Maria Helena Andrés e fotógrafos movimentam a agenda de artes visuais em BH

Uma série de exposições integrantes do Circuito de Arte 10Contemporâneo serão abertas em Belo Horizonte neste sábado (5)

05/10/2019 10:48
Dirce Korbes/Divulgação
A exposição Vento Sul, na CâmeraSete, reúne trabalhos de 31 fotógrafos dessa região do país, selecionados pelos mineiros João Castilho e Pedro David (foto: Dirce Korbes/Divulgação)

A partir deste sábado (5), Belo Horizonte recebe uma série de exposições artísticas que abarcam diferentes expressões criativas. No Teatro da Cidade, a homenagem é para a obra de Maria Helena Andrés, que, aos 97 anos, não para de criar. A CâmeraSete – Casa de Fotografia de Minas Gerais apresenta a mostra Vento Sul, com composições fotográficas de representantes do Sul do Brasil. Dentro do circuito 10Contemporâneo, Ciça Castello expõe na Lemos de Sá Galeria e o trabalho de Patricia Gouvêa ocupa a galeria Murilo Castro.

Maria Helena Andrés – Colagens e serigrafias reúne parte da produção recente da artista, que começou sua carreira em 1940, época em que frequentou o Instituto de Arte de Alberto da Veiga Guignard, na capital mineira.
 
Ela atua nos caminhos das artes visuais, da educação, da literatura e discursa ainda sobre o intercâmbio cultural entre Brasil e Índia. Com curadoria de Pedro Paulo Cava, a mostra exibe uma série de cinco colagens e 13 serigrafias, frutos da produção mais atual, realizada a partir de 2017.
 
A exposição ficará em cartaz até o próximo dia 26. Com as colagens, a artista remete à pintura de sua fase construtivista, essencialmente na década de 1950, e as serigrafias são releituras das colagens, em reproduções criadas pelo ateliê Papel Assinado, de Pedro Paulo Mendes, de São Paulo. São preponderantes a vitalidade da cor e o ritmo das formas.
 
“Agora, cada cor é recortada e colada na folha de papel. Não existe mais a pintura, mas a cor construída sobre o papel”, diz Maria Helena. Sua performance artística toma novos contornos, muito devido ao esforço físico que alguns trabalhos demandam, o que agora se apresenta como uma dificuldade para ela. 
 
“A partir da virada do milênio, senti uma necessidade de mudança. Trabalho mais concentrada e sem ficar em pé. Cheguei a uma forma artística mais adequada às circunstâncias da vida naquele momento. Agora,  retorno ao construtivismo sensível. É como uma volta às origens, ainda que a exposição não seja uma retrospectiva. Para mim, a arte é importantíssima não só como profissão, mas como uma extensão da arte de viver”, diz Maria Helena. Para a abertura, neste sábado (5), das 11h às 13h, está prevista a apresentação do documentário Maria Helena Andrés, arte e transcendência, dirigido por Evandro Lemos da Cunha. 

A mostra Vento Sul é realizada pelo projeto Foto em Pauta, uma extensão do Festival de Fotografia de Tiradentes. Até janeiro de 2020, a CâmeraSete sedia a mostra, que é resultado de um processo de curadoria feito em percurso por cidades do Sul do Brasil. Entre iniciantes e profissionais, são 31 artistas de Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, que, em seu conjunto de imagens, perpassam três eixos centrais. 

O primeiro institui uma relação com a pintura; o segundo fala sobre intimidade, com o autorretrato e retratos de familiares e amigos; e o terceiro se volta à natureza e paisagens, rurais e urbanas, quando mais se percebe o regionalismo.
 
“Neste ano, foram convidados para a curadoria do projeto os fotógrafos mineiros João Castilho e Pedro David. Eles percorreram algumas regiões e chegaram a um total de 100 portfólios, com foco na fotografia autoral. A mostra explora discursos da fotografia e processos de criação fotográfica, como o analógico, o digital, o artesanal, além de intervenções e vídeos”, diz Uiara Azevedo, gerente de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado, que é parceira na realização do Foto em Pauta. 

