Quadro de Pissaro, 'La cueillette des pois', volta para os donos

Obra foi devolvida pela Justiça aos descendentes do comerciante judeu Simon Bauer, perseguido durante a ocupação da França pelos nazistas

por AFP 09/11/2017 09:22

Reprodução
'La cueillette des pois' foi leiloado em Nova York depois de desaparecer da França. (foto: Reprodução)

A Justiça francesa restituiu aos descendentes de um colecionador judeu espoliado durante o nazismo o quadro de Pissarro que ficou desaparecido durante décadas, até ser comprado legalmente em um leilão, em 1995, por um casal americano.

A sentença ordenou que La cueillette des pois seja entregue aos descendentes de Simon Bauer, cujas obras foram confiscadas em 1943, durante a ocupação da França pela Alemanha. “Jean-Jacques Bauer está feliz. Este é um dos quadros mais belos da coleção de seu avô”, afirmou Cédric Fischer, advogado da família Bauer.

Bruce e Robbi Toll, que adquiriram a pintura por US$ 800 mil em um leilão da Christie’s, em Nova York, em 1995, deverão pagar 8 mil euros à família pelos gastos judiciais. O casal alega que comprou a obra de boa-fé.

 

 

O advogado dos Toll, Ron Soffer, afirma que os clientes não conheciam a história do quadro quando o arremataram – posição confirmada pelo tribunal – e anunciou que eles vão recorrer da sentença.

“Meus clientes ficaram muito desapontados por não poder recuperar essa pintura. Eles são muito ligados a ela. Certamente, vão apelar”, disse Soffer. “Meus clientes consideram que não cabe a eles pagar pelos crimes do regime de Vichy”, acrescentou, referindo-se ao governo francês durante a Segunda Guerra Mundial.

La cueillette des pois, pintado em 1887 pelo impressionista francês Camille Pissarro, retrata mulheres recolhendo ervilhas no campo. É um dos 93 importantes quadros da coleção de Simon Bauer, homem apaixonado pela arte francesa. Nascido em 1862, ele fez fortuna no setor dos calçados. Sua coleção foi confiscada durante a ocupação nazista e vendida por um comerciante designado pelo Comissionado das Questões Judaicas do regime colaboracionista de Vichy.

DEPORTAçÃO
Internado em julho de 1944 no campo francês de Drancy, Bauer conseguiu escapar da deportação graças a uma greve de ferroviários. Antes de morrer, em 1947, recuperou uma pequena parte das obras que lhe pertenciam. Seus descendentes deram continuidade à ação. Atualmente, há cerca de 20 peças ainda não recuperadas, informou o advogado Cédric Fischer.

Em 1965, La cueillette des pois reapareceu brevemente durante uma venda, mas depois saiu do território francês e sumiu novamente. No início deste ano, a família Bauer teve conhecimento de que a pintura estava exposta no museu parisiense de Marmottan, emprestada pelo casal de colecionadores americanos para uma retrospectiva de Pissarro.

A sentença judicial se baseia em um decreto de abril de 1945 sobre a nulidade dos atos de espoliação. 

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