Noite de duplo lançamento reúne mergulho histórico e ficção

O Rio de Janeiro efervescente está no livro Metrópole à beira-mar, que Ruy Castro lança em BH. No mesmo evento, Heloisa Seixas autografa A noite dos olhos, com contos inéditos

Augusto Pio 03/12/2019 06:00
Daniel Bianchini/Divulgação
Ruy Castro lança Metrópole à beira-mar, e Heloisa Seixas, A noite dos olhos, reunindo contos (foto: Daniel Bianchini/Divulgação)
A atmosfera do Rio de Janeiro entre o carnaval de 1919 e a Revolução de 1930 inspiram Metrópole à beira-mar, que o escritor Ruy Castro lança hoje, em Belo Horizonte. Ele estará ao lado da escritora e mulher, Heloisa Seixas, que traz seu A noite dos olhos também para lançamento, ambos pelo projeto Sempre um Papo. Castro mergulha nos acontecimentos de um breve período na então capital brasileira, enquanto Heloisa volta às formas curtas, que marcaram sua estreia na literatura, e com este volume de contos inéditos explora diferentes narradores, estilos e cenários para retratar situações ora cotidianas, ora inesperadas.

Metrópole à beira-mar traz reconstituição histórica da era de ouro carioca, entrelaçando eventos políticos e culturais à trajetória dos personagens – os lembrados e os esquecidos –, que fizeram e mudaram a história. “O que me levou a escrevê-lo foi a constatação de tantas pessoas extraordinárias da cultura brasileira que viviam no Rio de Janeiro naquela época e, o melhor, produzindo coisas importantes e modernas”.
Castro destaca muitas figuras de expressão, como Roquette Pinto, Lima Barreto, Manuel Bandeira, Di Cavalcanti, Cecília Meirelles, Procópio Ferreira, Bidu Saião, Murilo Mendes, Orestes Barbosa, Carmen Miranda e Villa-Lobos, entre tantos outros. “O livro trata de todas as pessoas importantes que estavam vivas e ativas naquela época, muitas delas jovens ainda, que vivenciavam o Rio de Janeiro dos anos 1920”, orgulha-se o mineiro de Caratinga, radicado na Cidade Maravilhosa.

Ele lembra que o lugar era então uma cidade em convulsão na imprensa, literatura, música popular, ópera, teatro, artes plásticas, cinema, caricatura, praia, ciência, arquitetura, futebol, na luta das mulheres, costumes, sexo e drogas. Essa capital fervilhante, de vanguarda, está retratada no livro de Castro.

A noite dos olhos é uma reunião de contos que confirma pleno domínio literário de Heloisa. “O primeiro livro que lancei, há 25 anos, era de contos. Depois, publiquei uns seis romances, embora tenha feito durante muitos anos uns 10, na soma dos diferentes veículos, os Contos mínimos, um espaço que eu tinha na Folha de S.Paulo e no Jornal do Brasil. Eram contos ou crônicas, uma mistura dessas duas coisas”, lembra.

COMPILAÇÃO 

Ela conta ter feito várias compilações. “Escrevi vários e juntei com outros que já haviam saído em antologias, mas nunca em um livro meu. Assim, nasceu A noite dos olhos.” Diz que encontrou algo curioso ao reuni-los, percebendo muita coisa em comum, o que a apresentação trata de realçar. “Há uma constante, uma atmosfera meio de mistério, meio sombria, não muito explicada, e há sempre olhos, portas, velhos, gatos, sombras, lama, água. São coisas que aparecem e eu própria me surpreendi com essa constância nas minhas obsessões. E se o leitor pegar o primeiro livro que escrevi, perceberá essa coerência de atmosfera”, garante.

Sempre Um Papo
Com Heloisa Seixas e Ruy Castro. Terça-feira (3), às 19h30, na Biblioteca Pública Luiz de Bessa – Praça da Liberdade, Funcionários, (31) 3269-1166. Entrada franca. Informações: (31) 3261-1501

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