Casa Fiat inaugura na quarta-feira a exposição São Francisco na arte de mestres italianos

BH recebe telas de Tiziano, Giotto, Guido Reni, Guercino e oferece um painel da representação do santo na arte

por Mariana Peixoto 04/08/2018 08:00

Museo di Roma/Divulgação
Estandarte de Guido Reni que mostra São Francisco recebendo os estigmas (na parte frontal) e pregando (no verso) integra a sala Os estigmas, uma das quatro em que está dividida a exposição (foto: Museo di Roma/Divulgação )

Um dos mais populares e adorados santos da Igreja Católica, São Francisco de Assis (1182-1226) é também um dos religiosos mais presentes na arte mundial. A iconografia do fundador da Ordem Franciscana teve início pouco após a sua morte – ele foi canonizado pelo papa Gregório IX apenas dois anos depois de morrer.


“Se pensarmos que São Pedro (século 1 a.C.-67 d.C.) viveu mais de 10 séculos antes de São Francisco, ele teve mil anos a mais para ser representado. E São Francisco é um dos mais representados da Igreja”, comenta Stefano Papetti.
O historiador e conservador italiano, diretor da Pinacoteca Civica Di Ascoli, assina, ao lado do também historiador Giovanni Morello (da comissão de tutela dos monumentos da Santa Sé) a curadoria da exposição São Francisco na arte de mestres italianos, que será aberta ao público nesta quarta (8), na Casa Fiat de Cultura.


A mostra, inédita no Brasil, reúne 20 pinturas dos séculos 15 ao 18 pertencentes aos acervos de 15 museus de sete cidades italianas – depois de BH, a exposição irá para o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
A estrela da coleção é San Francesco riceve le stimmate (São Francisco recebe os estigmas, de 1570), de Tiziano. Obra de três metros de altura por quase dois de largura, foi pintada pelo mestre veneziano aos 80 anos – Tiziano morreu aos 90. “Ela é quase grande demais para a sala, então será uma ótima oportunidade para apreciá-la, já que o público ficará muito próximo da tela. Tiziano não desenhava, pintava diretamente na tela. O quadro é um grande exemplo da pintura impressionista dele”, comenta Papetti.


A pintura integra o segundo e mais importante dos três núcleos da mostra, dedicado aos estigmas. Francisco de Assis é considerado o primeiro cristão a ser estigmatizado – ter as marcas como as chagas de Jesus Cristo na cruz.
É com o núcleo Imagens que a exposição tem início. São quatro telas – o destaque é um São Francisco de Guercino da primeira metade do século 17 – que mostram a figura nas artes renascentista e barroca em sua primeira fase de representação. “Logo após a morte dele, a Ordem Franciscana entendeu a importância de se desenvolver uma iconografia que expressasse uma vida simples. Nesta primeira parte, você o vê sempre sozinho, com vestes típicas e acompanhado da Regra (o livro em que ele escreveu as leis para os frades). Ali, ele está sendo representado sempre com uma figura pequena”, observa Papetti.


O núcleo seguinte, Os estigmas, reúne 12 obras. Além da tela de Tiziano, a sala da Casa Fiat é tomada por um estandarte de 1629 de Guido Reni. Na parte frontal do quadro, São Francisco recebe os estigmas; na tela posterior, ele aparece pregando. Foi Giotto (1267-1337) quem revolucionou a iconografia do santo, tirando de cena a figura magra e sofrida e mostrando um rosto angelical, mesmo que sempre com as vestes simples.


Por fim, a última sala, Conversações sacras, reúne quatro telas que expressam a terceira fase da representação do santo. “É um período muito representado, pois ele está acompanhado de outros santos, como a Virgem Maria e Santo Antônio de Pádua”, afirma o curador.


