Ana Beatriz Barbosa lança livro sobre borderline, 'Mentes que amam demais'

Publicação é um guia para entender e lidar com o transtorno. Autora participa de bate-papo nesta terça-feira (2), pelo projeto Sempre um Papo, em BH

por Walter Felix 02/10/2018 14:00

Sandra Lopes/Divulgação
Ana Beatriz é autora do best-seller 'Mentes perigosas' (foto: Sandra Lopes/Divulgação)
Em seus livros, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva aborda, sempre com linguagem acessível, os transtornos que acometem a mente humana. Ela é autora de best-sellers como Mentes perigosas (2008) e Mentes consumistas (2014). Para escrevê-los, transportou para o papel a experiência adquirida em consultório. Agora, a carioca lança Mentes que amam demais – O jeito borderline de ser, tema do Sempre um Papo desta terça-feira (2).

Nesse novo trabalho, a autora se debruça sobre o transtorno de personalidade borderline, que acomete 2% da população mundial. Ela lista quatro características que marcam esses pacientes: instabilidade de humor, alterado por qualquer tipo de frustração ou leitura de rejeição; tendência a relacionamentos íntimos muito conflituosos; baixa autoestima – apesar de uma série de qualidades, principalmente cognitivas; impulsividade, com agressões decorrentes, não por indiferença afetiva, mas, ao contrário, pelo pavor da rejeição.

“O borderline apresenta uma autopercepção distorcida. Ele não se vê inteiro, mas com um vácuo emocional muito grande, pois só sente que existe quando está conectado a outra pessoa. Convive com uma amputação afetiva, que gera um sofrimento muito grande”, descreve Ana Beatriz.

A psiquiatra atenta para que não se confunda o transtorno borderline com a bipolaridade. “O bipolar apresenta a alternância de humor duradoura. São bem marcados os tempos de depressão profunda e de euforia. No caso do borderline, há uma instabilidade emocional que pode se manifestar várias vezes ao dia, quase sempre ligada a acontecimentos externos.”

PSICOPATIA Segundo Ana Beatriz, o funcionamento cerebral de um borderline é totalmente distinto do de um psicopata. “Um age pela razão; o outro pela emoção. O psicopata faz uma perversidade de forma extremamente planejada, maquiavélica. Um pedófilo, por exemplo, não vai estuprar uma criança em praça pública. Há todo um planejamento para fazer aquilo.”

A impulsividade é uma das marcas da personalidade borderline, o que dificulta as relações interpessoais desses pacientes. “Quando flagra o parceiro em um ato que supõe ser uma traição, o borderline já lê como uma traição. A reação poderá ser agressiva, mas não planejada, pois está ligada ao seu descontrole emocional. Quem convive tem com frequência a sensação de ‘pisar em ovos’. Primeiramente, vem a emoção, totalmente reativa, seguida de um arrependimento, algo que o psicopata não tem”, aponta.

Para a autora, o livro poderá auxiliar tanto quem sofre do transtorno quanto quem convive com pessoas assim. “Caso não se tenha o entendimento das emoções do borderline, pode-se pensar que a pessoa não tem consideração por ninguém. Mas todo esse destempero é sinônimo de desespero e medo de rejeição”, esclarece Ana Beatriz.

Dois capítulos de Mentes que amam demais tratam do diagnóstico do transtorno na adolescência e da possibilidade de que traços já se manifestem durante a infância. Quando criança, o borderline já demonstra maior dependência dos pais e uma tendência à teatralidade, com reações extremadas diante de determinadas situações. “Evita-se, por convenção, dar o diagnóstico antes dos 8 anos. Quando criança, há sinais, que não são tão certos, mas que valem a pena ser investigados para que não venha a sofrer de forma tão dramática na fase adulta. Mas o transtorno começa a ficar eclodido e exposto na adolescência, quando a pessoa se depara com a primeira grande paixão”, afirma a autora.

INSPIRAÇÃO Na noite desta terça (2), Ana Beatriz participa de debate sobre a mente humana como inspiração literária. Ela observa que a arte, da literatura ao cinema, sempre se interessa pelo tema, ainda que sem o intento de se aprofundar na psique. “O que nos interessa é o comportamento dos personagens e aqueles que saem da curva costumam chamar mais a atenção”, afirma.

A psiquiatra se aventurou pela ficção com o livro Janelas da mente (2017), formado por 12 contos baseados em relatos de consultório – como a relação de um neto com o avô que sofre de Alzheimer e a reação de uma mulher, extremamente consumista, ao descobrir que seus artigos de luxo são frutos de trabalho escravo. Os direitos do livro foram negociados para uma adaptação cinematográfica. Em 2019, Ana Beatriz deve lançar Mentes compulsivas, no qual pretende abordar diversas dependências: drogas, sexo virtual, trabalho e até o vício em seduzir.

Ela vê na curiosidade em torno da psique a razão para o sucesso de seus livros – ao todo, somam mais de 2 milhões de cópias vendidas. “O comportamento humano é muito complexo, não é uma matemática simples e objetiva. É sempre caracterizado por influências sociais, culturais, genéticas e até bioquímicas, além de fatores como fé e transcendência”, diz. A linguagem simples e objetiva também garantiu a popularidade das publicações, na opinião da autora. “Nunca quis escrever livros científicos, e sim tornar o conhecimento sobre a mente humana algo mais acessível. Quando comecei a escrever, em 2001, o fiz como se estivesse na sala de visitas, conversando com meus amigos.”

MENTES QUE AMAM DEMAIS – O JEITO BORDERLINE DE SER
• De Ana Beatriz Barbosa Silva
• Principium
• 240 páginas
• R$ 39,90
• Lançamento nesta terça-feira (2/10), às 19h30, no Auditório da Cemig. Rua Alvarenga Peixoto, 1.200, Santo Agostinho. (31) 3261-1501. Entrada franca.

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