Movimento Country celebra 25 anos com reinvenção no sertanejo
Por Movimento Country
Movimento Country A revelação impactante de Roberta Miranda sobre o abuso e a violência que sofreu ao longo da vida trouxe à tona um problema estrutural no meio sertanejo: o machismo enraizado na música e na indústria. Em entrevista ao Fantástico, a cantora expos um passado marcado por agressões e abusos, incluindo um episódio chocante em que um homem colocou um revólver em sua cabeça e a estuprou.
O depoimento de Roberta Miranda, uma das vozes mais importantes do sertanejo, levanta um debate urgente sobre o relacionamento abusivo e a violência contra a mulher dentro e fora da música. Afinal, até que ponto a indústria sertaneja reforça ou silencia essas questões?
A música sertaneja, especialmente o sertanejo universitário, consolidou-se como um dos gêneros mais populares do Brasil. No entanto, há uma crítica crescente sobre a forma como as letras romantizam o machismo e normalizam o abuso emocional e psicológico nas relações amorosas.
Músicas que falam sobre controle, ciúmes excessivo, insistência após o 'não' e até humilhação da mulher são comuns no repertório masculino. O sertanejo, que antes exaltava o amor romântico e o sofrimento na paixão, passou a reforçar narrativas de dominação, vingança e até perseguição.
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O machismo não se restringe às letras das músicas, mas também ao comportamento dos próprios artistas e da indústria. Diversos casos de violência doméstica e abusos vieram à tona nos últimos anos, mostrando que o problema vai muito além da ficção.
Apesar dos escândalos, muitos desses artistas continuam tendo espaço na mídia e em festivais, o que evidencia a conivência da indústria com esse tipo de comportamento.
Diferente do cenário atual, Roberta Miranda foi uma das pioneiras femininas no sertanejo. Sua trajetória não foi fácil. Ela enfrentou preconceito, isolamento e machismo em um meio dominado por homens. Seu desabafo sobre os abusos sofridos desde a infância reforça como as mulheres precisam ser fortes para sobreviver nesse ambiente.
A cantora decidiu contar sua história na autobiografia 'Um Lugar Todinho Meu', um projeto que demorou anos para ser concluído devido à dor emocional envolvida. O livro, além de relatar seus traumas, tem um objetivo claro: ajudar outras mulheres que passam por relacionamentos abusivos e violência doméstica.
O apoio emocional que Roberta encontra no seu cachorrinho Severino, recomendado por sua psicóloga, mostra o peso das feridas emocionais deixadas pela violência. A luta contra os traumas persiste, e seu testemunho pode encorajar milhares de mulheres a romperem o silêncio.
No meio sertanejo, as mulheres que denunciam abusos enfrentam represálias e boicotes. O silêncio imposto pela indústria faz com que muitas vítimas prefiram esconder o sofrimento a arriscar suas carreiras.
Roberta Miranda, com seu desabafo corajoso, pode abrir um caminho para que outras mulheres do sertanejo exponham as violências que sofrem. No entanto, o combate ao machismo estrutural do gênero ainda é um longo caminho a ser percorrido.
Se você ou alguém que conhece está em um relacionamento abusivo ou sofre qualquer tipo de violência, ligue para o número 180, a Central de Atendimento à Mulher. O serviço funciona 24 horas por dia, no Brasil e no exterior, garantindo acolhimento e informações sobre como buscar ajuda.
O depoimento de Roberta Miranda não pode ser ignorado. Ele escancara uma realidade cruel vivida por muitas mulheres, dentro e fora da música. O sertanejo precisa evoluir e romper com a cultura machista que ainda persiste, tanto nas letras das músicas quanto no comportamento de seus artistas.
A voz feminina no sertanejo está cada vez mais forte, com nomes como Marília Mendonça (in memoriam), Maiara & Maraisa e Simone Mendes trazendo um olhar diferente para o gênero. Mas a luta contra o machismo, os relacionamentos abusivos e a violência doméstica ainda está longe de acabar.
A pergunta que fica é: quantas outras histórias como a de Roberta Miranda ainda estão escondidas nos bastidores do sertanejo?
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