Dentro da agenda do 5º Circuito de Arte 10Contemporâneo está a exposição de Ciça Castello, sua primeira individual. Em Talante, a artista, que há 20 anos é produtora de elenco, apresenta uma diversificação de seu trabalho. Há algum tempo, a fotografia se tornou um outro fazer artístico. A exposição ganha a Lemos de Sá Galeria de Arte, até 26 de outubro.
 
“Com a fotografia, busco algo próximo da pintura. Quando comecei e fotografar, também tinha a vontade de pintar, mas com a pintura não conseguia representar meu olhar. Com a fotografia encontrei a expressão da minha arte, meu olhar para o mundo”, conta Ciça. O título da mostra, um sinônimo para ‘escolha’, é uma referência a fazer as coisas conforme o próprio desejo. “As fotos não têm um foco tão objetivo, tão realista. São uma tentativa de desvendar uma nova imagem dentro da imagem apresentada”, explica a artista de 48 anos, nascida no Ceará. 

Experiência

Ciça já viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo e hoje reside em Casa Branca, condomínio na região de Brumadinho. Muito de sua obra, conta ela, parte da experiência nos lugares por onde passou. Entre frestas, reflexos, dobras, texturas, tons, sombras e contrastes, suas imagens unem Amsterdã, Paris, Lisboa, Havana, Rio de Janeiro e Inhotim. “Minha arte é uma forma de existir em um momento difícil de existir”, diz Ciça.
 
Na lista do circuito está ainda a exposição solo da artista visual Patricia Gouvêa, na Galeria Murilo Castro, que vai até 16 de novembro. Sobrevida é o resultado de uma pesquisa que ela desenvolve desde 2017, quando participou de uma residência artística na Amazônia, chamada Labverde. “Minha obra é focada na interseção arte, natureza e ciência. Fala sobre a resiliência da natureza, como resiste em meio a um processo crescente de destruição, os modos que encontra para tentar renascer”, descreve Patricia.

Em sua opinião, a arte tem o papel de abrir a reflexão sobre o tempo em que vivemos. “É um despertar para o problema ambiental. Parece algo longe, mas a vida nas cidades está atrelada à questão da preservação”, afirma. Patricia expõe uma série com criações em fotografia, vídeo, objetos e textos, resultado de um trabalho in progress.

Além do laboratório na Amazônia, quando a artista carioca esteve na Reserva Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), e no Parque Nacional de Anavilhanas, a exposição agrega novas obras concebidas em vivências em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, em 2018, e em passagens pelo Deserto do Atacama (Chile), pelo Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Goiás) e por Brumadinho, após a tragédia ambiental ocorrida pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, neste ano.

Patricia adicionou imagens redescobertas de seu acervo, como as que foram registradas em 2007 em Siem Reap, no Camboja. “Até quando insistiremos num olhar antagônico em relação às nossas coberturas verdes? Até quando vidas não valerão nada? Essa é uma indagação sobre a coisificação crescente da natureza”, diz.

MARIA HELENA ANDRÉS – COLAGENS E SERIGRAFIAS
No Teatro da Cidade (Rua da Bahia, 1.341, Centro), de segunda a sexta, das 14h às 19h. Até 26/10. Mais informações: (31) 3273-1050. Entrada franca.

VENTO SUL
Na CâmeraSete – Casa de Fotografia de Minas Gerais (Avenida Afonso Pena, 737, Centro). De terça a sábado, das 9h às 21h, e domingos, das 16h às 21h. Até 11 de janeiro de 2020. Mais informações: (31) 3236-7400. Entrada franca.

TALANTE
Obras de Ciça Castello. Na Lemos de Sá Galeria de Arte (Rua Germano Chati, 171, Mangabeiras). Abertura neste sábado, das 11h às 17h. Visitação de segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 11h às 14h. Mais informações: (31) 3261-3993. Entrada franca.

SOBREVIDA
Obras de Patricia Gouvêa. Na Galeria Murilo Castro (Rua Benvinda de Carvalho, 60, Santo Antônio). De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 14h. Até 16/11. Mais informações: (31) 3287-0110. Entrada franca.

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