Começa neste domingo em BH a 21ª edição do Fórum Internacional de Dança

FID promove até sábado mostra de espetáculos e ciclo de debates com convidados nacionais e de outros países da América Latina

por Mariana Peixoto 29/10/2017 08:52
Pablo Bernardo/Divulgação
Benjamim Abras apresenta o solo Como caibo neste mundo, que ele define como uma mostra de processo de suas pesquisas em torno do afro-butô (foto: Pablo Bernardo/Divulgação)

Vinte e uma edições de um evento anual independente de dança não é pouca coisa. Pois foi somente em 1999, com a desvalorização do real, em decorrência da crise dos Tigres Asiáticos, que o FID não foi realizado.

Nascido Festival Internacional de Dança em 1996 e tornado Fórum Internacional da Dança quatro anos mais tarde, o FID continua na ativa muito em decorrência de seu formato. Variável de acordo com a conjuntura (leia-se verba) de cada período, ele, no entanto, mantém a mesma essência: pensar a dança por meio de montagens, publicações e debates que fujam do pensamento hegemônico.

Neste domingo (29/10) será dada a largada do FID 2017, agora com o subtítulo Outras Redes. Espetáculos, debates, rodada de negócios e encontros de curadores e artistas ocorrerão ao longo de uma semana. “Nos últimos três anos venho reestruturando o FID. Nossa ideia é propor alguma ação positiva para a dança em meio a uma conjuntura econômica de crise”, comenta Adriana Banana, coordenadora e idealizadora do fórum.

Tal intenção tem como objetivo implementar uma rede de cooperação internacional para a mobilidade de grupos, artistas e profissionais da área na região ibero-americana, ampliar as discussões sobre políticas culturais e fomento à dança em âmbito local, nacional e internacional. Para tal, foram convidados curadores e programadores de eventos de dança do Uruguai, Argentina, Paraguai, Espanha, além de brasileiros de outras regiões. Além dos debates (confira programação abaixo), haverá também o chamado FID Vitrine, uma rodada de negócios, esta somente para convidados.

RECIPROCIDADE “O que propomos é uma ação simples e eficiente. Vamos tentar negociar uma ação de reciprocidade (com outros eventos) com os convidados que estão vindo, que assistirão aos grupos daqui”, diz Adriana. Para o espectador de dança, o evento traz cinco montagens. Na abertura, nesta noite, no Sesc Palladium, a Companhia Nacional de Dança Contemporânea da Argentina, de Buenos Aires, faz sua estreia em Belo Horizonte com um programa duplo, Río conmigo e 8 pies.

“É um grupo que aposta em jovens coreógrafos que tenham um entendimento da dança contemporânea a partir de uma compreensão do mundo de hoje. A companhia dialoga com a história da Argentina, um país que foi sufocado por golpes políticos atrás de golpes políticos. Os passos da dança têm um enfrentamento, uma intensidade na movimentação. É um grupo bem vivo”, afirma Adriana.

A programação de espetáculos continua na quinta-feira, quando Rui Moreira e sua companhia apresentam, no Teatro Bradesco, Faça algum barulho. Montagem que integra há alguns anos o repertório do grupo, promove o encontro de duas linguagens que, num primeiro momento, não têm pontos de interseção: a Folia de Reis e o hip hop. Em cena, Moreira encarna um palhaço da tradição popular junto com um dançarino de break, o chamado b-boy (Rodrigo Peres), que vem da dança urbana.

 Já o artista Benjamin Abras leva duas coreografias ao FID. Na sexta-feira, no Sesc Palladium, ele faz uma apresentação solo de Como caibo neste mundo. O espetáculo é, de acordo com Abras, uma “mostra de processo” que ele ainda está investigando. No caso, o afro-butô. “É uma linguagem supernova na performance contemporânea, que pesquisa questões filosóficas do butô (dança japonesa surgida no pós-guerra) com a herança afrobrasileira. Quando se fala em afro, as pessoas pensam em tambor e gente pulando. O que quero mostrar neste trabalho são as sutilezas da danças dos orixás.”

