povos das florestas.

“No ano passado, participei de uma mesa-redonda sobre literatura e meio ambiente com o (escritor e cientista político) Sérgio Abranches. Ele falou de como as queimadas e o desmatamento por corte são duas forças destruindo as matas. No meio da fala dele, me veio um click de pensar em um poema duplo, em que cada parte faria paralelo com um dos lados”, conta Leo Cunha.

Ao apresentar o texto à editora Márcia Leite, ela veio com a sugestão de incluir no projeto as ilustrações de Paulo Rea. O trabalho dele é de ilustrações em marcheteria. “Ele é muito envolvido com ecologia e faz tanto móveis (em madeira sustentável) quanto ilustrações. (Para as ilustrações) Vai cortando pedacinho por pedacinho e, no desenho no papel, vai colando, quase que como um quebra-cabeças”, explica Cunha.

ANIMAIS 

O texto ganha outra dimensão com as ilustrações de Rea, que não reproduzem as cenas descritas pelo poema. São animais – macacos, onças, pássaros – que surgem com um semblante que parece o de um grito, chamando a atenção para a destruição de seu hábitat.

“Elas criam quase que uma metáfora, mostrando a coisa da tensão e perseguição”, avalia Cunha. Como a edição é espelhada (e os dois poemas são totalmente simétricos), há duas capas, uma referente ao corte e outra à chama. Basta virar o livro de cabeça para baixo para ter acesso à outra narrativa

Como são duas partes de um mesmo todo, no meio da edição há o encontro da narrativa, por meio das ilustrações. “A ideia é que as duas coisas, fogo e corte, vão se prensando até se encontrar no meio”, diz Cunha

O CORTE E A CHAMA
De Leo Cunha e Paulo Rea. Editora Pulo do Gato, 40 páginas, R$ 44,10 (Valor de pré-venda no site da editora. Até 11 de outubro, a compra inclui 
kit com sementes e postal sobre árvores nativas brasileiras).

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