'Só se for para o fundo do mar', diz Crivella sobre 'Queermuseu' no Rio

Em vídeo publicado no Facebook, prefeito do Rio de Janeiro nega boatos sobre ida da mostra para a cidade

por Estado de Minas 02/10/2017 10:33
Facebook/Reprodução
'Queermuseu' foi aberta no Santander Cultural no dia 18 de agosto. (foto: Facebook/Reprodução)
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), publicou um vídeo em sua página no Facebook no qual afirma não querer que a mostra Queermuseu - Cartografias da Diferença da Arte Brasileira vá para a cidade. ''Só se for no fundo do mar'', disse o político, em trocadilho com o a sigla MAR (Museu de Arte do Rio)

Ainda na publicação, ele reforçou as críticas que acusam a exposição de apologia à pedofilia. ''Não é legal estimular uma criança a tocar em um homem nu em 'nome da arte'. É preciso respeitar a família, vamos cuidar das nossas crianças!'', escreveu ele na legenda. 
 
 
A mostra Queermuseu foi suspensa pelo Santander Cultural em Porto Alegre após pressão de grupos que a consideram ofensiva. A data para encerramento da exibição estava marcada para o dia 8 de outubro, mas foi fechada após protestos de um grupo de pessoas ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL). No entender da organização, as imagens eram consideradas ofensivas e faziam apologia à pedofilia e zoofilia

Apesar da negativa do prefeito, o curador e diretor cultural do Museu, Evandro Salles, afirmou ao jornal O Globo que as negociações para a reabertura da exposição continuam. ''Há um equívoco envolvendo o evento de São Paulo e a mostra Queermuseu, o que também aparece no vídeo do prefeito. É preciso ter calma para evitar esses entendimentos precipitados, num momento em que os ânimos estão exaltados''. 

Na última semana, o Santander anunciou que iria recusar a recomendação do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul e não reabrir a exposição em suas dependências. A instituição havia sido notificada pelo MPF/RS, recomendando um prazo de 24 horas para a reabertura da exposição ao público gaúcho. 
 
Segundo procurador da República Fabiano de Moraes, o precedente do fechamento de uma exposição artística causa um efeito deletério a toda liberdade de expressão artística, trazendo a memória situações perigosas da história da humanidade, como a destruição de obras na Alemanha durante o período de governo nazista.
 
MAM Críticas às exposições de arte se tornaram recorrentes no Brasil nos últimos meses. O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) tem sido alvo de ataques desde a última terça-feira, 26, quando sediou uma performance com um nu artístico. Num vídeo que circulou nas redes sociais, uma criança aparece tocando a mão e a perna do artista Wagner Schwartz, que estava sem roupa. 

Neste sábado, 30, um grupo fez um protesto na frente do museu, acusando-o de promover a pedofilia. O ato terminou em agressões físicas contra visitantes e colaboradores que defendem a permanência da exposição. Segundo nota do museu, O espaço ''foi invadido e seus colaboradores e visitantes foram alvo de ofensas e agressões verbais em claro ato intimidatório''.

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