Lutas das mulheres é tema de debate com Marcia Tiburi, Áurea Carolina e Macaé Evaristo

'Sempre um papo' marca o lançamento do livro 'Feminismo em comum: para todas, todes e todos'

por Cecília Emiliana 08/03/2018 10:07
Brendan Smialowski/AFP
No Dia Internacional da Mulher em 2017, ativistas participam de marcha pelos direitos das mulheres e contra o governo Trump, em Washington. (foto: Brendan Smialowski/AFP)

O projeto Sempre um Papo desta quinta-feira (8) contará com três presenças “lacradoras” – para usar um termo da moda. A filósofa Marcia Tiburi, a vereadora Áurea Carolina (PSOL) e a ex-secretária de Estado de Educação de Minas Gerais Macaé Evaristo debatem sobre as conquistas e lutas femininas, a partir das 19h30, no Auditório da Cemig, com entrada franca.

 

Na ocasião, haverá ainda o lançamento do livro Feminismo em comum: para todas, todes e todos, obra mais recente deTiburi. No dia seguinte, participa da edição do Sempre um Papo em Araxá. Personagem de polêmica recente envolvendo Kim Kataguiri, coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) – ela se recusou a debater com ele em programa da Rádio Guaíba, de Porto Alegre – e participante de outros tantos embates virtuais, Marcia Tiburi chega a Minas propondo um diálogo concreto. Seu livro, diz ela, é uma tentativa de trazer as discussões em torno do feminismo para longe do círculo vicioso de controvérsias que, por vezes, envolvem o movimento.


“Em primeiro lugar, vamos esclarecer que as feministas não vivem em guerra. Isso é uma invenção do patriarcado, numa de suas clássicas tentativas de rachá-lo. Então, não tenho como objetivo na vida ou nos trabalhos que escrevo unificar um movimento que não vive uma batalha, embora seja diverso. Ninguém precisa resolver as diferenças do feminismo, que, aliás, são necessárias e bem-vindas à construção do bom diálogo. Em contrapartida, não podemos nos manter fechadas à repercussão dessas discordâncias. Tampouco ao hábito de pregar para convertidas, que também se observa atualmente”, afirma a pensadora.

 

Lançado pela Rosa dos Tempos, Feminismo em comum… anuncia, já nas primeiras páginas, o desejo de compor uma interseção com mulheres em todas as suas especificidades: negras, pobres, cisgêneras, transgêneras, entre outras. É sob esse olhar plural que Marcia convida o leitor à conversa sobre questões tão antigas quanto urgentes, como objetificação do corpo feminino, procriação, prazer, violência e correlatos.


“Estou muito preocupada em construir um feminismo que nasça dos nossos próprios problemas, sofrimentos e dores. Vivemos na cultura do estupro, na cultura do assédio. Vivemos também num país que tem índices de feminicídio aterradores. Temos violência doméstica. Temos um país com apenas 10% das mulheres ocupando o Parlamento. A gente tem que pensar o que significa fazer feminismo num país como o nosso. Então, escrevi este livro como uma arma de luta. Um passo para fora da bolha, em direção a quem está fora dela e precisa ser incluído no debate”, diz a professora.

PATRIARCADO Homens também são chamados a participar do movimento – ponto que está longe de ser consenso entre as feministas. “Não acho que basta combater o patriarcado. É preciso desmontá-lo. Não estou dizendo que a grande preocupação do feminismo deve ser o homem. Mas, se os homens começarem a estudar o feminismo e se engajarem na causa, eles têm muito a ganhar, descolando-se de uma subjetividade violenta, tendo chance de se desconstruir. Precisamos pensar também que a convivência com os homens dentro deste planeta é um fato imutável. E não podemos confiná-los em campos de concentração. A única saída é o diálogo mesmo”, defende Tiburi.


O chamado à participação masculina proposto por Marcia Tiburi, ao que parece, não será motivo de discórdia entre as três debatedoras do Sempre um Papo. A vereadora Áurea Carolina concorda que esse é um deslocamento necessário. “Concordo com a posição da Maria de que precisamos repensar as estruturas do feminismo, levá-lo a um patamar mais próximo da concretude. Para isso, é fundamental incluir os homens na roda. No mais, estou ansiosa pelo evento. Acredito que será uma oportunidade de levar ao público discussões importantes, sobretudo relativas ao abismo que existe entre as mulheres, dependendo de fatores como etnia e classe. E como um feminismo que não inclua todas elas é impensável”, ressalta Áurea.

 

Ex-secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo acrescenta que vê o feminismo como desejo por democracia radical, em que homens e mulheres vivam em equilíbrio. Para a educadora, o evento será uma oportunidade de pensar, junto com o público, maneiras de consolidar essa ideia cada vez mais cedo nas pessoas. “Enquanto educadora, bato muito nessa tecla. Vai ser muito bom integrar um diálogo em que será possível expor, constatar e absorver conceitos. Isso, por si só, já é muito rico”, comenta.

 

SEMPRE UM PAPO
Com Marcia Tiburi, Áurea Carolina e Macaé Evaristo. Quinta-feira (8/3), às 19h30, no Auditório da Cemig (Rua Alvarenga Peixoto, 1.200, Santo Agostinho. Informações: (31) 3261-1501. Entrada franca.

 

Sexta (9/3), às 19h30, no Teatro Municipal de Araxá (Av. Antônio Carlos, s/nº – Centro) Informações: (34) 3691-7011,
Sempre um Papo com Marcia Tiburi. Entrada franca.

Feminismo em comum: para todas, todes e todos
Autora: Marcia Tiburi
Editora: Rosa dos Tempos
(126 págs.)
Preço sugerido: R$ 15,90

 

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