Pedro Muriel lança no 'Sempre um Papo' seu primeiro livro, 'Proesia'

Segundo ele, o livro mescla poesia, prosa e, sobretudo, proeza

por Ana Clara Brant 27/02/2018 09:00

Daniel Bianchini/Divulgação
'Faço da escrita o meu barco, ou seja, uma forma de alcançar os lugares mais distantes', diz o autor. (foto: Daniel Bianchini/Divulgação)

“Eu sou passarinho cortando o vento, assobiando as boas-novas de cada manhã. Sou noite cuspindo estrelas pelo céu que não tem medida. Sou o meio de um caminho sem despedidas. Eu sou alma selvagem e descompassada. Sou tristeza e sou sorriso; sou fim e também sou início. Sou tudo no meio do nada. Já fui partida e hoje sou chegada.” Esses versos são do poema Passarinho, que integra de Proesia, primeiro livro do escritor mineiro Pedro Muriel. Não foi à toa que este belo-horizontino, que acaba de completar 31 anos, escolheu um pássaro, criação da ilustradora Alice Bottaro, para estampar a capa da obra. “O pássaro tem a capacidade de atravessar fronteiras, romper territórios. Ele tem uma liberdade invejável. E as palavras também são assim. Faço da escrita o meu barco, ou seja, uma forma de alcançar os lugares mais distantes”, analisa.

Nesta terça-feira (27), Pedro é o convidado do projeto Sempre um Papo, no auditório da Cemig, para um debate sobre a publicação, que, segundo ele, mescla, poesia, prosa e, sobretudo, proeza. “É uma prosa poética ou uma conversa com prosa. E mais do que isso, não deixa de ser um feito, uma proeza, uma aventura. Eu, por sinal, adoro aventuras, viagens. Recentemente, fui para a Patagônia, no Chile, e andei de ônibus vários quilômetros, mesmo com a cadeira de rodas e meu ventilador mecânico para respirar”, celebra o escritor, formado em relações internacionais e que nasceu com uma doença neuromuscular progressiva. “Os médicos chegaram a afirmar para meus pais que eu morreria ainda criança. Mas eu sou teimoso”, brinca Muriel, um otimista nato. “Cheguei a pensar que a cadeira e o ventilador fossem uma espécie de cárcere. Mas a minha cabeça sempre foi livre, é ela que comanda tudo. Apesar das limitações físicas, nunca pensei nas coisas que eu não poderia fazer, mas sempre em tudo de incrível que eu poderia fazer”, ressalta o escritor e palestrante, que tem percorrido o Brasil para falar de acessibilidade e literatura.

COTIDIANO Proesia traz boa parte das vivências do autor. Seja a solidão, os encontros, fatos e experiências que o marcaram. As flores, o mar, as estrelas, os sonhos e a infância servem de temas de sua escrita, que também não esconde seus perrengues. “Escrevo coisas do meu cotidiano. Ando com um caderno em que anoto tudo que pode se tornar uma ideia. Poesia não surge do nada. Há todo um processo. Sem falar que, se você não ler, nem adianta, porque leitura é fundamental para se escrever bem”, destaca.

O escritor – que começou publicando seus textos na internet – revela que sempre foi cobrado para lançar um projeto só seu. E o intuito é que Proesia seja apenas o primeiro de muitos livros. “Costumo dizer que escrever me traz uma segurança que não consigo sentir em nenhum abraço. É meio isso mesmo. Tem a ver com confiança, com autoestima. É muito interessante.”

 


PROESIA
• De Pedro Muriel
• Usina do Livro
• 104 páginas
• R$ 25

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