BH tem temporada de exposições com fotografia, performance, cerâmica e mais

CCBB, Casa do Baile, BDMG-Cultural, Museu Inimá de Paula e Funarte abrigam mostras que abarcam vasto campo de linguagens e técnicas

por Mariana Peixoto 28/06/2017 08:00

Divulgação
Os artistas Luis Arnaldo e Marcelino Peixoto desenham nas paredes de galeria. A performance Exílio será feita na Funarte (foto: Divulgação )

Exposição sensação da temporada, Entre nós – A figura humana no acervo do Masp termina neste domingo no CCBB. A mostra, que reúne obras de diferentes períodos da história da arte, já figura como uma das campeãs do espaço, mesmo antes de seu encerramento. Com público até agora de 144 mil pessoas, é a terceira mais vista do local (perdendo apenas para ComCiência e Mondrian e o Movimento De Stijl).A próxima exposição do CCBB, que será aberta em 19 de julho, será contemporânea. O corpo é a casa, do austríaco Erwin Wurm, reconfigura elementos do cotidiano (móveis, carros, roupas, alimentos) para o campo da arte. À parte o sucesso Entre nós, há mostras de menor porte recém-inauguradas ou a estrear em breve na agenda de artes visuais da capital mineira. A cidade e o ócio, voltada para arquitetura, foi aberta ontem na Casa do Baile, e Pirajá, com esculturas de cerâmica, ocupa o andar térreo do CCBB desde o último sábado. Nos próximos dias, o BDMG-Cultural abre exposição de pintura; o museu Inimá de Paula, de fotografia; a Funarte abriga uma ação artística e a galeria dotART lança o Programa Gravura, como você confere nesta página.

 

 OLHE BEM AS COLINAS...

 

Não é performance, tampouco instalação. Os artistas Luis Arnaldo e Marcelino Peixoto preferem chamar de ação o projeto Erguer colinas, que terá início em 15 de julho no galpão 5 da Funarte.


Vencedor do Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, o projeto pretende discutir a “histórica celeuma entre o trabalho manual e o trabalho intelectual”, segundo Marcelino. A exposição ficará aberta ao longo de 40 dias, com atuação diária dos dois artistas.


No momento inicial, a dupla vai começar a transportar 80 m³ de areia do pátio da Funarte até o galpão (em carrinhos de construção). Lá dentro, o material será distribuído em oito colinas. Já num momento posterior, chamado Exílio, os dois vão desenhar nas paredes da galeria.


“O projeto, que reúne trabalho, força, desenho, construção, mostra o que nos une aos modos de trabalho da construção civil”, afirma Marcelino. A questão é presente na obra da dupla, que, em 2015, deslocou para a galeria do Sesc Palladium 5 mil tijolos, na ação chamada Desenhar o que resta.


Erguer colinas não vai se limitar à Funarte. “Há ações externas que envolvem afixar cartazes em postes e tapumes da cidade e fazer divulgação em canteiros de obras. A exposição é aberta a todos, mas vamos privilegiar o trabalhador da construção civil”, diz Luis Arnaldo.


A partir de 12 de agosto, a areia utilizada no projeto será doada. O material poderá ser retirado, por qualquer pessoa, no próprio pátio da Funarte, mediante agendamento prévio pelo telefone (31) 99221-7316.

 

AÇÃO PARA ERGUER COLINAS

Funarte (Rua Januária, 68, Centro, (31) 99221-7316). Abertura: 15 de julho, das
6h às 22h. Visitação de quarta a domingo, das 14h às 22h. Até 31 de agosto.

 

FUTURO DO PRETÉRITO

 

Escultor e desenhista, Renato Morcatti apresenta em três galerias térreas do CCBB sua porção ceramista. Pirajá, nome da mostra que reúne centenas de peças de pequeno porte, é uma exposição que lida com afeto e memória.
Nascido no bairro do Pirajá, região Nordeste de BH, o artista viveu ali até os 10 anos. Retornou à casa da infância há quatro anos, quando montou ali seu ateliê. “A cerâmica surgiu a partir da convivência nos ateliês de Marco Túlio Resende e Thaïs Helt, além da relação com a ceramista Erli Fantini. Assim que monto o ateliê no Pirajá, começo a reconhecer no meu trabalho coisas da minha infância”, comenta.


