Humoristas do Choque de Cultura levam para livro a linguagem do programa

A intenção de '79 filmes pra assistir enquanto dirige' foi escrever para todo tipo de público, inclusive o que nunca assistiu ao programa

por Nahima Maciel 28/11/2018 08:30
TV Quase/Divulgação
(foto: TV Quase/Divulgação)


Schwarzenegger se cansa da matança e vai morar em Visconde de Mauá com a filha. Free Willy é a história de uma baleia infeliz e Te pego lá fora, um documentário que mostra a questão da violência na escola de um jeito errado. RoboCop poderia ser um musical e E.T. – O extraterrestre é apenas mais uma história sobre um pet que dá um trabalho do cão. O olhar enviesado faz dos personagens do programa Choque de cultura críticos um tanto duvidáveis e é nesse detalhe que os oito humoristas responsáveis pelo roteiro e pela atuação apostam em 79 filmes pra assistir enquanto dirige.

A linguagem das críticas é a mesma desenvolvida por Caíto Mainier, Daniel Furlan, Leandro Ramos, Raul Chequer na pele dos personagens Rogerinho, Renan, Julinho e Maurílio no programa no qual motoristas de van comentam os filmes de Temperatura máxima. O mesmo tipo de humor serve de base e nenhum texto escapa ao absurdo que dá o tom do programa. “A gente sempre escreveu”, conta Leandro Ramos. “Antes de atuar, todo mundo escrevia e a gente já tinha vontade de fazer um livro, mas não tinha parado pra pensar que livro, como seria isso e tal.” Ramos lembra que, na época em que fazia o programa Larica total, no Canal Brasil, em parceria com Caíto, os dois escreveram um livro, mas o material nunca chegou a ser publicado.

Para 79 filmes pra assistir enquanto dirige, os atores e humoristas contaram também com a participação dos roteiristas do Choque de cultura. David Benincá, Fernando Fraiha, Juliano Enrico e Pedro Leite participaram da escrita em um trabalho colaborativo. Ramos conta que, no início, a ideia era fazer algo na linha de roteiros ou talk shows assinados pelos personagens. Os quatro críticos do programa são inspirados em motoristas de vans e gostam, principalmente, de comentar filmes de ação. “Depois, achamos que não era isso e viemos com essa ideia de ser crítica de filme. Cada piloto escreveria sua crítica”, diz Ramos.

Foi, também, uma maneira de se libertar um pouco de uma programação, já que o Choque de cultura precisa seguir a lista de filmes programados pela Globo. Na seleção dos humoristas, entraram, além dos filmes de ação que são a cara do programa, alguns cults como Tudo sobre minha mãe, Edward Mãos de Tesoura, O encouraçado Potemkin e O iluminado. “Achamos que seria engraçada a visão deles sobre um filme cult”, explica Ramos. A lista foi então distribuída e os humoristas ficaram encarregados de, além da crítica, escrever uma pequena autobiografia. Os roteiristas participaram com interferências nos textos dos personagens, além de produzir algumas críticas coletivas.

A intenção era escrever para todo tipo de público, inclusive o que nunca assistiu ao programa. “A gente tenta dar uma cara meio de Choque ao livro. Por exemplo, o Choque tem muito a coisa das vinhetas meio malucas, então a gente incorporou isso no livro. Tentamos colocar as brincadeiras e tem sempre o recado final do Renan, que é um piloto preocupado em trazer uma boa informação no recado final”, avisa Ramos. Ele queria que o público do programa reconhecesse a linguagem do vídeo, mas também se preocupou em tornar o material inteligível para quem não acompanha o Choque de cultura.

A única coisa que ficou de fora foram os silêncios e as expressões dos personagens, impossíveis de serem reproduzidos em livro. “O vídeo tem uma coisa do tempo morto, tem aquele momento das notas baixas, quando o Renan ou o Julinho falam a maior das barbaridades com uma sinceridade tão grande e com um sorriso muito tranquilo. Muito do humor do Choque está nisso. E isso, para colocar no texto, é um pouco mais difícil porque tem muito do jeito de falar e tal. Mas acho que rolou”, constata Ramos.

CHOQUE DE CULTURA: 79 FILMES PRA ASSISTIR ENQUANTO DIRIGE
•  De Caíto Mainier, Daniel Furlan, Leandro Ramos, Raul Chequer, David Benincá, Fernando Fraiha, Juliano Enrico e Pedro Leite
•  Galera
•  240 páginas
•  R$ 37,90

['__class__', '__cmp__', '__contains__', '__delattr__', '__delitem__', '__dict__', '__doc__', '__eq__', '__format__', '__ge__', '__getattribute__', '__getitem__', '__gt__', '__hash__', '__init__', '__iter__', '__le__', '__len__', '__lt__', '__module__', '__ne__', '__new__', '__reduce__', '__reduce_ex__', '__repr__', '__setattr__', '__setitem__', '__sizeof__', '__str__', '__subclasshook__', '__weakref__', 'clear', 'copy', 'fromkeys', 'get', 'has_key', 'items', 'iteritems', 'iterkeys', 'itervalues', 'keys', 'pop', 'popitem', 'request', 'setdefault', 'update', 'values', 'viewitems', 'viewkeys', 'viewvalues']

MAIS SOBRE ARTES-E-LIVROS