Rodrigo Albert mostra fotografias e vídeo na exposição Terra prometida

Mostra é fruto de sua longa pesquisa sobre fé, religião, culpa e liberdade em prisões brasileiras e mexicanas

por Walter Felix 06/12/2018 08:40
Rodrigo Albert/Divulgação
(foto: Rodrigo Albert/Divulgação)



O fotógrafo mineiro Rodrigo Albert leva os presídios brasileiros e mexicanos para as paredes do Palácio das Artes. Uma ampla pesquisa do artista sobre o sistema carcerário, que inclui esculturas e um vídeo, fica em cartaz até fevereiro na PQNA Galeria Pedro Moraleida. Temas como fé, religião, liberdade e culpa se manifestam em trabalhos realizados entre 2002 e 2015, e agora recebem o nome de Terra prometida.

O cotidiano de violência em Contagem, onde viveu na juventude, aguçou o interesse do fotógrafo sobre o tema. “Em meu bairro, convivia com muitas gangues de rua e cheguei a ver amigos serem presos”, lembra Albert. Partiu do Tribunal de Justiça de Minas Gerais o convite para registrar o dia a dia dos centros de Reintegração Social, projeto apoiado pela Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), que dá maior liberdade e autonomia aos detentos.

Nas visitas às unidades de Itaúna, Nova Lima e Santa Luzia, nasceu o desejo de desenvolver um projeto de autor dentro de um tema que julgava amplo e autêntico. “Pedi autorização para fotografar presídios comuns. Cheguei a registrar o início do sistema de tornozeleiras eletrônicas, que hoje estão na moda”, brinca o fotógrafo.

ENCARCERADO “As primeiras idas foram complicadas. Eu era um estranho, então, não chegava perto deles e vice-versa. Fui me aproximando de um e outro, fazendo minhas fotos artísticas e outras para que eles pudessem dar às famílias. Assim, conquistei o meu espaço”, conta Albert.

Em 2010, o artista se propôs o desafio de passar dois finais de semana encarcerado. A experiência – tenebrosa, à primeira vista, mas com a qual ele acabou se habituando com o passar dos dias – foi motivada pela necessidade de imersão naquele universo. “Foi uma mistura de juventude, empolgação e vontade de fazer algo totalmente diferente. Também tenho minhas culpas, que inconscientemente me levaram a isso. Hoje, aos 43, talvez não o fizesse.”

Segundo o fotógrafo, um dos sentimentos mais recorrentes entre os detentos é justamente a culpa – da qual não se eximem enquanto não pagam suas dívidas com a sociedade. “É um sentimento muito relacionado à pena que recebem. O criminoso pode pedir desculpa à vítima, ou mesmo fugir da penitenciária, mas não há como fugir da culpa que carrega na mente.”

RELIGIÃO A fé foi outro elemento que se repetiu em sua observação dos presídios. No Brasil, há um culto às figuras e simbolismos católicos. Já no México, para onde o fotógrafo partiu em 2015, os presos são devotos da Santa Morte, venerada por narcotraficantes e rechaçada como santa pela Igreja Católica. Nos dois países, as histórias ouvidas e os desenhos nas paredes revelam ao artista semelhanças, como a adoração à morte, ao amor e ao sagrado.

O sincretismo religioso surge nas fotografias de forma orgânica. Não houve qualquer predisposição do artista em dar atenção especial à fé dos detentos, ainda que ela apareça em boa parte da obra. O conceito de Terra prometida, que dá nome à mostra, fala tanto da promessa de vida eterna em um plano superior quanto do mundo que aguarda os detentos após cumprirem suas penas.

As fotografias são marcadas por uma profusão de cores, que contrastam com a representação habitual dos presídios, quase sempre sombrios. “Extraí o mundo em que eles vivem: o mesmo, colorido, em que vivemos”, afirma Albert. “Trabalho com mais imagens mais claras, até porque o sistema carcerário prega o desenvolvimento do ser humano. Não poderia optar pelo lado escuro desses ambientes, pois não estaria em acordo com os propósitos da Apac, que deu início ao projeto”, avalia.

TERRA PROMETIDA
Exposição de Rodrigo Albert. PQNA Galeria Pedro Moraleida. Palácio das Artes, Av. Afonso Pena, 1.537, Centro. (31) 3236-7400. Terça a sábado, das 9h às 21h; domingo, das 16h às 21h. Até 3 de fevereiro. Entrada franca.

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