BH tem 'noite literária' com debate e lançamento de livros nesta terça (10)

Biografia do músico Zé Rodrix, conversa sobre a obra de Hilda Hilst e sessão de autógrafos do novo livro de Jacques Fux movimento agenda cultural da cidade

por Alisson Millo 10/04/2018 08:15

Jorge's Studio/Divulgação
Zé Rodrix (c), falecido em 2009, formou com Sá e Guarabyra o trio que pôs o rock rural na cena musical do país (foto: Jorge's Studio/Divulgação)
A noite desta terça-feira (10) será um prato cheio para os amantes da literatura. Dois eventos contemplarão artistas emblemáticos para a cultura brasileira: Hilda Hilst (1930-2004), que está entre os nomes mais importantes das letras do país, e o cantor e compositor Zé Rodrix (1947-2009), um dos pais do chamado rock rural e autor de Casa no campo, clássico gravado por Elis Regina. No auditório da Cemig, o mineiro Jacques Fux conversa com o público sobre seu novo romance, Nobel, durante o projeto Sempre um papo.


Ele fez história na MPB

O jornalista Toninho Vaz dedicou a sétima biografia que escreveu ao compositor Zé Rodrix. Ao lado de Luiz Carlos Sá e Gutemberg Guarabyra, ele formou, nos anos 1970, o trio que fez história na música brasileira. Rodrix integrou também a banda Som Imaginário, que tocou com Milton Nascimento e se tornou conhecida por mesclar rock, jazz e MPB.

“Sou muito amigo do Guarabyra. Perguntei-lhe a respeito do Rodrix, porque, dos três, era o que eu menos conhecia. Ele me contou a história e comecei a pesquisar”, conta Vaz, que lançou livros sobre o poeta Paulo Leminski e o compositor Torquato Neto, entre outros.

No exaustivo processo de produção da biografia de Rodrix, o jornalista paranaense entrevistou 70 pessoas. “Fui para São Paulo, fiquei 15 dias lá. Conversei com Carlos Careqa, Ronnie Von e muita gente que era parceira dele. No Rio, conversei com a família. Eles aprovaram o meu projeto, não criaram impedimento nenhum”, diz o biógrafo.

Vaz garante que o trabalho valeu a pena. “Gostei muito do resultado final. As pessoas a quem confiei a primeira leitura também. Com a aprovação das pessoas íntimas do Rodrix, tive mais certeza ainda de que deveria lançá-la.”

O livro revela um episódio marcante na vida de Rodrix. “Um dia antes da morte da Elis (Regina), o Zé estava com ela. Ele sabia que o que a tinha matado foi a pressão e os contratos da gravadora. Ter que lançar um disco por ano, cantar grandes sucessos, toda essa pressão fez muito mal a Elis. Como eles eram muito próximos, isso o atingiu profundamente, tanto que ele largou a música e foi para o ramo dos jingles, do comercial. Ele só voltou para uma apresentação especial com o Sá e o Guarabyra por muita insistência deles”, diz Toninho. Esse retorno aos palcos ocorreu no final da década de 1990.

José Olympio/Reprodução
(foto: José Olympio/Reprodução)
De acordo com o jornalista, Luiz Carlos Sá, que mora em BH, vai participar da festa de lançamento da biografia, no Itatiaia Radio Bar, assim como outros amigos do biografado.

O FABULOSO ZÉ RODRIX
• De Toninho Vaz
• Editora Olhares
• 324 páginas
• R$ 68
• Lançamento nesta terça-feira (10), às 19h30, no Itatiaia Radio Bar (Rua Pium-í, 620, Carmo). Informações: (31) 2551-4844

 

 

 

Fux dá o Nobel a Fux

Jair Amaral/EM/D.A. Press
Jacques Fux é convidado do projeto Sempre um Papo (foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)
Autor de Antiterapias (vencedor do Prêmio São Paulo de 2013), Brochadas (2015) e Meshugá (2016), o mineiro Jacques Fux acaba de lançar Nobel, em que brinca com os cânones literários. Nesta terça-feira, ele autografa o romance durante o projeto Sempre um papo.

