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Cantor britânico reúne peças exclusivas de Patek Philippe, Audemars Piguet e outras marcas de alta relojoaria
Reprodução Ed Sheeran costuma apostar na simplicidade no palco, mas seu gosto por relógios está bem distante do básico. O cantor britânico construiu uma coleção com peças históricas, grandes complicações, edições limitadas e modelos personalizados.
Para o especialista em alta relojoaria Renan Bastos, o valor de uma coleção desse nível vai muito além do preço.
“Quando chegamos a esse nível de colecionismo, preço é apenas uma das variáveis. Raridade, importância histórica, complicações, procedência e a relação do colecionador com as manufaturas passam a ter um peso enorme”, explica.
Um dos modelos mais simbólicos é um Patek Philippe World Time 5230G, produzido especialmente para Sheeran. No lugar de Londres, um dos fusos horários do relógio traz Framlingham, cidade onde o artista cresceu.
“Uma peça única muda completamente a discussão. Não estamos falando apenas de um relógio difícil de encontrar, mas de algo criado especificamente para determinado proprietário. A exclusividade passa a estar também na história que aquela peça carrega”, avalia Bastos.
Outro destaque é um Audemars Piguet Royal Oak Perpetual Calendar, também único. A peça reúne referências à carreira e à família do cantor, com ponteiros inspirados em seus álbuns, símbolos matemáticos relacionados aos trabalhos e números que remetem aos aniversários de suas filhas.
“Depois de determinado nível, exclusividade deixa de significar apenas possuir algo raro. O relógio passa a ter elementos que fazem sentido especificamente para aquela pessoa.”
Sheeran também possui um Patek Philippe 2499, modelo com calendário perpétuo e cronógrafo produzido entre 1950 e 1985. Foram fabricadas apenas 349 unidades ao longo de aproximadamente 35 anos.
Outro destaque é o Patek Philippe 5208P, adquirido em 2017, durante a fase de sucesso do álbum Divide. O modelo combina repetição de minutos, cronógrafo monopulsante e calendário perpétuo instantâneo. Para conseguir usá-lo durante apresentações, o cantor chegou a solicitar uma pulseira revestida de borracha.
“Existe o colecionador que guarda e existe aquele que quer viver com o relógio. Mesmo peças extremamente sofisticadas podem estar ligadas a momentos importantes da vida de quem as comprou”, afirma o especialista.
Em 2025, Sheeran foi visto usando um Arnold & Son Constant Force Tourbillon 11, cuja versão em ouro amarelo teve apenas 11 exemplares produzidos.
No mesmo ano, durante o lançamento de Play, apareceu com um IWC Big Pilot Perpetual Calendar personalizado, com caixa de cerâmica branca e mostrador rosa inspirado na identidade visual do álbum. O logotipo do disco também aparece na peça.
“Começa a existir uma espécie de memória da carreira por meio dos relógios. A peça deixa de representar somente a manufatura e passa a marcar um momento específico da trajetória do proprietário”, analisa Renan Bastos.
A paixão do cantor também chegou à equipe. Após a Divide Tour, Sheeran encomendou versões especiais do Tudor Black Bay para presentear integrantes do grupo, com o símbolo do álbum no mostrador e uma mensagem de agradecimento gravada na parte traseira.
Para Bastos, é justamente a conexão entre raridade, mecânica e memória que torna a coleção de Sheeran particular. “Uma grande coleção não precisa necessariamente ser aquela com o maior valor financeiro. Ela precisa ter coerência. Você começa a perceber por que cada peça está ali: história, mecânica, raridade, estética, uma conquista ou uma lembrança.”
No caso de Ed Sheeran, os relógios vão além do luxo: registram cidades, álbuns, conquistas e momentos familiares, transformando a coleção em uma espécie de linha do tempo da vida do cantor.
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