Nipo-britânico Kazuo Ishiguro ganha Nobel de Literatura de 2017

O ganhador foi anunciado, na manhã desta quinta (5/9), em evento em Estocolmo na Suécia. Embora de origem nipônica, os livros de Kazuo são escritos na língua inglesa

por Márcia Maria Cruz 05/10/2017 08:17
AFP / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Jason MERRITT
O escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro é autor de Vestígios do dia, que foi adaptado para o cinema (foto: AFP / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Jason MERRITT )
A Academia Sueca anunciou o vencedor do Nobel de Literatura de 2017 , na manhã desta quinta (5/9 ), em evento em Estocolmo, na Suécia. O  ganhador foi o escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, de 62 anos. A academia destacou que a obra versa sobre 'memória, passagem do tempo e desilusão pessoal'.
  
Kazuo nasceu em Nagasaki, no Japão, em 1954, mas saiu de lá muito cedo. Aos cinco anos foi para a Inglaterra, onde se radicou. Os livros são escritos em inglês: 'Os vestígios do dia' (1989) e a ficção científica 'Não me abandone jamais' (2005). As obras foram adaptadas para o cinema. O flime 'Vestígios do dia' (1993), foi dirigido por James Ivory e estrelado por Anthony Hopkins. 
 

No Brasil, Kazuo é editado pela  Companhia das Letras. A editora lançou também 'Noturnos' e 'Quando éramos órfãos'. O mais recente é 'O gigante enterrado' (2015). A historiadora, antropóloga e professora da Universidade de Sâo Paulo, Lilia Schwarcz comemorou a indicação de Kazuo. "Ishiguro é uma pessoa sensível, erudita, bem humorada, louco por futebol", afirmou.
 
Ela destaca que nos livros 'Vestígios do dia' e o 'Gigante enterrado', Kazuo mistura prosa refinada e muita sensibilidade. 'O leitor é conduzido pela mão segura do escritor. As reflexões que ele acaba distilando, sobre tempo , envelhecimento, memória. São de uma imensa profundidade e atualidade. Sua ficção parece, sob essa perspectiva, como que infinda. Como são sempre infindos, ao menos aos olhos do leitor, todos os bons livros."
 
A curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Josélia Aguiar lembrou que entre os nomes de escritores nipônicos o mais cotado era Haruki Murakami. “Nas bolsas de apostas, o Murakami estava muito acima do Ishiguro. Então de certo modo sim, foi uma surpresa”, afirma.

Ela lembra que, depois de premiar a bielorrussa Svetlana Alexievich (2015) e o compositor Bob Dylan (2016), o Nobel volta à literatura em seu sentido mais estabelecido. “Ele não é o tipo de surpresa que foi, por exemplo, a Svetlana, que nem era traduzida. O Ishiguro nasceu no Japão, mas desde criança vive com a família na Inglaterra.”. 

Ishiguro foi várias vezes finalista do Man Booker Prize, inclusive venceu uma vez. “É um autor internacional que escreve em inglês, é bem traduzido e teve obra adaptada para o cinema.”  Josélia ainda destaca o fato Ishiguro ter em sua obra elementos de ficção científica.   
 

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