No Fire Festival, Mauricio de Sousa se diz preocupado com censura no Brasil

Durante apresentação em Belo Horizonte, cartunista disse que episódio envolvendo recolhimento de HQ na Bienal do Rio lembrou a ditadura militar

por Helvécio Carlos 13/09/2019 17:47

Helvécio Carlos / EM
Mauricio criou uma versão da Mônica "ao vivo", no Palácio das Artes (foto: Helvécio Carlos / EM)
Uma das estrelas do segundo dia do Fire Festival, que termina neste sábado (14) no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, o cartunista Mauricio de Sousa disse ter ficado preocupado com a censura do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), que mandou recolher uma HQ na Bienal do Livro (Vingadores: A Cruzada das Crianças) por causa da imagem de um beijo entre dois personagens masculinos.

 

“Me lembrou muito quando ia a Brasília submeter os roteiros da Turma da Mônica à censura. Fiquei preocupado vivendo momento parecido”, ponderou. “Mas as reações fortes e contrárias mostraram que não é por ai”, disse.

 

Confira o vídeo:

 

Mauricio de Sousa fez uma palestra que emocionou a plateia. Bem humorado, fez um teste: “Quem leu a Turma da Mônica na infância levante a mão? Agora esperem que vou fazer a foto para colocar no meu Instagram”, disse, divertindo o público, que lotou o Grande Teatro do Palácio das Artes e, em peso, levantou as mãos.

O criador da Mônica ainda fez duas ilustrações de seus personagens. “Horácio é o que eu continuo fazendo. Dizem que é meu alter ego”, contou, falando sobre o tiranossauro rex. Mônica também ganhou uma versão sem Sansão, o coelho famoso. “Hoje ela está calminha”, disse, enquanto desenhava uma flor nas mãos de sua mais célebre personagem.

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