Lançamentos literários contam grandes histórias para pequenos leitores

Chegam às livrarias um guia introdutório ao Diário de Anne Frank, com a contextualização do período histórico em que a garota judia viveu, e um relato dos amores da mitologia grega, ambos voltados ao público infantojuvenil

por Nahima Maciel 21/09/2019 04:00
Huck Scarry/Anne Frank House
Ilustrações do livro Tudo sobre Anne usam perspectiva que procura aproximar o leitor da menina (foto: Huck Scarry/Anne Frank House)

Publicado pela primeira vez há 72 anos e hoje com mais de 30 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, o Diário de Anne Frank é fonte inesgotável de produtos – de HQs, livros e séries a peças de teatro e documentários. Agora, é a vez de responder às perguntas das crianças. Produzido pelo museu Casa de Anne Frank e com ilustrações de Huck Scarry, o livro Tudo sobre Anne leva a assinatura de Menno Metselaar e Piet van Ledden, responsáveis pelo texto que destrincha o dia a dia da menina alemã no esconderijo no qual sobreviveu por dois anos, antes de ser capturada pelos nazistas e morta em um campo de concentração.

O projeto foi pensado como uma introdução ao universo de Anne, com texto e ilustrações destinados a crianças a partir de 9 anos. A ideia de Metselaar é que seja um livro anterior ao diário. “Para muitas crianças, o Diário é um pouco difícil de ler, por isso fizemos esse livro”, diz. “Ele fala da história da Anne, dá informações sobre o contexto histórico e tenta responder às muitas questões que as crianças possam ter.” As perguntas foram coletadas na própria Casa de Anne Frank, em Amsterdã.

Além de fotos, Tudo sobre Anne tem uma série de ilustrações que ajudam o leitor a compreender a estrutura do local e o dia a dia de seus habitantes. Huck Scarry conta que se deparou com três grandes desafios ao se debruçar sobre as ilustrações. “Elas tinham que ser o mais historicamente corretas possível, e eu queria tratar os personagens com respeito. Apesar da atmosfera claustrofóbica e limitada do conjunto, eu queria fazer ilustrações que fossem atraentes de serem vistas”, afirma. “O que espero é que os leitores sejam transportados para a atmosfera densa do apartamento e que possam ter uma ideia do que Anne estava sentindo enquanto estava lá. Também tentei fazer um retrato de Anne como qualquer jovem de hoje.”

O livro tem início alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial, quando Anne completa 10 anos. Entremeado à história da menina e de sua família, originariamente alemã, o autor contextualiza, em linguagem bem simples, os fatos que levaram o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), comandado por Adolf Hitler, ao poder, e explica as regras impostas para discriminar a população judia alemã. Diante do perigo, Otto Frank decidiu emigrar com a mulher, Edith, e as filhas, Margot e Anne, para Amsterdã (Holanda).

A primeira parte de Tudo sobre Anne é concentrada nos anos que antecederam a decisão do pai da menina de levar a família para o esconderijo. Aos poucos, e com muitas fotos, Metselaar conta como a invasão da Holanda pelo exército alemão deteriorou a condição de vida dos judeus no país. A vida no que Anne chamava de Anexo Secreto é parte do livro, mas o texto avança sobre o que aconteceu com a menina depois que a família foi descoberta, as condições de vida nos campos de concentração de Auschwitz e Bergen-Belsen, nos quais Anne ficou detida, o fim da guerra e a decisão do pai, único sobrevivente, de publicar o diário.

Para aproximar o leitor do contexto, Scarry desenha Anne Frank de costas. Foi uma opção para criar a sensação de proximidade com a personagem, como se o observador estivesse no mesmo ambiente e olhasse ao redor com os olhos da menina.
 
TRÊS PERGUNTAS PARA...
MENNO METSELAAR,
escritor
 
Qual a importância de falar sobre nazismo em uma época em que ideias neonazistas retornam com força?
É nossa tarefa aprender com a história, com o que aconteceu durante o Holocausto e com a Segunda Guerra Mundial e inspirar as pessoas a agir contra o antissemitismo, a discriminação e o preconceito. Otto Frank, o pai de Anne, disse: “Nós não podemos mudar o que aconteceu. A única coisa que podemos fazer é aprender com o passado e entender o que significam a discriminação e a perseguição das pessoas”.

Como a história de Anne Frank pode nos ajudar a compreender os dias de hoje?
O diário de Anne ainda inspira pessoas por todo o mundo. Por um lado, há o nível individual. Apesar de tudo, Anne descobriu seu talento e encontrou uma maneira de lidar com a terrível situação na qual se encontrava. Por outro lado, há um quadro maior. Anne era uma das 1,5 milhão de crianças judias assassinadas durante o Holocausto. Nós sempre temos que ser cuidadosos ao desenharmos paralelos fáceis entre aquela época e hoje, mas, tragicamente, vemos que os mesmos mecanismos ainda existem. Pessoas sendo executadas, políticos criando noções de “eles e nós”, e por aí vai...