Na “trama”, o personagem Jacques Fux faz um discurso ao receber o Prêmio Nobel de literatura, dialogando com Franz Kafka, Gabriel García Márquez, Vargas Llosa e José Saramago, entre outros escritores.

Os quatro livros de Fux, de certa forma, estão interligados – todos remetem à ficção/autoficção, intertextualidade e clássicos da literatura, entre outros temas. Em Antiterapias, lembra o autor, o protagonista sonha em receber o famoso prêmio literário. O mesmo personagem enfrenta problemas sexuais em Brochadas e transtornos psiquiátricos em Meshugá. Em Nobel, ele recebe o aclamado prêmio.

 

Olhares/Reprodução
(foto: Olhares/Reprodução)

 

NOBEL
• De Jacques Fux
• José Olympio
• 128 páginas
• R$ 35,90
• Lançamento nesta terça-feira (10), às 19h30, no projeto Sempre um papo. Auditório da Cemig (Rua Alvarenga Peixoto, 1.200, Santo Agostinho). Entrada franca

 

 

 

Hilda, a mulher de coragem


acervo pessoal
Eliane Robert de Moraes discute a obra de Hilda Hilst (foto: acervo pessoal)
Uma escritora de multiplicidade singular. Assim Eliane Robert de Moraes define Hilda Hilst, cuja obra será analisada hoje no projeto Letra em cena, promovido pelo Centro Cultural do Minas Tênis Clube. Professora de literatura brasileira da Universidade de São Paulo (USP), Eliane destaca a coragem de Hilda. “As obras dela iam do misticismo à obscenidade e isso deixava qualquer crítico admirado”, diz.

A literatura erótica aproximou a professora da autora. “Trabalhava principalmente com obras francesas, todas voltadas para o pornô. Quando a Hilda lançou O caderno rosa de Lori Lamby, todo mundo ficou escandalizado. Era uma senhora de 60 anos falando sobre sexualidade, ninguém queria escrever sobre o livro. Um editor do Jornal do Brasil me convidou para fazer uma resenha. Argumentei que não tinha muito contato com a obra dela, mas aceitei o convite”, relembra Eliane.

Hilda gostou da crítica publicada no JB e fez questão de conhecer a professora pessoalmente. “Hilda ligou para a redação,perguntando meu telefone. Ela entrou em contato e marcamos um encontro. A partir daí, fiquei ainda mais próxima da obra dela, o que foi muito importante para a minha carreira”, diz a professora.

Esta noite, Eliane Robert de Moraes promete conduzir o público pelos textos da escritora. “Ela aborda temas muito variados e vou explorar isso. Também pretendo passar algumas chaves de leitura para as pessoas”, adianta.

POESIA A poeta e atriz Bruna Kalil vai interpretar os textos. Ela também chama a atenção para a pluralidade da autora. “Minha apresentação terá contos, poemas e textos dramáticos. Hilda é tão incrível que é possível dramatizar qualquer coisa que ela escreve”, diz.

Cursando mestrado em literatura brasileira na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bruna conta que Hilda Hilst a fascinou. “Tive várias ideias para o mestrado, mas quando uma professora falou sobre ela, fiquei impressionada. Foi difícil compreender como alguém conseguia escrever daquele jeito, de uma forma tão poderosa. Naquela hora, tive certeza de que a estudaria”, conclui.

LETRA EM CENA
A professora Eliane Robert de Moraes analisa a obra de Hilda Hilst. Nesta terça-feira (10), às 19h. Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Entrada franca. Inscrições devem ser feitas no site Sympla. Informações: (31) 3516-1027

* Estagiário sob supervisão da editora assistente Ângela Faria

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