A interpretação de Giotto para a vida de São Francisco está na parte interativa da exposição. Óculos de realidade virtual permitem que o visitante conheça a Basílica Superior de Assis. Iniciada em 1228 e inaugurada em 1253, a igreja traz uma das obras-primas do pintor – afrescos que mostram 28 episódios da vida de São Francisco. Para quem quiser uma visão menos imersiva, há um vídeo que apresenta a história da basílica, com um modelo único em todo o mundo, onde o santo está sepultado.

RETOMADA Com São Francisco na arte de mestres italianos a Casa Fiat pretende retomar a agenda de grandes exposições. Inaugurada há 12 anos no Belvedere, ela trouxe a BH mostras muito importantes que foram levadas a outras instituições brasileiras: O mundo mágico de Marc Chagall – O sonho e a vida (2009); Rodin, do ateliê ao museu (2009); Roma – A vida e os imperadores (2011); e Caravaggio e seus seguidores (2012), esta recorde de público, com 175 mil visitantes.
Desde 2014 no antigo Palácio dos Despachos e integrante do Circuito Cultural Praça da Liberdade, a Casa Fiat, à exceção de sua exposição inaugural, Barroco Itália Brasil – Prata e ouro, não trouxe mostras e artistas de igual peso. “No momento em que superamos as dificuldades conjunturais, voltamos à nossa atuação de sempre. Espero que haja uma continuidade e já temos entendimentos para outra exposição. A intenção é sempre trazer uma mostra primeiro para Belo Horizonte e, depois, eventualmente, a levarmos para outra cidade”, afirma o presidente da Casa Fiat, José Eduardo de Lima Pereira.

 

SÃO FRANCISCO NA ARTE DE MESTRES ITALIANOS
De 8 de agosto a 21 de outubro, na Casa Fiat de Cultura, Praça da Liberdade, 10, Funcionários, (31) 3289-8900. Visitação de terça a sexta, das 10h
às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Entrada franca.

Pinacoteca Civica/Ascoli Piceno/Divulgacao
San Francesco riceve le stimmate (1570, óleo sobre tela), de Tiziano Vecellio (foto: Pinacoteca Civica/Ascoli Piceno/Divulgacao )
 

PASSEIO COMPLETO
Confira a programação paralela à mostra

 

>> Palestra – Na quarta (8), às 19h30,
o curador Stefano Papetti ministra a palestra
“A iconografia de São Francisco na arte do
período medieval ao barroco”. Haverá tradução simultânea. Entrada franca, sujeita à lotação do espaço (200 lugares)

>> Visitas mediadas – De terça a sexta
serão realizadas visitas mediadas em
10 horários diários (das 10h às 19h30).
São 30 pessoas por visita. Agendamento:
(31) 3289-8910. Durante a visita, haverá
atividades especiais (divididas por faixa etária)
para crianças, jovens e adultos

>> Percursos temáticos – Nos fins de semana
e feriados haverá três visitas (10h30, 14h, esta também em inglês, e 16h30) que vão abordar
a biografia de São Francisco e a iconografia.
São 30 vagas por horário e as inscrições devem
ser feitas 15 minutos antes de cada atividade.
>> Minicursos – A iconografia franciscana será abordada num curso nos dias 28 a 30 de agosto, das 19h às 21h, para o público em geral. Já um curso, de 18 a 20 de setembro, também das 19h às 21h, será voltado para professores. São 30 vagas (por curso) e as inscrições devem ser feitas no site www.sympla.com.br

>> Além da Casa Fiat – Em 23 de setembro,
haverá, depois da visita à mostra, um passeio
até a Igreja São Francisco de Assis. O transporte
é gratuito (alimentação não está incluída)
e são 30 vagas por passeio.

>> Acessibilidade e inclusão – A exposição tem visita mediada em libras e audiodescrição ao vivo.

>> Sem selfie – Nas visitas aos domingos, das 10h às 12h, não será permitido fotografar dentro da galeria. A ideia é dar ao visitante um momento de contemplação sem interrupções.

 

 

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