A queima da cerâmica de Morcatti é realizada no forno de Erli Fantini em Brumadinho. As peças são pequenas, porque o forno não permite trabalhos maiores. Uma vez que as peças estão prontas, é que surge a escultura. “Na exposição, as pessoas não enxergam a unidade, mas o todo da obra”, diz.
A série Entre, que trata de liberdade, reúne pequenos totens fechados numa gaiola de aço. Já a série Nós, que fala sobre a família, mostra simulações de molhos de chaves, unidas por anel de couro. Segredos apresenta objetos que representam o encaixe dos segredos das chaves. Encerrando a mostra, Guardião traz uma peça única – uma escultura de 45cm que futuramente será recriada na dimensão humana.

 

PIRAJÁ

Exposição de Renato Morcatti. Até 14 de agosto no CCBB, Praça da Liberdade, 450, Funcionários,
(31) 3431-9503. Visitação de quarta a segunda, das 9h às 21h.

 

EMPREGO DO TEMPO (LIVRE)

 

O que fazer quando não se faz nada? A cidade e o ócio, em cartaz na Casa do Baile, apresenta essa discussão contemporânea de maneiras distintas. Projeto idealizado pela Liga Arquitetura, reúne arquitetos, designers e artistas em torno da questão.


O interior do espaço abriga fotografias de Luiza Ananias tiradas em espaços públicos de BH. Acompanhando as imagens, há textos que refletem sobre o ócio e sua relação com o negócio e também com o espaço (no caso, a Pampulha, onde está a exposição). Já na parte externa da Casa do Baile estão os chamados módulos interativos. “São sete redes produzidas por designers exclusivamente para a exposição. Elas estão em módulos de madeira prensadas também nos pilares da Casa do Baile”, comenta Bárbara Fonseca, da Liga Arquitetura.


As redes são um convite para que o público deite e aproveite o ócio com a vista para a Lagoa da Pampulha. Desta maneira, a experiência pode convocar o público a discutir o espaço público enquanto local de lazer e ócio.

 

A CIDADE E O ÓCIO

Exposição na Casa do Baile (Av. Otacílio Negrão de Lima, 751, Pampulha, (31) 3277-7443). Visitação às terças, das 9h às 21h; e de quarta a domingo, das 9h às 17h. Até 25 de agosto.

 

EU, EU MESMO E ELAS

 

Aos 50 anos, o artista Domingos Mazzilli se tornou 35 pessoas. Trinta e quatro delas, mulheres. Com abertura em 6 de julho, a mostra Fotoperformances leva ao Museu Inimá de Paula figuras célebres tanto da vida real, como as pintoras Tarsila do Amaral e Frida Kahlo, quanto da ficção, como as personagens Zhora, do filme Blade runner (1982), e Willie, do longa Lili Marlene (1981).


O projeto foi desenvolvido entre o artista e o maquiador catalão Raul Cabanell. Este o transformava em mulheres reais e fictícias. Num momento posterior, foi fotografado por Felipe Ferreira. O que será exposto no museu serão essas imagens, em 50 cm X 75cm.


Haverá ainda um vídeo com o making of da produção e objetos de cena que o público poderá usar. “A exposição se resume na seguinte pergunta: ‘Se eu não fosse eu, quem eu seria?’”, comenta Mazzilli. E por que tantas mulheres? “Fui criado com cinco mulheres e acho a possibilidade de fazer mulheres mais interessante. Além disto, há a questão do eu na contemporaneidade, em que existe uma fluidez de ser várias coisas numa vida só.”


Mesmo assim, ele se rendeu a um homem. A última imagem produzida para a exposição traz Mazzilli como um dos replicantes de Blade runner.

 

FOTOPERFORMANCES

Exposição de Domingos Mazzilli. De 6 de julho a 24 de setembro, no Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1.201, Centro, (31) 3213-4320). Visitação terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 18h30; quintas, das 10h às 21h; e domingos, das 10h às 16h30.

 

 

 

 

 

 

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