Artistas brasileiros e estrangeiros propõem humor para combater a violência

De caráter multidisciplinar, o colóquio 'O humor contra a violência na cidade' é promovido pela Escola de Arquitetura da UFMG

por Mariana Peixoto 02/10/2017 08:00

CRISTINA HORTA/EM/D.A.PRESS
Grafite de Nilo Zack e Lídia Viber feito na Região Central de Belo Horizonte (foto: CRISTINA HORTA/EM/D.A.PRESS )
Pesquisadores do Brasil e da França discutem, de hoje (2/10) a quarta-feira (4/10), na Escola de Arquitetura da UFMG, o humor. De caráter multidisciplinar, o colóquio “O humor contra a violência na cidade” vai reunir acadêmicos de diferentes áreas: arquitetura, direito, história, letras, sociologia, filosofia e artes.


“A cidade é a maior forma política da história. E a grande concentração de pessoas pode gerar hostilidade, violência. O humor seria uma forma de você pensar a questão da diferença, da transformação das pessoas”, comenta a historiadora Myriam Bahia Lopes.

Professora da Escola de Arquitetura e Design, ela é coorganizadora do evento, ao lado da socióloga francesa Claudine Haroche, do Instituto Interdisciplinar de Antropologia do Contemporâneo. Este é o segundo colóquio realizado pelas pesquisadoras. O anterior foi “Ensaios sobre a arrogância”.

O humor, em tempos tão bicudos, será analisado de diferentes maneiras no encontro. “O humor é a linguagem possível para lidar com a violência. Ele seria uma forma de você se entender e olhar o outro”, afirma Myriam.

Nesta segunda (2/10), é a caricatura quem dará início aos trabalhos, através de conferência com Ségolène Le Men, considerada a maior especialista da França sobre a imprensa ilustrada. Também hoje haverá um encontro com o artista paulista Carlos Matuck, um dos pioneiros do grafite em São Paulo – ele começou ainda na década de 1970.

A arte de rua, por sinal, terá destaque no colóquio. Outro convidado é o professor e fotógrafo Kenji Ota, também de São Paulo, que pesquisa processos alternativos na fotografia (seja no tipo de suporte, processo de revelação ou no modo de captação da imagem). Já atuou no projeto Nox (tema de um debate da conferência), sobre grafite em São Paulo, com Matuck e vai apresentar uma instalação no hall da Escola de Arquitetura.

Haverá ainda conferências e debates com Olivier Mongin, da revista francesa Esprit, que vai falar sobre a comicidade no cinema mudo; e Clara Luiz Miranda, da UFES, que vai comentar sobre a dificuldade que a arquitetura tem para lidar com o humor.

O último dia do encontro será reservado a uma oficina com Binho Barreto e Maria Luiza Viana. Artista visual e professor, Binho atua tanto na ilustração quanto no grafite. A canção popular participa do colóquio por meio de um debate com quatro convidados: Guilherme Castro (professor da UFMG e integrante da banda Somba) vai falar sobre “As sonoridades do humor”; Makely Ka vai tratar da canção como mediadora dos conflitos sociais; Allysson Lima, pesquisador das canções da Revolução Francesa, vai comentar sobre a música naquele período histórico; e Bruno Vinícius de Morais, sobre a violência social e a marginalização na cidade do Rio de Janeiro.

O HUMOR CONTRA A VIOLÊNCIA NA CIDADE
Colóquio internacional, de hoje (2/10) a quarta-feira (4/10),  na Escola de Arquitetura da UFMG
(Rua Paraíba, 697). Vagas limitadas. Informações: www.arq.ufmg.br/nehcitj/coloquio

Programação

» Hoje

9h – Abertura: O humor contra a violência na cidade (Claudine Haroche, EHESS-CNRS e Myriam Bahia, UFMG)
10h – Caricatura ou o grito do cidadão (Ségolène Le Men, Université Paris Nanterre)
11h – Arquitetura e status quo: ausência de humor na cidade (Clara Luiza Miranda, UFES)
14h – O humor, saber rir de si (Claudine Haroche, EHESS-CNRS)
15h30 – O grafite e o humor na cidade de São Paulo (Carlos Matuck)

» Amanhã

9h – Risos na fronteira. Sobre os burlescos do cinema mudo e os cômicos contemporâneos da migração na França
(Olivier Mongin, revista Esprit)
10h – O humor como astúcia do deslocamento face a violência na cidade (Myriam Bahia, UFMG)
14h – Sátira contra violência urbana em Três mulheres de três PPPês, de Paulo Emílio (Teodoro Rennó Assunção, UFMG)
15h – Mikhail Bakhtin e a vida nas ruas: polifonia, diálogo e algum carnaval (Rita Velloso, UFMG)
16h – O projeto NOX (Carlos Matuck e Kenji Ota)

» Quarta

9h – Oficina O humor e a rua contra a violência na cidade (Maria Luiz Viana e Binho Barreto)
14h – A canção e o humor contra a violência na cidade (Luiz Henrique e Miriam Hermeto, UFMG)
16h – Diálogos com humor na escrita urbana (Regina Helena Alves Silva, UFMG)

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