Com 23 anos de carreira, Abras é autodidata. “Eu me considero um artista intermídia, que utiliza a dança como suporte para experimentar outras linguagens”, diz ele, que tem passagens pelo cinema (integrou o elenco de Uma onda no ar, lançado por Helvécio Ratton em 2002), já lançou livro e disco, e ainda se dedica à capoeira.

Maravalhas, que ele apresenta em 11 de novembro, após o período do evento (o espetáculo integra o programa de circulação do FID) é outra montagem que busca a interseção com diferentes linguagens. A coregrafia nasceu como um solo, tendo sido apresentada por Abras em diferentes ocasiões. “Posso levar Maravalhas para uma galeria de arte, para a rua ou para o palco. Meu interesse é expandir o diálogo com a própria cidade, em vez de deixar uma obra confinada ao palco”, conta.

Ele tinha curiosidade em ver como esse solo, que também utiliza uma pesquisa em torno da dança dos orixás (no caso Iansã, Ogum e Iemanjá) funcionaria com outros corpos. Para tal, convidou um b.boy, um bailarino de dança contemporânea e outro do jazz, do coletivo Multidanças. “Vejo a coreografia no corpo deles com uma reverberação diferente”, diz.

FID 2017 – OUTRAS REDES
De hoje a sábado, em vários espaços.
 Informações: www.fid.com.br


PROGRAME-SE

Confira debates e espetáculos promovidos pelo FID 2017

Ramiro Peri/Divulgação
(foto: Ramiro Peri/Divulgação)

Hoje
» 20h – Compañia Nacional de Danza Contemporánea (Argentina) com as montagens 8 pies e Río conmigo.
Sesc Palladium, Avenida Augusto de Lima, 420, Centro. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)

Amanhã
» 18h às 20h30 – Palestra Mobilidade internacional, com Marcelo Bones (BH). P7 Criativo, Avenida Afonso Pena, 4.000, 4º andar, Centro. Entrada franca

Terça
» 10h às 12h30 – Debate “Economia da Cultura, Economia Criativa e Diplomacia da Inovação”, com Ana Flávia Tavares Machado, diretora do Espaço UFMG do Conhecimento, e Juliano Alves Pinto, diplomata. P7 Criativo. Entrada franca

» 14h30 às 17h – Debate “Políticas Públicas de Fomento e Internacionalização da Dança”, com Marília Rameh, diretora do Grupo Artefolia (PE), Valéria Kovadloff, da Secretaria de Cultura de Buenos Aires, e Leonardo Beltrão, da Secretaria de Cultura de Belo Horizonte. P7 Criativo. Entrada franca

Quarta
» 14h30 às 17h – Debate “Ações de Cooperação e Coprodução Internacional em Dança”, com Eduardo Bonito, curador do Bienal de las Artes del Cuerpo, Imagen y Movimiento (RJ/Espanha), e Aurea Vieira, do Sesc-SP. P7 Criativo. Entrada franca

Quinta
» 20h – Rui Moreira Cia. de Danças (BH) com a montagem Faça algum barulho. Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Sexta
» 10h às 12h30 – Debate “Ensaios de intercâmbio na América Latina”, com Vera Garat (Uruguai), Jazmin Derbas (Paraguai) e Fabiano Carneiro (RJ-BR). P7 Criativo. Entrada franca

» 19h – Benjamin Abras (BH) com a montagem Como caibo neste mundo. Sesc Palladium. Entrada franca (para assistir, é necessário fazer a inscrição prévia pelo e-mail inscricao@fid.com.br)

Sábado
» 14h às 19h – Oficinas sobre produção e difusão cultural internacional com Eduardo Bonito (Espanha/BR). Galpão Cine Horto, Rua Pitangui, 3.613, Horto. Valor: R$ 100 (inscrições devem ser feitas pelo e-mail inscricoes@fid.com.br)

11 de novembro
» 17h – Benjamin Abras e Coletivo Multidanças (BH) com a montagem Maravalha, no Centro Cultural da FMC, no Bairro das Indústrias. Entrada franca.

FID EM NÚMEROS

491   espetáculos

73   grupos internacionais

176 participações de grupos locais e nacionais

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