Mostra Oscar Niemeyer reúne lado menos conhecido do mestre

Territórios da criação fica em exposição na Pinakotheke Cultural Rio de Janeiro até 16 de dezembro

por Estadão Conteúdo 30/11/2017 08:00
Jaime Acioli/divulgação
A tela Ruinas de Brasília expressa a desilusão do artista após o golpe militar de 1954 (foto: Jaime Acioli/divulgação)

Mundialmente conhecido como um dos maiores arquitetos do século 20, Oscar Niemeyer (1907-2012) manteve, embora sem grande alarde, uma intensa produção artística. Desenhos, pinturas e até um samba foram obras criadas pelo gênio inquieto de Niemeyer. Por ocasião dos 110 anos de seu nascimento, a Pinakotheke Cultural Rio de Janeiro organizou a exposição Oscar Niemeyer – Territórios da criação, reunindo um lado menos conhecido do arquiteto. A mostra será encerrada em 16 de dezembro.

O trabalho como artista e designer de Niemeyer nasceu em paralelo com sua trajetória profissional, iniciada nos anos 1930 e encerrada só com sua morte, aos 104 anos. Ele achava que a arte podia estar a serviço da arquitetura – “se você ficar preocupado só com a função (da arquitetura), fica uma merda”, definia, ao falar da importância da fruição da beleza de suas criações.

O público encontra na mostra um conjunto de 25 desenhos, esculturas e peças de mobiliário de Niemeyer que atravessam todo o século 20 e início do 21. As construções de Brasília, o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, a Oca do Ibirapuera, todos em seus primeiros desenhos preparatórios. Imagens de mulheres curvilíneas, de cintura fina e nádegas grandes, displicente e alegremente nuas. Uma representação que fez da pintura Le dèjeuner sur l’herbe, do impressionista francês Édouard Manet (1832-1883). Os traços inconfundíveis a caneta hidrográfica sobre papel off-set e de seda.

O destaque, porém, são as duas telas a óleo Ruínas de Brasília, pintadas em Paris, pouco tempo depois que ele soube do golpe militar de 1964. Entristecido, desiludido ao ver sua Brasília servir aos generais, expressou sua dor em duas telas expressionistas, reproduzindo as colunas do palácio, uma delas tombada ao chão, como a democracia.

“Niemeyer era um humanista. Imagina o que sentiu ao saber o que tinha ocorrido à cidade que construiu”, diz Max Perlingeiro, diretor da Pinakotheke e curador da mostra, com Marcus Lontra, que teve larga convivência com o arquiteto. “Naquela época, as informações não chegavam tão rapidamente. O mal-estar de Niemeyer foi grande ao ver um projeto de Brasil e de Brasília terminar, um sonho destruído”, acrescenta Lontra, para quem o país deve à Niemeyer o protagonismo estético assumido no mundo já na primeira metade do século 20, com a criação do conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte.

Os curadores reuniram ainda obras de artistas que foram parceiros fundamentais, como parte do mural da igreja brasiliense de Dom Bosco, de Volpi (1896-1988); um protótipo em ferro fundido de Os candangos, a icônica obra de Bruno Giorgi (1905-1993) em homenagem aos trabalhadores que ergueram Brasília, localizada na Praça dos Três Poderes; a Grande flor tropical, de Franz Weissmann (1911-2005) para o Memorial da América Latina; e um estudo de Portinari (1903-1962) para a igrejinha de São Francisco de Assis, na Pampulha.

BASTIDORES

Na sala que reúne retratos dele feitos ao longo de cinco décadas por Bob Wolfenson, Evandro Teixeira, Walter Carvalho e Walter Firmo, uma imagem mostra o cavalete que mantinha sempre por perto. “Ele conversava desenhando, chegava alguém e ele levantava para mostrar alguma coisa no papel”, lembra Perlingeiro, que conviveu com Niemeyer na condição de galerista. “Seu nascimento faz 110 anos e não vi falarem disso. Não deveríamos passar essa data sem que se fizesse uma homenagem na cidade em que ele passou praticamente a vida inteira.”

Numa vitrine, foram dispostas edições da revista Módulo, que Niemeyer criou nos anos 1950 para divulgar a moderna arquitetura e o design brasileiro. Do mobiliário que criou com a filha única, a galerista Anna Maria Niemeyer, que morreu seis meses antes do pai, estão Poltrona alta, da coleção pensada para o Palácio do Planalto, e a Espreguiçadeira Rio.

No som ambiente, ouve-se o Samba do arquiteto, composto por Niemeyer nos anos 1960 e musicado e interpretado pelo sambista Jorge Aragão. A letra, socialista como seu autor, provoca os colegas de prancheta: “Você só fez atender ao governo materialista/ Que faz obra pra se ver, pra agradar ao turista/ Que deixa o pobre de lado, que tira o pobre da lista/ Da lista dos seus pseudoamigos capitalistas”. 

['__class__', '__cmp__', '__contains__', '__delattr__', '__delitem__', '__dict__', '__doc__', '__eq__', '__format__', '__ge__', '__getattribute__', '__getitem__', '__gt__', '__hash__', '__init__', '__iter__', '__le__', '__len__', '__lt__', '__module__', '__ne__', '__new__', '__reduce__', '__reduce_ex__', '__repr__', '__setattr__', '__setitem__', '__sizeof__', '__str__', '__subclasshook__', '__weakref__', 'clear', 'copy', 'fromkeys', 'get', 'has_key', 'items', 'iteritems', 'iterkeys', 'itervalues', 'keys', 'pop', 'popitem', 'request', 'setdefault', 'update', 'values', 'viewitems', 'viewkeys', 'viewvalues']

MAIS SOBRE ARTES-E-LIVROS