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Atriz de 41 anos contou que precisou provar ainda mais seu talento para não ser reduzida à aparência e rejeitou papéis estereotipados
Reprodução Débora Nascimento, de 41 anos, refletiu sobre um dos paradoxos que enfrentou ao longo da carreira como atriz: a própria beleza, muitas vezes celebrada pelo público, também acabou criando barreiras profissionais. Em entrevista ao programa Odeio Cinema, do AdoroCinema, a artista contou que precisou se esforçar ainda mais para convencer diretores e produtores de elenco de que poderia entregar muito além da imagem de mulher bonita.
A atriz afirmou que, em determinados trabalhos, percebeu que sua aparência fazia com que tivesse de demonstrar ainda mais capacidade para conquistar oportunidades.
“Alguns trabalhos eu tive que trabalhar muito mais, mostrar muito mais para poder pegar, para simplesmente acreditarem de que eu não era apenas bonita”, contou Débora.
Segundo ela, existe uma percepção equivocada de que mulheres consideradas bonitas não poderiam carregar histórias complexas ou personagens que exigissem maior profundidade emocional.
“É como se uma brasileira, uma mulher comum no nosso Brasil, não pudesse ser bonita. Como se uma mulher bonita não tivesse o direito de sofrer, de sentir, de ter uma vida complexa, uma vida normal. Eu sinto isso muito aqui, no Brasil”, refletiu.
Ao longo da trajetória na televisão e no cinema, Débora buscou justamente escapar do estereótipo de que sua principal característica profissional seria a aparência. Para ela, assumir a própria beleza não significa utilizá-la como ferramenta para conseguir determinados personagens.
“A minha beleza está aqui. E eu não [vou] lutar contra, [vou] me apropriar dessa beleza, mas não usá-la para conseguir os papéis [estereotipados], porque esses papéis não são os papéis que me interessam”, afirmou.
A declaração resume uma questão que acompanha a atriz desde o início da carreira: encontrar espaço para mostrar sua versatilidade sem ser limitada pelo padrão estético associado à sua imagem.
A relação da atriz com a aparência também passou por um processo de amadurecimento. Débora contou que levou tempo até conseguir reconhecer a própria beleza sem enxergá-la apenas a partir da maneira como outras pessoas a avaliavam.
“Eu demorei muito tempo para poder falar: ‘sou bonita, sim, me acho linda e isso faz parte de mim’. [...] Eu tive que começar a prestar atenção no olhar do outro sobre mim, os diretores, produtores de elenco...”, revelou.
Agora, a atriz afirma que prefere se apropriar da própria imagem sem permitir que ela determine os caminhos que deseja seguir profissionalmente. A intenção, segundo Débora, é continuar buscando personagens que permitam mostrar diferentes facetas de seu trabalho.
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