Festival Literário de Araxá (Fliaraxá) celebra a língua portuguesa

Evento, que homenageia o escritor moçambicano Mia Couto, segue até domingo

por Ana Clara Brant 16/11/2017 10:51

FRANKLI CALDEIRA/FLIARAXA/DIVULGACAO
Escritor Mia Couto, de Moçambique, falou na abertura do evento (foto: FRANKLI CALDEIRA/FLIARAXA/DIVULGACAO)
ARAXÁ – Araxá, no Alto Paranaíba, sempre foi conhecida como a terra de Dona Beija, das termas e dos doces e compotas. Mas desde 2012, também ganhou o título de cidade da literatura. A sexta edição do Festival Literário de Araxá (Fliaraxá), que começou ontem (15) e segue até domingo (19), está reunindo escritores, poetas, ilustradores, músicos, contadores de histórias e atores para celebrar a língua portuguesa. O evento está com convidados de países da comunidade lusófona como o moçambicano Mia Couto – homenageado deste ano – o angolano Ondjaki e Arménio Vieira, de Cabo Verde.

 

Na solenidade de abertura, que aconteceu na noite desta quarta, Mia falou sobre o tema da edição, Língua, leitura e utopia e lembrou de como começou sua ligação com o Brasil. Quando menino, o escritor ouvia os artistas brasileiros e contou que estranhava aquela língua que era ao mesmo tempo tão familiar e diferente. "Foi a descoberta de uma língua que era minha, mas não era. Ao longo da minha vida, já fui mais de 30 vezes ao Brasil, mas confesso que, nas últimas vezes, não tenho me encantado tanto com o país como antes", revelou. O motivo do desencanto, segundo o moçambicano, é o momento em que o país atravessa de divisão e disputas acirradas.

 

"Amigos brigam entre si. Está cada vez mais difícil aceitar o outro, aceitar a diferença. Mas espero que, como diz uma das musicas brasileiras, que o Brasil possa levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima", declarou.

 

Mia Couto conquistou a plateia quando comentou que certa vez, alguém lhe disse que se ele fosse brasileiro, certamente seria mineiro. "E eu questionei o motivo. Aí me responderam: 'Porque você nunca responde o que te perguntam", contou entre risos. 

 

GRANDE HOTEL 

Pela primeira vez em seus seis anos de existência, o Fliaraxá tem como sede um dos pontos turísticos mais famosos de Araxá: o Tauá Grande Hotel. Logo pela manhã, centenas de pessoas já tomavam conta do Festival que foi aberto oficialmente pelo curador e organizador Afonso Borges. “Eu gostaria de reafirmar que mesmo com uma estrutura maior, uma ampliação das atividades e mudança de lugar, o Fliaraxá continua focando na comunidade de Araxá e região, tanto que além de trazermos nomes de grande relevância da literatura mundial e brasileira, valorizamos os autores e artistas araxaenses e da região. Sem a comunidade, esse evento não existiria”, ressaltou.

 

O cantor Celso Adolfo, ao lado do coral feminino da Escola de Música de Araxá, fez uma homenagem a figura mais ilustre da cidade, Ana Jacinta de São José, a cortesã Dona Beija. Os artistas apresentaram a música tema da novela homônima da TV Manchete, composta por Fernando Brant e Wagner Tiso. 

 

Entre os destaques do primeiro dia, a palestra e lançamento do livro Amanhã hoje é ontem, da escritora e jornalista Daniela Zuppo, que contou com a presença da família na plateia e emocionou os presentes com sua trajetória de luta contra um câncer de mama. “Apesar de tudo que enfrentei, a vida ficou mais leve. Cada vez mais tento me focar e valorizar na força do momento presente”, declarou Daniela.

 

Daniel Bianchini/FLIARAXA/DIVULGACAO
(foto: Daniel Bianchini/FLIARAXA/DIVULGACAO)
Já Fernanda Takai estreou uma novidade no Fliaraxá, o Diálogos em espiral, um formato que aproxima o público dos palestrantes e debatedores já que eles ficam num palco no meio da plateia.

 

A cantora, compositora e escritora veio participar do lançamento nacional da versão impressa de seu segundo trabalho literário infantil, O cabelo da menina. A obra já havia sido publicada como e-book. "Ele fez o caminho inverso já que nasceu primeiro no digital. Mas eu adoro o papel. Por isso ele tinha que ser lançado assim também", frisou. Takai ainda brincou que a ocasião merecia uma comemoração. "Acho que pela primeira vez na história é lançada uma publicação escrita por uma amapaense e ilustrada por uma roraimense", brincou ao se referir à ilustradora de O cabelo da menina, Ina Carolina. No fim do dia, a cantora subiu ao palco do Festival com o Pato Fu para celebrar os 25 anos da banda

 

Ainda vão passar pelo evento - que segue até domingo (19) - nomes como os dos escritores Zuenir Ventura, Luiz Ruffato, Cristóvão Tezza, Sérgio Rodrigues, do jornalista e diretor de redação do Estado de Minas, Carlos Marcelo, do músico João Donato e da atriz Bruna Lombardi. CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA: www.fliaraxa.com.br 

 

*A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO FLIARAXÁ

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