Minas Tênis promove palestra e leitura de textos de Rubem Braga

Jornalista e escritor José Castello participa de evento nesta terça (19) sobre o cronista capixaba. Trechos de sua obra serão lidos pelo ator Arildo de Barros, do Galpão

por Walter Felix 19/06/2018 08:32
ARQUIVO EM
Rubem Braga em 1986 (foto: ARQUIVO EM)
Expoente da crônica moderna brasileira, Rubem Braga
(1913-1990) terá sua obra celebrada nesta terça-feira (19), no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. O evento contará com palestra do escritor e jornalista carioca José Castello e leitura de textos com o ator Arildo de Barros, do Grupo Galpão. “Tivemos grandes cronistas, como Nelson Rodrigues, Clarice Lispector e Drummond, mas nenhum deles fixou o gênero de uma forma tão bem-acabada como o Braga”, avalia Castello, estudioso do legado do capixaba.


“Caracterizo a obra do Rubem Braga em dois aspectos: seu lirismo e sua capacidade de grudar a crônica à vida cotidiana. Ele fixou a crônica como um gênero sobre a vida, com textos sobre o cotidiano, o homem comum, as pequenas coisas e a miudeza do dia a dia”, afirma. “Até a primeira metade do século 20, comentários, críticas de arte ou qualquer outro tipo de texto eram considerados crônicas. Ainda hoje, muita gente comete esse erro. Jornalistas e escritores como Elio Gaspari e Miriam Leitão não são cronistas, mas comentaristas políticos”, observa Castello.

O jornalista diz que a crônica atingiu certo status na literatura graças a Rubem Braga, chegando a uma posição superior àquela que ocupava antes do escritor. “Os amigos cobravam que ele fizesse um romance, mas o Braga sempre desprezou esse pedido, enfatizando que era muito feliz no que fazia. Para ele, a crônica era literatura tão digna quanto qualquer outro gênero”, aponta.

O estudioso se debruça sobre a obra e a vida do cronista há pelo menos 22 anos, quando publicou Na cobertura de Rubem Braga. Não se trata de uma biografia. Ele define a publicação como um dicionário, capaz de ajudar na leitura das crônicas do autor. “Procurei trabalhar os temas em torno dos quais ele escreveu com mais paixão e obsessão. Tanto que não fiz entrevistas. É uma publicação baseada na minha interpretação de toda a obra dele.”

ANTIJORNALISTA Nascido em Cachoeiro do Itapemirim, Rubem Braga estudou no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte entre as décadas de 1920 e 1930. Em Minas, conheceu a militante comunista Zora Seljan, que se tornaria sua mulher. Iniciou a carreira jornalística no Diário da Tarde e trabalhou também no Estado de Minas. Durante a Era Vargas, já morando no Rio, foi considerado subversivo e acabou preso duas vezes.

Braga cobriu a atividade do Exército brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália. “As crônicas de guerra realmente ficam em segundo plano se comparadas ao que ele produziu depois. Ele nunca foi jornalista em sua essência. Mesmo na cobertura da guerra, escrevia de forma intimista e subjetiva, algo bastante incomum aos textos jornalísticos habituais”, observa Castello. Nos anos 1960, foi embaixador do Brasil no Marrocos.

Para que o público possa aproveitar melhor a discussão desta noite, o carioca recomenda a leitura de cinco crônicas fundamentais do mestre: O conde e o passarinho, Aula de inglês, Sobre o inferno, O mistério da poesia e Ai de ti, Copacabana. A primeira sintetiza a primeira fase de sua carreira. O texto faz um elogio à natureza, tema caro a um autor que, na velhice, decidiu viver cercado de plantas em seu apartamento em Ipanema. “Ele dizia que havia construído uma ‘cobertura voadora’”, lembra Castello.

“Em O conde e o passarinho, há uma contraposição entre o Conde Matarazzo, solene, elegante, rico e realizado, e um passarinho em sua simplicidade, anônimo, voando sem destino certo e sem intenção de galgar qualquer posto ou acumular fortunas. O autor claramente toma partido do passarinho, que é o partido pelo menor, pelo desprezado e menos importante”, observa.

Castello define Rubem Braga como um anti-repórter, por voltar seu olhar para o simples e corriqueiro – como pássaros, cães, árvores e a simplicidade das crianças. “Ele faz o oposto do jornalismo, que só se interessa pelos grandes fatos, pelos condes... Voltar a ler o Braga é dar atenção para as coisas pequenas e desprezadas pela mídia. Retomar o ‘antijornalismo’ de suas crônicas é um movimento muito saudável, especialmente no contexto brasileiro atual, em que a imprensa anda tão grandiloquente”, completa Castello.

 

LETRA EM CENA: COMO LER RUBEM BRAGA

O evento será nesta terça (19), às 19h, no café do Minas Tênis Clube, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Entrada franca com retirada de ingressos pelo www.sympla.com.br 

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