Festival de Verão da UFMG promove atividades gratuitas em BH

Atrações têm o objetivo de atrair públicos diversos e incentivar a ampliação de conhecimentos e percepções sobre a vida

por Ana Clara Brant 04/02/2018 10:00
ALEXANDRE HUGO/DIVULGAÇÃO
O grupo The Pulso in Chamas, cujos músicos se apresentam como drags, abre a programação, com show amanhã, no Conservatório da UFMG (foto: ALEXANDRE HUGO/DIVULGAÇÃO)
O Festival de Verão da UFMG inicia amanhã (5) sua 12ª edição – que prossegue até quinta-feira (8) – com um espetáculo de temática LGBT. The Pulso in Chamas, que se intitula “a banda mais babadeira da cidade”, apresenta-se no tradicional Conservatório de Música da UFMG. “Para a gente vai ser um marco. Além de abrir o festival, tem esse simbolismo de ocupar um espaço superimportante para a história da música em Belo Horizonte”, afirma Wagner Ribeiro, um dos integrantes do grupo.

O diretor artístico do festival, Juarez Guimarães Dias, conta que o tema escolhido para este ano foi o dos “Universos Expandidos”, como uma continuidade da temática abordada em 2017, a dos “Universos Invisíveis”. O objetivo é tratar de como a produção de conhecimento expande a existência e a percepção que se tem dela.

“Essa expansão se dá em vários níveis. Não só do próprio universo, mas da universidade, seja extrapolando o campus e atraindo cada vez mais pessoas de fora do meio acadêmico, seja debatendo todo tipo de assunto que está na ordem do dia, como a identidade de gênero, as novas tecnologias, a produção cultural – expandindo a nossa percepção das coisas”, diz o curador.

The Pulso in Chamas é uma banda formada por artistas queers que busca tratar de temas como o  empoderamento negro e LGBT e a representação da mulher. Entre os integrantes, que se apresentam como drags, estão Azzula (Sam Lucca), Bella la Pierre (Gabriela Domingues), Rafael Ventura, Miyza Phriká (Junim Ribeiro), Juanita Chiquita Chiwawa (Gabriela da Costa), Gabriel Estanislau e Débora Costa (John John.).

“Todo mundo se caracteriza como drag queen, inclusive as mulheres. Por que uma mulher não pode se montar também? A Gabriela Domingues é a drag Bella la Pierre e a Gabriela Costa é a Juanita. E temos também a Débora, que é John John, um drag king, a versão masculina”, destaca Wagner.

Boa parte do repertório traz canções de artistas que defendem associados ao universo LGBT, como Liniker, Karol Conká, Rosana, Não Recomendados, Queen e As Frenéticas. “Mas a gente faz também releituras da música brasileira e internacional atual e dos anos 1980 e 1990. É um show bem pra cima e dançante”, diz Wagner Ribeiro.

TEATRO-DOCUMENTÁRIO
Outra atração da programação é o espetáculo Territórios, do Teatro 171, que vai será encenado às 20h de terça (6) e quarta (7), no Centro Cultural UFMG. O foco principal do trabalho é o crime ambiental que atingiu sobretudo Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, com o rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015. Mas outros assuntos da pauta atual, como invasões de território, refugiados e cárcere privado moldaram a produção. “Fizemos um experimento em 2016 e fomos costurando até chegar a esse formato que estreia no festival. É um teatro-documentário, e trazemos para a cena um morador de Bento Rodrigues”, afirma o diretor Henrique Limadre.

Preto Monteiro, artista plástico e poeta da região, foi convidado para fazer parte da montagem. Ele vivenciou a tragédia de perto; perdeu a sobrinha e teve a casa soterrada. “O Preto tem uma relação muito forte com aquele território e é justamente o tema ‘espaço’ que impulsiona o que queremos dizer”, aponta Limadre. Um dos pontos interessantes de Territórios é que não é uma peça apenas contemplativa. Ela convida o espectador para um encontro no qual se compartilham experiências. “A plateia participa ativamente. A gente cria um ambiente de participação; dividimos experiências. Queremos estabelecer um lugar de convívio entre atores, atrizes e plateia, que passa a ser considerada integrante (do espetáculo)”, aponta o diretor.

O diretor artístico Juarez Guimarães ressalta que o objetivo de garantir a diversidade da programação se estabelece não apenas no sentido de abordar temáticas múltiplas em palestras, espetáculos e exposições, mas também na intenção de atingir públicos variados. Entre as oficinas, ele cita as que abordam a questão da acessibilidade, como a de práticas de musicalização para surdos, ministrada pelo músico Flávio Teixeira, e Olhando sem olhos, da professora e dançarina Anamaria Fernandes, voltado tanto para quem enxerga (com o intuito de proporcionar uma nova percepção) como para quem é cego. “O Festival da UFMG tem esse compromisso de abarcar todos os públicos. Isso é muito importante”, afirma.


Festival de Verão da UFMG


De amanhã (5) a 8 de fevereiro. No Conservatório da UFMG (Avenida Afonso Pena, 1.534, Centro), Centro Cultural UFMG (Avenida Santos Dumont, 174, Centro), Espaço do Conhecimento UFMG (Praça da Liberdade), Campus Saúde UFMG (Avenida Professor Alfredo Balena, 190, Santa Efigênia). As atrações são gratuitas. Oficinas: inscrições até hoje (R$ 20). Programação completa em www.ufmg.br/festivaldeverao. Abertura, amanhã, às 19h, com a banda The Pulso in Chamas no Conservatório da UFMG.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE ARTES-E-LIVROS