O adeus do polêmico Christo

Artista plástico morreu no último domingo

Estadão Conteúdo 02/06/2020 07:22
Niklas HALLE'N/afp
O artista búlgaro Christo em junho de 2018, em frente à sua obra The Mastaba, no Hyde Park, em Londres (foto: Niklas HALLE'N/afp)

O artista plástico Christo, famoso por suas criações baseadas em monumentos como a Pont Neu, em Paris, na França, e o Reichstag, em Berlim, morreu no domingo, aos 84 anos, segundo informaram seus colaboradores em sua conta oficial do Facebook. Nascido Christo Vladimirov Javacheff, na Bulgária, ele "faleceu de causas naturais em sua casa em Nova York."

Polêmico, Christo, além de ter embrulhado com plástico o Reichstag, em 1995, “plantou” 3.100 guarda-chuvas na Califórnia e no Japão. Circundou várias ilhas na Flórida com um tecido rosa flutuante, além de envolver a Pont Neuf sobre o Rio Sena, em Paris, em 1985.

O artista e sua mulher e parceira, a francesa Jeanne-Claude, fizeram uma megainstalação no Central Park de Nova York. Eles coloriram o parque localizado no coração da cidade de laranja, como querem uns, ou de açafrão, como querem outros, para contrastar com as árvores nuas e o tom cinza de Manhattan. O trabalho foi realizado no Brooklyn, onde o casal de autores vivia há quatro décadas.

Christo formou com Jeanne-Claude um dos casais mais midiáticos da arte contemporânea. "Christo viveu sua vida plenamente, não apenas imaginando o que parecia impossível, mas percebendo. O trabalho de Christo e Jeanne-Claude reuniu pessoas com experiências compartilhadas de todo o mundo, e seu trabalho é perpetuado em nossos corações e nossas memórias", escreveram seus colaboradores na mensagem.

Nascido em 13 de junho de 1935, em Gabrovo, Christo fugiu em 1956 em um trem de mercadorias. Escapou do regime comunista e do realismo soviético ensinado na Faculdade de Belas Artes de Sofia.  Em 1958, conheceu Jeanne-Claude, que morreu em 2009.  O artista se estabeleceu em Nova York e obteve a cidadania americana.  Seu último projeto em preparação, o envoltório do Arco do Triunfo, na capital francesa, anunciado como um dos eventos mais espetaculares do outono, teve que ser adiado por um ano devido à epidemia de coronavírus.

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