Por que essa história tem tanto apelo até hoje?
O diário de Anne foi publicado em mais de 70 línguas e é famoso em todo o mundo. As descrições de Anne do tempo em que ficou escondida no Anexo Secreto, seu poder de observação e de autorreflexão, seu medo, suas esperanças e sonhos ainda causam uma profunda impressão em jovens leitores ao redor do mundo. Por meio do diário, as pessoas começam a aprender sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, e podem entender o que significa ser excluído e perseguido. Depois de todos esses anos, o diário de Anne ainda tem uma relevância contemporânea.

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 Tudo sobre Anne
Menno Metselaar e Piet van Ledden
Ilustrações: Huck Scarry
Companhia das Letrinhas (40 págs.)
R$ 49,90





Divino amores 


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Ilustração de Mateus Rios para o capítulo "Eros e Psique"do livro Grandes amores da mitologia grega, que será lançado hoje em BH


Em cada página, uma história de amor. Não qualquer amor. São deuses que protagonizam os romances narrados por Dad Squarisi e Linda Goulart no livro Grandes amores da mitologia grega, voltado ao público juvenil e que será lançado neste sábado (21) em Belo Horizonte, com a presença das autoras, a partir das 10h, na livraria Quixote.

"Os deuses não são diferentes dos humanos. Têm as mesmas características, boas e más. São generosos e caridosos como os homens e se apaixonam. Cada história guarda encantos. A mitologia contribui para educar as pessoas, soltar a imaginação, a criatividade, até para entender a vida. Muito do que vivenciamos se relaciona com a mitologia. Os deuses são nossos arquétipos, nossas essências”, diz Dad Squarisi, colunista do Estado de Minas.

Em 11 capítulos, o leitor acompanha os amores de Apolo, o mais belo do Olimpo, como a paixão não correspondida por Dafne, que prefere se transformar em um loureiro para fugir do deus, o que termina por originar a máxima "os louros da vitória". Ou do pastor Narciso, que se encanta com a própria imagem. Consta do livro também o amor do deus dos mortos, Hades, por Perséfone, filha da deusa Deméter, senhora da terra cultivada, que fez nascer o inverno e o verão.

Outra das histórias aborda os mistérios do labirinto do Minotauro, morto por Perseu. Os romances entre Orfeu e Eurídice, Psique e Eros também são contados pelas autoras. "A ideia é mostrar como a mitologia grega interpreta o universo. E fazemos isso por meio de histórias de amor, adaptando a linguagem para a faixa etária entre 11 e 12 anos. Quando o livro entrar no programa do MEC, vamos acrescentar um tutorial para mostrar aos professores como trabalhar o conteúdo com os alunos", diz Linda Goulart.

Escolas


A obra foi selecionada pelo Ministério da Educação (MEC) para integrar o Programa Nacional do Livro Didático em 2020, quando será distribuída para as escolas públicas para alunos dos anos finais do ensino fundamental no Brasil. Em uma época em que meninos e meninas prestes a viver a adolescência se deparam cada vez mais com formas de expressão calcadas na tecnologia, o desafio é mudar o assunto e gerar encantamento por relatos mitológicos envolvendo deuses e humanos, que muito querem dizer. “E é uma leitura fácil, agradável, bem-humorada”, diz Dad. No livro, histórias curtas e leves mostram relações que nem sempre têm final feliz, mas nunca com passagens de violência.

Dad é natural de Beirute, no Líbano, tem 73 anos e mora em Brasília desde 1968. Com formação em letras pela Universidade de Brasília (UnB) e mestrado em teoria da literatura pela PUC de Porto Alegre, tem 25 livros publicados, em diferentes áreas, entre língua portuguesa, redação profissional, saúde e uma série infantil de fábulas. É editora de opinião do Correio Braziliense e assina a coluna Dicas de Português, publicada atualmente por mais de 20 jornais, incluindo o Estado de Minas. Por mais de 10 anos, assinou uma coluna de língua portuguesa voltada para leitores mirins, na qual abordou, entre outros assuntos, a história de deuses e heróis que contribuem para o enriquecimento do léxico português. "Assim surgiu o livro", conta.

Linda, nascida e criada em Belo Horizonte, tem 72 anos. Viveu por um período em Brasília, e a amizade com Dad é antiga – ingressaram juntas em um curso na Itália, no setor de negócios internacionais, em 1990. Linda é coautora de outros livros sobre negócios internacionais e internacionalização de empresas, áreas para as quais se voltou depois de se graduar em comunicação social.

"O intuito desse livro é mostrar para a meninada de hoje um pouco do passado. Afinal, é uma civilização de tamanha importância para a nossa formação, nossa arte, nossa história, nossa vida. Somos impactados pela civilização grega. São personagens que contam muito sobre nós", diz.

Ao final da obra, uma apresentação didática surge pelo desenho de uma árvore genealógica dos deuses referidos no livro, que também contempla a correspondência de seus nomes com os romanos, além de um glossário sobre alguns termos menos usuais. Mateus Rios assina as ilustrações.


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 Grandes amores da mitologia grega
Dad Squarisi e Linda Goulart
Editora Elementar 
(64 págs.)
R$ 40
Lançamento neste sábado (21), a partir das 10h, na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi), com a presença das autoras

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