Fotógrafo mineiro Cristiano Xavier lança Magna, seu primeiro livro

Fenômenos da natureza e paisagens de locais intocados pela mão humana compõem a publicação

20/05/2018 10:30
Fotos: Cristiano Xavier/Divulgação
Vista aérea dos Lençóis Maranhenses, o cenário preferido do fotógrafo no Brasil (foto: Fotos: Cristiano Xavier/Divulgação)

Tudo é grandioso em Magna, primeiro livro do fotógrafo mineiro Cristiano Xavier: do título (“grande”, em latim) ao formato da publicação (30 x 37cm), passando pelas extraordinárias paisagens da natureza em estado bruto. A publicação é um convite à contemplação e à preservação de algumas das maiores belezas do mundo. Os registros de 30 paisagens em cinco continentes foram feitos ao longo de 10 anos.

A paixão do belo-horizontino pela fotografia nasceu como hobby, há duas décadas. As expedições fotográficas começaram em 2008 e, conforme seu acervo de fotos foi tomando corpo, Cristiano começou a cogitar sua publicação. Nas jornadas, ele perseguia espaços essencialmente naturais e de difícil acesso, como o parque nacional de Utah (EUA) sob névoa gelada e uma das florestas mais altas do Himalaia (Butão).

“Por ser o primeiro livro, eu me permiti fazer uma coletânea, com um tema amplo, pouco específico. Nas expedições, sempre procurei por localidades de natureza virgem, dotadas de boa luminosidade, onde não há qualquer intervenção humana. Desde o início, quis registrar ambientes em que o homem não interferiu nem está presente”, diz o fotógrafo

Mais que paisagens, o volume reúne raros fenômenos naturais. Como observa o autor, o homem não tem espaço na publicação, a não ser o de observador – lugar ocupado tanto pelo próprio fotógrafo quanto pelo leitor. As fotos incitam, afinal, uma aproximação com o ambiente retratado.

“No meu processo criativo, contemplar o local que vou fotografar é o momento mais importante. Geralmente, passo até 10 dias em um local e, nos primeiros, não faço nenhum registro. Preciso, antes de tudo, me dedicar à imersão naquele ambiente. Quero levar a sensação e o prazer da contemplação ao leitor”, diz Cristiano.

Blocos de gelo encalhados em praia de areia negra, na Islândia

Com Magna, ele também deseja evocar a preservação. O artista sempre foi atraído por localidades remotas, onde há a possibilidade de interiorização e conexão com a natureza. Campos, matas e serras que marcaram sua infância ecoam no trabalho na forma de montanhas, desertos e florestas não desbravados.

Na opinião do fotógrafo, a contemplação do ambiente natural que nos cerca pode ser o primeiro passo para se alcançar a conscientização ecológica. “A proposta de sensibilizar as pessoas com a beleza dessas paisagens tem um viés conservacionista. Se uma pessoa se sente bem vendo essas fotos, ela será estimulada a não destruir, a não interferir na natureza”, acredita Cristiano.

CONSTRASTES O livro não é divido por localidades. Se em uma página se veem raios de sol definindo os contornos de uma das maiores dunas do mundo, na Namíbia, na sequência é possível admirar a Serra da Canastra, em Minas Gerais. Mais à frente, a aurora boreal que assume feições humanas no céu na região de Vik, na Islândia, é sucedida pela Via Láctea vista no céu do sertão de Várzea da Palma, também em Minas.

“A intenção é dar um choque a cada virada de página, o que impede que a leitura se torne monótona ou repetitiva. O leitor nunca sabe o que está por vir”, diz Cristiano. Ele aponta os cenários que lhe tiraram o fôlego: “As Ilhas Lofoten, na Noruega, formam um dos arquipélagos mais lindos do mundo. As ilhas vulcânicas da Islândia, muito jovens em termos geológicos, também possuem natureza densa e incrivelmente preservada”.

Saltam aos olhos do leitor os vulcões refletidos na Laguna Lejía Atacama, no Chile; a última luz do dia incidindo sob a silhueta do Monte Fitz Roy, na Patagônia argentina; e a maior depressão geográfica da América do Norte, 86 metros abaixo do nível do mar, em Nevada (EUA).

No Brasil, o local preferido de Cristiano são os lençóis maranhenses. Um dos registros presentes em Magna, datado de 2012, expõe o contexto da seca no Nordeste. No cenário, eram visíveis os restos de árvores que há anos estiveram submersas pelas areias. “Essa foto revela ainda a questão do clima da época em que foi tirada, uma paisagem que talvez nem exista mais”, observa. Em outra foto, vemos os resquícios de mangue na subida da maré em Jericoacoara, no Ceará.

Ao longo dos dois anos e meio em que o livro foi preparado, várias fotos foram escaladas como possível capa. A definitiva só seria tirada em uma das últimas expedições de Cristiano, realizada no Chile. Na imagem, a luz do nascer do sol atinge o gelo eterno no cume do Maciço Paine. “Eu tinha acabado de chegar à Patagônia e, logo no primeiro dia, me deparei com o mais belo nascer do sol que já vi. Estive por cinco vezes na região e nunca havia presenciado um amanhecer tão incrível. Fiz a foto e não tive dúvidas de que aquela seria a capa do livro”, conta.

Daqui para a frente, o fotógrafo pretende se dedicar a temas mais específicos em futuras publicações. A natureza, entretanto, seguirá sendo seu foco. Há 20 anos ele registra os mais diversos tipos de árvores. O material que tem em mãos, avalia, já rende um livro. “Tenho fotos de árvores do mundo inteiro, cada uma com uma infinidade de características. Quando descubro que em determinado lugar há uma árvore que só existe lá, vou fotografá-la durante o dia e durante a noite.”

Em sua coleção, constam registros de uma das árvores mais antigas do mundo, a Pinus longaeva, localizada na White Mountain, e da maior de todas, que fica no Parque Nacional da Sequoia, ambas na Califórnia.


MAGNA
• Autor: Cristiano Xavier
• Editora: Vento Leste (156 págs.)
• Preço sugerido: R$ 260 (à venda na página
• www.ventolestelivraria.com)

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