'A versão do pai', de Maurício Lara, encerra trilogia sobre a trajetória de uma mesma família

Romance do jornalista mineiro conta a história de um milionário corrupto e respeitado pela sociedade, encerrando as obras dedicadas ao clã Rocha

por Walter Felix 15/09/2018 09:00

Fernando Rabelo/divulgação
Maurício Lara diz que personagem se deixou corromper,'o que pode acontecer com qualquer um' (foto: Fernando Rabelo/divulgação)

A versão do pai, novo romance de Maurício Lara, encerra a trilogia em que o autor narra, a partir de diferentes personagens, a trajetória da mesma família. O primeiro título, O filho corrupto (2015), mostra as descobertas de um professor depois da morte de seu pai, empresário envolvido em esquemas escusos. O jardim de Leocádia (2017) acompanha os conflitos do clã sob a ótica da matriarca. O terceiro, que será lançado na manhã deste sábado (15), na Livraria Ouvidor, traz o rico e corrupto patriarca Rubens Rocha como personagem central.

“Quando escrevi O filho corrupto, achava que já era uma história completa”, revela o autor, que, inicialmente, não tinha em mente dar continuidade à trama. “A matriarca era muito ligada às flores. De repente, veio a ideia de escrever sobre o jardim de Leocádia, no sentido metafórico, em alusão a tudo o que ocorria à volta da personagem. Quando concluí O jardim de Leocádia, pensei: e o vilão, não vai falar nada.? Assim surgiu o terceiro livro, que completa a história dessa família sob diferentes prismas”, diz Lara.

Em A versão do pai, acompanhamos a trajetória de Rubens Rocha da infância até ele se tornar o pouco ético, mas respeitado, homem de negócios. O autor lança um olhar sensível sobre uma figura quase sempre demonizada: o corrupto.

“Algumas poucas pessoas que já leram disseram: estou com medo de gostar dele”, conta Maurício Lara. “Rubens não é um político, é o cara que precede a corrupção da política. É alguém que se corrompeu, o que pode acontecer a qualquer um”, observa.

Humanizar Rubens não impede que ele seja classificado como vilão. “Em nenhum momento tento justificar a trajetória ou o mau comportamento do personagem. Como qualquer ser humano, ele tem qualidades e defeitos, mas não há desculpa para seus atos. Ele permanece vilão por questões objetivas. Mostro que mesmo os vilões são humanos e que nada relativo ao homem é inverossímil”, diz o escritor.

TRILOGIA “O primeiro livro nasceu da tentativa de mostrar como as coisas se dão. Quis pôr aquele filho como um personagem importante. Ele não se interessava pela vida do pai. Era o completo oposto dele. Poderia ser considerado o fraco, enquanto o pai seria o forte, mas isso é colocado em dúvida ao longo das histórias”, explica. Só depois de concluído O filho do corrupto o autor percebeu que, dentro da casa em que vivem os Rocha, há versões e olhares diferentes sobre os mesmos fatos.

Pai, mãe e filho têm personalidades totalmente opostas. Nos romances dedicados a cada um, o autor mantém o tom dramático, mas destaca diferenças nos estilos das três publicações. “São livros paralelos, apenas com pontos em comum. O terceiro traz um viés mais psicológico, é mais profundo no entendimento do personagem principal”, diz Maurício. “Minha tendência é falar sobre a luta do bem e do mal dentro do ser humano. É o que me instiga.”

Jornalista, Maurício revela que os 35 anos de carreira ajudaram o seu processo criativo. Hoje, longe das reportagens, ele guarda memórias dos tempos em que trabalhou com política e atuou como assessor de comunicação de candidatos.

Ramalhete/divulgação
(foto: Ramalhete/divulgação)
“Toda a minha experiência no jornalismo é acompanhada de um turbilhão de histórias e personagens que conheci. Ao escrever, misturo a ficção com fragmentos da realidade. Quando jornalistas escrevem ficção, a maior dificuldade é justamente romper com o real”, explica. A experiência permitiu, em seu novo livro, falar com propriedade sobre o enriquecimento de empresários brasileiros e a relação destes com o poder.

“Senti necessidade de escrever o terceiro livro para tratar da incompletude do ser humano. Acredito que a história se encerra aqui”, afirma Maurício. O autor já pensa em um novo romance, situado em outro contexto. “Tenho nove livros publicados, esse é o sexto romance. Cinco foram escritos de 2015 pra cá. Não há mais jeito de parar”, brinca.

A VERSÃO DO PAI
•  De Maurício Lara
•  Editora Ramalhete
•  192 páginas
•  R$ 40
•  Lançamento neste sábado (15), a partir das 10h30. Livraria Ouvidor. Rua Fernandes Tourinho, 253, Savassi. (31) 3221-7473

['__class__', '__cmp__', '__contains__', '__delattr__', '__delitem__', '__dict__', '__doc__', '__eq__', '__format__', '__ge__', '__getattribute__', '__getitem__', '__gt__', '__hash__', '__init__', '__iter__', '__le__', '__len__', '__lt__', '__module__', '__ne__', '__new__', '__reduce__', '__reduce_ex__', '__repr__', '__setattr__', '__setitem__', '__sizeof__', '__str__', '__subclasshook__', '__weakref__', 'clear', 'copy', 'fromkeys', 'get', 'has_key', 'items', 'iteritems', 'iterkeys', 'itervalues', 'keys', 'pop', 'popitem', 'request', 'setdefault', 'update', 'values', 'viewitems', 'viewkeys', 'viewvalues']

MAIS SOBRE ARTES-E-LIVROS