Artistas vão assumir curadoria da Bienal Internacional de São Paulo

Edição 33 da mostra está marcada para acontecer em setembro de 2018. Produção já está à todo vapor

por Nahima Maciel 09/11/2017 09:17

Pedro Ivo Trasferetti/Fundação Bienal de São Paulo/Divulgação
O curador Gabriel Pérez-Barreiro quer ampliar o diálogo com público e autores. (foto: Pedro Ivo Trasferetti/Fundação Bienal de São Paulo/Divulgação )
Programada para abrir as portas em setembro de 2018, a 33ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo já está em processo de produção. Com curadoria do espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, a próxima edição do evento ganhou novos contornos e dinâmica que deve favorecer o diálogo com o público e com a própria cena artística.


A 33ª edição vai dividir a curadoria com artistas. Sai a figura do curador profissional e entram os próprios atores do processo. A proposta veio de Pérez-Barreiro. Ele convidou sete nomes da arte contemporânea mundial para criar núcleos e montar a lista de participantes.


“A proposta nasce para repensar o que chamo de sistema operacional das bienais – curador-tema-artista –, que ficou muito estabelecido nas últimas décadas”, explica. “Tem uma história da arte moderna e contemporânea que pode ser contada a partir do esforço do artista de se organizar e ser agente ativo na construção do seu próprio contexto e de sua própria institucionalidade. Recuperar essa história talvez seja uma possível resposta à crise das bienais, que parece se repetir. Há um certo cansaço com esse modelo.”

 

 

Barreiro convidou o uruguaio Alejandro Cesarco, o espanhol Antonio Ballester Moreno, a argentina Claudia Fontes, a sueca Mamma Andersson, os brasileiros Sofia Borges e Waltércio Caldas, e a americana de origem nigeriana Wura-Natasha Ogunji. “Uma coisa que tem me dado muita satisfação, porque o processo está em andamento há alguns meses, é que cada um deles está trabalhando com total liberdade. Cada um deles tem pensado uma metodologia absolutamente diferente para fazer seu núcleo. Não tem dois parecidos”, avisa o curador.


Outra diferença em relação às edições anteriores da Bienal é a ausência de tema. Pérez-Barreiro preferiu pensar em um título que estampasse algumas ideias sem delimitar narrativa que abrigasse os trabalhos. “Afinidades afetivas” combina referências caras ao curador. A primeira é o crítico Mario Pedrosa, responsável por ajudar a consolidar alguns dos movimentos mais importantes da história da arte brasileira. “Ele tinha capacidade de pensar a diversidade na arte, defendia a abstração geométrica, a arte dos pacientes psiquiátricos, das crianças, a figuração. Ele tinha a capacidade de entender que a arte não é uma linguagem melhor que outra, é a capacidade que a pessoa tem de se comunicar. É uma visão muito humanista”, explica.


A segunda referência foi o romance Afinidades eletivas, de Goethe, história de um casal que assiste a mudanças no próprio relacionamento depois de introduzir algumas pessoas em seu convívio diário. O título vem de um termo da química e ajuda a explicar como certos elementos se atraem e se modificam. “É um conceito de que sempre gostei. Fala de como as coisas se escolhem, do mecanismo de como as coisas se juntam e geram sentido. E não é temático. Não gosto da metodologia temática, ela tem o perigo de instrumentalizar a produção artística”, conclui.

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