Fliaraxá encerra sua segunda noite com samba de Calixto e sertão de Rosa

Série de encontros marcou a quinta-feira em Araxá. Música e literatura vão até domingo

por Mariana Peixoto 28/06/2018 23:25
Frankli Caldeira
Aline Calixto homenageou Clara Nunes no Fliaraxá (foto: Frankli Caldeira)
Araxá – É literatura, mas é música também. Aline Calixto encerrou a segunda noite do Fliaraxá. Com show em homenagem a Clara Nunes, a cantora, acompanhada de Thiago Delegado no violão de sete cordas e Robson Batata na percussão, interpretou clássicos como Guerreira, Você passa e eu acho graça, Conto de areia e Morena de Angola.
 
Com a proximidade do fim de semana, o movimento do evento, no Grande Hotel, vem crescendo. Boa parte dos 120 convidados do festival chegou na cidade. Marcelo Rubens Paiva, Márcia Tiburi, Humberto Werneck, além de Marina Colasanti e Ana Maria Machado, as duas homenageadas desta edição, já estão em Araxá.
 
E os dois patronos do evento, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, voltaram à pauta dos debates. Encerrando os encontros de leitores e escritores, José Miguel Wisnik (que nesta sexta-feira faz show com o músico Kristoff Silva) e Wander Melo Miranda se reuniram, também nesta noite, para o debate “Um sertão chamado Brasil”.
 
Melo Miranda, que prepara biografia de Graciliano, comparou os sertões dos dois autores. Enquanto o de Rosa é 90% identificável, o de Vidas secas, “é um espaço espectral, de desolação, sem localização geográfica.”
 
Também no salão Minas Gerais, o principal do evento, os autores Luiz Ruffato e Gonçalo M. Tavares conversaram sobre questões comuns a suas obras: memória e exílio. O autor português falou sobre diferentes tipos de exilados. “Os exilados de sua própria terra, que são os refugiados; os exilados domésticos, que sofrem violência dentro de casa; e os exilados de sua própria língua”, disse Tavares, cujo livro mais conhecido, Jerusalém (2004), reúne histórias de diferentes espaços temporais que abordam sofrimento e loucura.
 
Ruffato falou que tanto os exilados domésticos quanto os da língua perpassam seus livros. De uma família de colonos de origem italiana que vivia em Rodeiro, na Zona da Mata, Ruffato comentou que a política da língua na Ditadura Vargas – que proibiu que imigrantes falassem sua própria língua – deixou traços em sua família.
 
“Por medo, minha avó parou de falar. E ela não falava italiano, mas um dialeto do Veneto. Como não falava mais publicamente, só conversava com os filhos quando não havia ninguém por perto”, contou Ruffato.
 
A repórter viaja a convite da organização do evento

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